Avizinha-se um período literalmente quente para os media portugueses, sobretudo se se mantiverem as péssimas previsões relativamente aos incêndios. Antecipando um problema que não tardará a "inflamar" os media, a TSF propôs hoje à reflexão no Fórum da manhã [que não pude ouvir até ao fim!] uma discussão sobre a mediatização/espectacularização dos incêndios. O ponto de partida foi um comentário de António Peres Metelo, para quem as televisões deveriam ser mais contidas na trasmissão em directo dos cenários de incêndio. Sem querer avançar conclusões, penso que merecem nota pelo menos duas das questões levantadas/sugeridas pelos intervenientes.
tal como na publicidade e nos video-jogos, qualquer imagem pode influenciar quem v?. N?o d?vido nada que os media influenciam os "piromaniacos" com as imagens. De certeza que eles sentem mais prazer a ver os fogos ateados por eles na televis?o. Devem-se sentir felizes por tal feito ter destaque na televis?o. Mas tamb?m penso que os media t?m ajudado na preven??o, porque se n?o dessem tanto "alarido" ? quest?o, muitas autarquias n?o se davam ao trabalho de querer "proteger e preservar" a ?rea florestal. Mas tamb?m tenho a certeza que muitos dos autarcas n?o se importariam nada que X parte arde-se para poder vender e poder construir..
Para a primeira quest?o:
"A repeti??o constante, sobretudo nas televis?es, de imagens dos inc?ndios pode levar a um efeito de imita??o?
[Ant?nio Carvalho, Inspector-Chefe da PJ] Se o indiv?duo que v? essas imagens for suscept?vel de perturbar- -se com elas e a querer t?-las presente na impossibilidade de se deslocar at? junto delas, isso pode ser um factor de perturba??o, porque a pessoa pode querer trazer aquele cen?rio at? perto de si. Estamos perante uma situa??o cl?nica. ? como aquele que quer ser bombeiro e ateia o fogo para ir ajudar.
J? teve em m?os algum caso em que um incendi?rio lhe disse que pegou fogo porque viu na televis?o?
J?. Ele disse-nos que a raz?o por que tinha ateado o fogo era para ver o cen?rio, os meios em ac??o."
(http://dn.sapo.pt/2005/08/26/tema/incendiarios_excluidos_socialmente.html)
Para a segunda:
"os respons?veis das esta??es portuguesas querem apenas "desempenhar o seu trabalho" e "mostrar o Pa?s tal qual ele ?"."
REGULA??O. Em resposta ?s cr?ticas aos excessos cometidos, os respons?veis informativos contactados pelo DN manifestam-se dis- pon?veis para um acordo de auto- -regula??o, no sentido de filtrar a informa??o transmitida, mas, sublinha Moniz, desde que isso n?o vise "limitar o direito do espectador a ser informado". "A TVI est? sempre dispon?vel para discutir tudo com toda a gente, mas come?ar?, como ? natural, por faz?-lo internamente", assegura.
Ricardo Costa, por?m, aponta o dedo ?s propostas pol?ticas de regula??o, que, em sua opini?o, "se assemelham a pura censura". "Penso, no entanto, que podemos ver se os entendimentos que existem noutros pa?ses t?m resultado pr?ticos. Mas era mais ?til que as autoridades aprendessem com o que se faz l? fora na preven??o e combate aos fogos", afirma o director da SIC Not?cias.
J? Lu?s Marinho mostra-se aberto, em nome da RTP, para "promover essa discuss?o com as outras televis?es". No entanto, "internamente, essa reflex?o j? come?ou", garante.
(http://dn.sapo.pt/2005/08/26/tema/tv_pode_ajudar_rejeita_caca_bruxas.html)
Acho que sim, que pode haver pir?manos escondidos que, perante a espectacularidade das imagens de um grande fogo, se sintam tentados. Admito que sim. Mas da? a advogar limita??es ? informa??o vai um grande passo. Mas...
Defendo apenas o ?bvio: n?o ao sensacionalismo, cuidado com a escolha e edi??o das imagens, evitar o excesso dos directos que pode, al?m de despertar pir?mamos, lan?ar o p?nico em popula??es; enfim o t?o almejado bom senso que falta tantas vezes ?s chefias, aos que est?o na redac??o a pensar muitas vezes apenas e s? nas audi?nciazinhas...