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"O Massacre do Jornalismo" de Miguel Sousa Tavares e a que Sara Moutinho já aqui se referiu, é um texto incontornável, goste-se ou não do tom peremptório que é apanágio do autor. Há ali críticas contundentes, que merecem consideração, às lógicas mercantis das empresas jornalísticas e à orientação dominante da formação dos jornalistas. Não estou certo que a realidade seja tão nítida como MST quer fazer crer. Não vejo onde estão, por exemplo, os tais "doutorados em Jornalismo" a que o autor se refere, até porque cursos especificamente de jornalismo são muito recentes e doutorados propriamente ditos serão uma meia dúzia e, tanto sei, não se encontram na situação que é sugerida. Finalmente, o retrato que é traçado da "terceira geração de jornalistas" é, de facto demolidora: "Abaixo dos editores, está a terceira geração de jornalistas de depois da censura - os jovens jornalistas de agora. É de longe a mais reprimida, a mais abusada e a mais desiludida geração de jornalistas de sempre, incluindo as do tempo da ditadura. São censurados todos os dias, não por um coronel da Censura, mas pelo seu editor sentado na mesa ao lado. Os seus textos são manipulados, virados do avesso, reescritos em busca do grão de escândalo que possa ser puxado para título e atrair as atenções e as vendas. São obrigados a prestarem-se a funções indignas, como as de vigiarem as casas dos "colunáveis", espiarem-lhes os casamentos, os enterros, a sua vida privada; perseguirem as mulheres e os filhos dos suspeitos presos pela justiça e arrancar-lhes uma lágrima, um estremecimento de terror, um reflexo de animais acossados; erigirem-se em juízes e decretarem condenações públicas sem audição dos acusados; recorrerem a fontes anónimas, de cara tapada e voz distorcida, aliciadas de todas as formas e feitios, incluindo ofertas de dinheiro; fazerem notícias sem substância, nem conteúdo, apenas na base da insinuação de que "não aconteceu, mas quem sabe se não poderia ter acontecido?". Nas redacções nenhum editor, supondo que seria capaz, lhes ensina coisa alguma sobre jornalismo: como deve ser investigada uma notícia, como deve ser redigida, como deve ser feito um título. Porque já não é de jornalismo que se trata, mas de simples compra e venda de títulos e de supostas notícias. E eles já não são tratados como jornalistas, mas como mercenários, merceeiros da informação. Se porventura têm a coragem de resistir e recusar, é-lhes respondido que há muitos candidatos para o seu lugar e são encostados à parede e ostracizados e humilhados até ao ponto em que já não aguentem mais e prefiram o desemprego". Há muitos sinais que sugerem que o quadro traçado é pertinente e adequado. Mas a ideia transmitida de que, no meio da desgraça geral, só o Público se safa talvez seja exagerada. Se, por qualquer razão, também este jornal fosse tomado pelos tais "merceeiros da informação", acabava-se o jornalismo em Portugal? E que seja: ainda assim, a questão que importaria equacionar é esta: que é possível fazer? Que é importante fazer? Que é que se está a fazer?


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