Weblogue colectivo do projecto Mediascópio - CECS / Universidade do Minho | RSS: ATOM 0.3 |




Envie este post



Remember me (?)



All personal information that you provide here will be governed by the Privacy Policy of Blogger.com. More...



7. Riscos de uma deriva tecnológica O factor tecnológico é certamente central na educação para os media. Mas tem sido formulado de tal modo que são muitas as confusões e os riscos de deturpar profundamente os objectivos da formação a promover. No fundamental, os riscos advêm de se pretender polarizar a educação para os media nas tecnologias ou em imputadas exigências decorrentes das tecnologias . Existe hoje um registo de discursos sobre as TIC (tecnologias de informação e comunicação) que balanceia entre o medo e o entusiasmo. Não é, em rigor, um fenómeno novo, mas a velocidade das inovações tecnológicas, conjugada com a performatividade de cada novo “gadget” tem contribuído para a consolidação de um discurso de carga predominantemente positiva no terreno educativo, como se nas tecnologias residisse a possibilidade de, finalmente, a escola se redimir perante a sociedade. Há, nas orientações mais encantadas como nas orientações mais reticentes às tecnologias, uma matriz comum de forte pendor determinista. Ambas assentam na pressuposição de que a difusão e o uso produzem, de forma mais ou menos automática, determinados efeitos, sejam eles positivos ou negativos. E este determinismo está presente, de modo por vezes subliminar, como marca forte dos programas que visam difundir as novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC) na escola e, mediante essa via, promover a inovação na educação. No terreno educativo, porém, dir-se-ia que a imagem das NTIC está associada a uma carga predominantemente positiva, como se nestas tecnologias residisse a redenção da escola e da educação escolar perante a sociedade. A interactividade, a auto-aprendizagem, a pesquisa autónoma, a interdisciplinaridade, seriam resultados “naturais” esperáveis das “extraordinário poder” atribuído às novas tecnologias, que grandes grupos multinacionais, sequiosos de aumentar os seus lucros e a sua quota de mercado, não se cansam de agitar e propagandear. Neste quadro, e no sentido de abrir caminho e espaço à Educação para os Media, é fundamental interrogar as concepções e propostas instrumentalistas, modernizantes e tecnocráticas que parecem conquistar hoje os discursos e as orientações de vários sectores-chave da União Europeia e de diversos ministérios da Educação, e procurar enfatizar o lugar dos sujeitos e os grupos que interagem, com a mediação das tecnologias, tendo em conta os seus respectivos contextos de vida. Trata-se de acentuar orientações de pendor pedagógico e cultural, orientadas para o exercício de uma cidadania esclarecida e participada, em que o recurso às tecnologias e a compreensão do seu lugar na vida social habilitem cada vez mais as pessoas e os grupos a uma vida mais autónoma, mais significativa e mais feliz. Há que passar pelas tecnologias, mas para visar mais largo e mais longe: as lógicas e os interesses de que emergem, as tendências que nelas se detectam, as linguagens e os formatos a que recorrem, os usos sociais e formas de apropriação a que dão lugar. O acesso às tecnologias e a mais e melhor informação pode ser condição necessária, mas não é certamente condição suficiente na formação dos cidadãos, nas sociedades dos nossos dias. Como observou Dominique Wolton (1999: 11), “nada há de mais perigoso do que ver na presença de técnicas cada vez mais performativas a condição da aproximação entre os homens”. A Educação para os Media deve ter o seu centro de gravidade não tanto nos media e nas tecnologias, mas, como defendemos atrás, na comunicação e nos processos e competências nela implicados. Como sublinhei noutras ocasiões , constitui um contra-senso despender vastas somas de tempo, dinheiro e energia em grandes programas de fornecimento de tecnologias de comunicação e informação sem uma percepção clara de que tais equipamentos e redes são da ordem dos meios e não da ordem das finalidades. Perante e complexidade crescente dos fenómenos sociais e das opções que somos chamados a assumir; perante a avalanche informativa que os novos e velhos meios de comunicação e informação disponibilizam; perante as mensagens mais díspares que de vários lados procuram seduzir e convencer – torna-se, na verdade, urgente redefinir o conceito de cidadania, redescobrir os campos e as dimensões nele implicados, ensaiar novos modos de aprender a viver, individual e colectivamente, nos novos cenários que se estão a desenhar, com a preocupação de reequacionar o papel e a missão da escola (Pinto, 2003).


0 resposta(s) para “”

Responder





Quem somos

» Manuel Pinto
» Helena Sousa
» Luis Antonio Santos
» Joaquim Fidalgo
» Felisbela Lopes
» Madalena Oliveira
» Sara Moutinho
» Daniela Bertocchi
» Sergio Denicoli

» E-MAIL

Últimos posts

» Fotos do ano Jerome Delay, da Associated Press,...
» História da Imprensa O Canal de História anunci...
» Universidade do Porto com jornal A Universidade...
» A Associação Portuguesa de Imprensa (AIND) e a Vec...
» Sobre o que se passa no DN O Conselho de Redacç...
» 6. Como se comunica dentro da escola? Todos sab...
» Pesquisar nos livros da Amazon O jornal USAToda...
» Blogging is... Escreve Jay Rosen, no PressThink...
» Debates necessários Faz hoje oito dias que o pr...
» "Jogo de sombras" "Os jornalistas não são os gu...

Ligações


Arquivos

» Abril 2002
» Maio 2002
» Junho 2002
» Julho 2002
» Agosto 2002
» Setembro 2002
» Outubro 2002
» Novembro 2002
» Dezembro 2002
» Janeiro 2003
» Fevereiro 2003
» Março 2003
» Abril 2003
» Maio 2003
» Junho 2003
» Julho 2003
» Agosto 2003
» Setembro 2003
» Outubro 2003
» Novembro 2003
» Dezembro 2003
» Janeiro 2004
» Fevereiro 2004
» Março 2004
» Abril 2004
» Maio 2004
» Junho 2004
» Julho 2004
» Agosto 2004
» Setembro 2004
» Outubro 2004
» Novembro 2004
» Dezembro 2004
» Janeiro 2005
» Fevereiro 2005
» Março 2005
» Abril 2005
» Maio 2005
» Junho 2005
» Julho 2005
» Agosto 2005
» Setembro 2005
» Outubro 2005
» Novembro 2005
» Dezembro 2005
» Janeiro 2006
» Fevereiro 2006
» Março 2006
» Abril 2006
» Maio 2006
» Junho 2006
» Julho 2006
» Agosto 2006
» Setembro 2006
» Outubro 2006
» Novembro 2006
» Dezembro 2006
» Janeiro 2007

Livros

TV do futebol

» Felisbela Lopes e Sara pereira (orgs) A TV do Futebol; Porto: Campo das Letras

» Televisão e cidadania. Contributos para o debate sobre o serviço público. Manuel Pinto (coord.), Helena Sousa, Joaquim Fidalgo, Helena Gonçalves, Felisbela Lopes, Helena Pires, Luis António Santos. 2ª edição, aumentada, Maio de 2005. Colecção Comunicação e Sociedade. Campo das Letras Editores.

» Weblogs - Diário de Bordo. António Granado, Elisabete Barbosa. Porto Editora. Colecção: Comunicação. Última Edição: Fevereiro de 2004.

» Em nome do leitor. As colunas do provedor do "Público". Joaquim Fidalgo. Coimbra: Ed. Minerva. 2004

» Outras publicações do CECS

Eventos

» Conferência: A Nova Entidade Reguladora no quadro das políticas de Comunicação em Portugal (2006)

» I Congresso Internacional sobre Comunicação e Lusofonia (2005)

» Jornadas ?Dez Anos de Jornalismo Digital em Portugal: Estado da Arte e Cenários Futuros? (2005)

» Todos os eventos







Subscribe with Bloglines


Technorati Profile Powered by Blogger and Blogger Templates