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Sentença inédita em Espanha A “Audiência Nacional”, numa medida sem precedentes, condenou a TVE – Televisão Espanhola por ter violado os direitos fundamentais da greve e da liberdade sindical. Esta situação surgiu na sequência da denúncia do sindicato Comisiones Obreras ter denunciado a TVE de manipulação informativa nos “Telediários” do dia 20 de Junho de 2002, dia de greve geral em Espanha. De acordo com a sentença, “não se estabeleceram mecanismos de controlo e critérios objectivos para a distribuição dos tempos, espaços, e conteúdos”. Não sei se o direito à greve e o da liberdade sindical foram violados (é uma perspectiva que pode merecer discussão), mas que a liberdade de informação e o direito à informação não foram respeitados, lá isso não parece deixar dúvidas. Foi talvez por isso que esta sentença deixou em estado de sítio a TVE e sobretudo o director de informação Alberto Urdaci, cuja cabeça é insistentemente pedida pela oposição, que já tinha chamado a atenção para as coberturas da TVE da catástrofe do “Prestige” e da “Guerra do Iraque”. Não é pois de estranhar que a oposição espanhola qualifique a decisão da “Audiência Nacional” de histórica por ser a primeira vez que a estação pública é acusada de “censura e manipulação da informativa”. O facto que esteve na base da intervenção do sindicato CC OO foi o “Telediário 2”, apresentado e dirigido por Urdaci, no qual foi divulgada uma sondagem, da qual apenas foram apresentados os resultados que favoreciam ou reforçavam a posição governamental relativamente à greve, pretendendo, pretensamente, desmobilizar os potenciais grevistas. Apesar da total ausência de referências à sentença na TVE, os próprios funcionários da casa relatam situações e casos concretos da falta de objectividade nos telediários. As reacções na imprensa são também violentas e incisivas. O “El País” intitulou o seu editorial de 26/07/2003 “Al servício del Gobierno”, enquanto que no desenvolvimento do respectivo texto refere que “a TVE actuou em plena sintonia com as consignas governamentais que pretenderam tornar invisíveis os grevistas” e que “a TVE foi apanhada em flagrante violação não só das mais elementares regras jornalísticas, mas também das suas obrigações legais como serviço público”. Por outro lado, o “El Mundo” do mesmo dia, em editorial, é muito contundente ao afirmar que “na TVE não se nomeia os altos cargos pela sua capacidade profissional, mas pela sua cedência à submissão”. O "El País" tem acompanhado de muito perto este facto e o "Público" já o referenciou.


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