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3. Uma perspectiva ecológica Em articulação com o ponto anterior, parece relevante colocar a educação para os media num horizonte a que poderíamos chamar ecológico. O conceito de “ecologia dos media” foi proposto por Marshall McLuhan e remete para a ideia de que, no seu conjunto, os media configuram um “ecossistema” informativo, cujas instituições, fluxos e performances marcam de forma indelével a contemporaneidade, como dimensão estruturante e estruturada da vida social e cultural. Autores como Neil Postman e Joshua Meyrowitz e, no quadro cultural europeu, Regis Debray e Daniel Bougnoux têm porsseguido esta linha de indagação. Para Debray a Mediologia situa-se no campo das correlações entre as actividades simbólicas de um grupo humano, as suas formas de organização política e as suas técnicas de memória (Debray, 1994), enquanto que para Monique Sicard (1998: 84), um dos membros mais activos do grupo de Debray a mediologia será “uma meia-irmã da ecologia”. Apesar de um acentuado “mediocentrismo” e determinismo tecnológico que transparecem em vários destes autores, nomeadamente norte-americanos, e da reduzida atenção que dedicam à dimensão económico-política dos media, o que nos importa sublinhar, neste contexto, é a ideia, que já tive ocasião de apresentar noutra ocasião (Pinto, 2003) de que os media na sociedade podem ser abordados enquanto um meio-ambiente com as suas lógicas específicas, a sua evolução tecnológica, a sua filosofia da tecnologia, a sua gramática e retórica, a sua influência na configuração da vida social. Enfim, os media enquanto plataforma e ambiente “no qual o conteúdo e o contexto convergem para produzir a mudança social e cultural” . Não existe necessariamente, do meu ponto de vista, uma contradição entre esta perspectiva ecológica, que presta atenção às marcas e lógicas dos media no meio-ambiente e a recusa de uma abordagem mediocêntrica, que tenho vindo a defender. É que este ambientalismo não se traduz numa perspectiva tomada como puro reflexo da acção dos media, mas como expressão e resultado de processos sociais e políticos em contextos culturais concretos. Por esta razão, também não se reduz à lógica subjacente à teoria da enculturação (“cultivation theory”), que George Gerbner e a sua equipa propuseram desde os anos 60, e que veio a redundar, nos finais dos anos 90, na criação de um “cultural environment movement”, preocupado com uma assim chamada “ecologia das mentes” , em nome do direito dos cidadãos, e sobretudo das crianças, a crescer num ambiente cultural mais diversificado, equitativo, justo e são. A perspectiva ambientalista que defendo valoriza o apelo à cidadania no sentido de não se aquietar à lógica dos media, que está contida nas propostas de Gerbner, mas demarca-se de uma visão do ambiente cultural em que os media surgem como únicos actores e em que os grupos e as diversas formas de acção social não são mais do que reflexo da acção dos grandes media.


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