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Faz agora 125 anos que um português, Adriano de Paiva, propôs, num artigo científico, o processo que viria a dar origem, décadas mais tarde, à televisão. E muitos portugueses continuam, em boa medida, a ignorar um facto e um contributo que os historiadores da televisão hoje amplamente reconhecem. De facto considera-se que foi pelo fim do primeiro trimestre de 1878 que o lente de Física da Academia Politécnica do Porto Adriano de Paiva apresentou, num artigo da revista conimbricense "O Instituto", o projecto - elaborada no ano anterior - de um sistema de televisão baseado nas propriedades óptico-eléctricas do selénio. Demorou ainda seis anos para que Paul Nipkow registasse a patente do seu disco que permitiu, já nos primeiros anos do século XX, construir um receptor dotado de um tubo de raios catódicos. No site "2500 Years of Communications History", continua a referir-se que "In Ireland, Denis Redmond builds (possibly in 1879) his 'Electric Telescope' transmitting an image electrically. Argueably the first 'television' system". Acontece que o Prof. André Lange, da Universidade de Bruxelas, e autor de um um projecto na Internet sobre a história do meio televisivo, conseguiu encontrar num alfarrabista do Porto uma cópia do volume da revista "O Instituto" onde figura o referido artigo que tem por título "A telefonia, a telegraphia e a telescopia". Contactou o responsável desse site e a correcção foi, entretanto, feita. Sobre o artigo de Adriano Paiva, sobre cuja publicação se completam agora 125 anos, deve dizer-se que se distingue pela clareza, pela relevância e pelo seu carácter visionário. Começa por traçar um quadro histórico das técnicas e processos de comunicação, observando, designadamente: "Quando meditamos um pouco sobre o modo por que é estabelecida a comunicação do homem com a natureza que o cerca, dois dentre os orgãos dos sentidos parecem revelarem-nos desde logo uma importância superior. São o olho e o ouvido; - os dois orgãos cujas funções originaram dois dos mais momentosos ramos da física, a óptica e a acústica. E sendo estes orgãos essencialmente destinados para a observação à distância, nada deve surpreender-nos que logo que deles começou a servir-se, o homem se esforçasse por artificialmente lhes aumentar o alcance. Daqui na sua forma mais rudimentar, a primeira telescopia, e também a primeira telefonia, ou, antes, um ramo particular dela a que poderíamos chamar telacustica (de - ouvir ao longe)". Mais especificamente sobre o que viria a ser a televisão, escreve ele: "Desde que as considerações precedentes se desenharam claras ao nosso espírito, logo nos quis parecer que uma nova descoberta científica se anunciava para breve; seria a aplicação da electricidade à telescopia, ou a criação da telescopia eléctrica. Não se nos antolhava impossível a sua realização. Do mesmo modo que no telefone eléctrico o pavilhão do ouvido é, por assim dizer, transportado ao ponto em que o som se produz, e aí, recolhendo as vibrações em uma lâmina consegue transformá-las em correntes eléctricas, que vão recompor o som no aparelho receptor , - o que tudo, senão existissem as resistências interiores, tanto maiores quanto maior a distância a percorrer, deveria efectuar-se sem perda aparente de força viva, - tal se nos afigurava dever ser o mecanismo no telescópio que antevíamos. Uma câmara escura, colocada no ponto que houvesse de ser sujeito às observações, representaria, por assim dizer, a câmara ocular. Sobre uma placa, situada no fundo dessa câmara iria desenhar-se a imagem dos objectos exteriores, com as suas cores respectivas e acidentes particulares de iluminação, afectando assim diversamente as diversas regiões da placa. Tornava-se por tanto apenas necessário descobrir o meio de operar a transformação por nenhuma forma impossível, desta energia, absorvida pela placa, em correntes eléctricas, que em seguida recompuzessem a imagem. A importância da descoberta dum instrumento de tal ordem manifesta-se com demasiada evidência". Depois de explicar as potencialidades do selénio para a transmissão de imagens, observa Adriano de Paiva, num tom com ressonâncias que iremos encontrar pelo menos até McLuhan: "Muito desejáramos que o selénio, aplicado ao fim que acabamos de indicar, pudesse produzir o desejado efeito, se não nas nossas, em outras mais hábeis mãos. Seria para nós um dia do maior júbilo aquele em que lográssemos ver o telefone eléctrico aperfeiçoado e o telectroscópio funcionando.(...) Com estes dois maravilhosos instrumentos, fixo em um posto do globo, o homem estenderá a todo ele as faculdades visual e auditiva. A ubiquidade deixará de ser uma utopia para tornar-se perfeita realidade". A tradução do texto do artigo encontra-se disponível em francês e em inglês. Alguma informação complementar sobre a figura e o contributo de Adriano de Paiva, um bracarense nascido em Braga em 1847: - Uma nota biográfica ; - O texto do artigo de "O Instituto" encontra-se igualmente no site do centro do Porto da Universidade Católica; - Referências, nem sempre correctas, a Adriano de Paiva em Chronomedia; Media History Project Time Line; - Referências bibliográficas: PAIVA, Adriano (1907) - Dr. Adriano de Paiva de Faria Leite Brandão, Conde de Campo-Bello. Annaes Scientificos da Academia Polytechnica do Porto. II (3): 129-130. Biografias. História da Física. VARELLA, Manuel. Portugal nas origens históricas da televisão. Noticia sobre Adriano de Paiva, autor dos primeiros ensaios escritos da transmissão de imagens à distancia em 1877. Lisbon: Casa do Pessoal da Radiotelevisão Portuguesa, 1981. 41 pp.


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