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Resposta de Eduardo Cintra Torres


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Relativamente ao meu comentário sobre a coluna de Eduardo Cintra Torres, no domingo passado, no Público, o autor enviou o texto seguinte: "O meu texto, que continuará no próximo domingo, pretende ser, em primeiro lugar, um «inventário», como lhe chamou Manuel Pinto. Essa sistematização implica alguma redundância a respeito de temas abordados consistentemente no espaço público. Acontece sempre com as sistematizações, sejam jornalísticas, académicas ou outras. Compreendo que para pessoas informadas não haja novidade em incluir a central de comunicação do actual governo numa sistematização das técnicas da nova propaganda política. Mas para os leitores do Público e a opinião pública em geral certamente fará sentido. E eu escrevo para um público amplo, não apenas para jornalistas e académicos. A questão da central é... central no tema do artigo, por isso a coloquei em primeiro lugar. O tema tem sido bastante abordado. Poderia ter desenvolvido, mas preferi concentrar-me em áreas da nova propaganda menos ou nada abordadas noutras notícias ou comentários. Acho incompreensível que a minha referência seja considerada uma «bojarda» quando o mesmo epíteto não foi aplicado neste blogue às notícias sobre a central do governo que saíram desde há meses em vários órgãos de informação, quer em notícias não desmentidas e em comentários (quer o de Barreto, que citei, quer por exemplo, na véspera, o de José António Lima, no Sol, ou até, na segunda-feira, o editorial do Jornal de Notícias). «Bojarda»? Gostava de perceber. O meu texto tem novidades, pelo que não entendo o tom da crítica por falta das mesmas: por exemplo, apesar de a notícias da demissão de Nuno Simas ter sido dada em inúmeros órgãos de informação, fui o primeiro e único a citar a sua carta de demissão, onde ele refere (ele, não eu) concretamente a questão da agenda como instrumental na sua decisão; é também nova a estatística que realizei (várias horas de trabalho) com as personalidades mais presentes nos noticiários. Trata-se de dados jornalísticos e de serviço público de informação. Sobre a presença de governantes na informação, o primeiro parágrafo do meu artigo exprime a opinião, já expressa noutras ocasiões: precisamos de informação governamental, claro. Sou o primeiro a dizê-lo. Mas o meu artigo é sobre técnicas de propaganda. A situação na Lusa quanto ao tema em apreço é grave para a independência da informação e lamento que o meu alerta - o primeiro de um comentador e com dados novos jornalísticos - seja desconsiderado. A situação na Lusa e na RTP tem de ser permanentemente acompanhada no espaço público. Considero que as técnicas de propaganda se exercem de forma muito acentuada nestes dois órgãos. Espero que este blogue, tão dedicado à liberdade de informação, acompanhe também com grande atenção o que se passa na LUSA e na RTP, nos respectivos serviços e por trás dos mesmos. É certo que por vezes se trabalha por «sinais». Eu faço-o, julgo que todos os jornalistas que investigam começam por fazê-lo. Neste artigo aviso os leitores das dificuldades de obter dados nesta matéria, pois qual é o jornalista que reconhece fazer fretes, qual é o governante que reconhece fazer pressões ilegítimas? Nenhum. E não o fazem por escrito nem em locais públicos. Mas, por ter de se partir, por vezes, de «sinais», até se chegar a factos não me parece justo diminuir-se em comentários esta investigação difícil de fazer. Espero que a referência a uma descredibilizadora ausência de factos em textos sobre esta matéria não seja aos meus artigos. Porque eu tenho apresentado factos. Os meus artigos representam muito trabalho de investigação e tratamento de informação. Seria mais fácil para mim escrever sempre sobre telenovelas e documentários. Mas nunca gostei de assobiar para o lado". Eduardo Cintra Torres


1 resposta(s) para “Resposta de Eduardo Cintra Torres”

  1. Anonymous Manuel Tavares 

    O senhor Cintra Torres decidiu-se agora proclamar por A mais B que o actual Governo manipula a Comunica??o Social - e eu, que admiro muito os jornalistas que opinam e nada os jornaleiros que supoem ou suspeitam ou imaginam, venho pedir-lhe tr?s favores:
    - o nome do governante que no passado domuingo determinou ao Jornal da Tarde da RTP 1 que entre as 13 e as 13,15 "vomitasse" apenas bola para cima do telespectador?
    - o nome da esp?cie similar que, quase diariamente, leva r?dios e televis?es a promoverem a candidatura presidencial do senhor Lu?s Filipe Vieira?
    - o nome de igual ou similar esp?cie que, mormente atrav?s da RTP, impinge bole e mais bola ao cidad?o?
    Fico agradecido, tamb?m, caso apare?a "algu?m com tomates" - como se diz na minha terra - a "chamar os bois pelos nomes", ou seja, a apontar quem, quando, como, onde e a prop?sito anda a manipular a inoc?ncia de algum jornalismo que anda para a? armado em v?tima de press?es ...

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