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Olhando o Sol


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O que ainda não vi no Sol foi "aquele modelo de pubicação muito diferente dos que conhecíamos", de que nos fala, em "confissões", o director. Menos ainda "um jornal como nunca se viu". Está bem que este último slogan era propaganda de lançamento. Mas quando "a bota não bate com a perdigota" a sensação de desencanto começa a espreitar. O contentamento de haver um novo semanário não está posto em causa. Ao olhar, porém, para as edições surgidas desde o nascer do Sol, nada de muito especial tenho a referir que não seja o próprio nascimento. Aguardemos mais um pouco.


1 resposta(s) para “Olhando o Sol”

  1. Anonymous Anónimo 

    A ?ltima noite sem Sol

    Hoje ? uma longa noite de vig?lia. Amanh?, quando voltarmos a despertar, j? haver? dois s?is no horizonte. Um traz a Vida, o outro, a Farsa.
    N?s atravessamos um tempo de trevas, e, por detr?s do seu aleg?rico ox?moro, este "Sol" nada mais trar? do que mais noite.
    Nada, nele, ou em tudo o que o envolve, ? novidade ou surpresa. No final do passado 2005, num mesmo dia de dor, espanto e sobressalto, tamb?m compreendemos, que, subitamente, num momento cr?tico de viragem, Portugal tinha decidido enrolar-se, como um feto, em redor do seu pr?prio umbigo: aquela miraculosa gera??o interm?dia, dos 30, 40 e 50 anos, que deveria ter-se ent?o manifestado, na cria??o da figura de um Presidente da Rep?blica para um Novo Mil?nio, pura e simplesmente, n?o existia, ou tinha sido estrangulada. Em troca da renova??o, apresentavam-nos um prato reputado intrag?vel, Cavaco Silva, e o resto da hist?ria j? voc?s conhecem: o anci?o Soares que se presta a fazer-lhe frente, o ressentido Alegre que aparece, para fazer frente ? frente da frente, e dois candidatos laterais, que ali foram, medir for?as, e acertar d?cimas, nas contagens de eleitorado.
    Nunca o disse, e vou diz?-lo aqui: Cavaco, Soares e Alegre n?o passavam de tr?s cangalhos, obsoletos, e representantes de um Passado que a minha gera??o, entre outras, tinha tacitamente considerado como fazendo parte da Hist?ria, n?o de qualquer futuro.
    N?s, jovens de Portugal, fomos escandalosamente burlados, por uma fatia geracional, respons?vel por muito do atraso e dos abusos que diariamente presenciamos, e que, afrontosamente, mostrava, preto no branco, que n?o estava disposta a abandonar os postos de vigia e conserva??o do Estado de Coisas: o Sistema "renovava-se", voltando, descaradamente, a chamar ao palco os velhos actores empalhados.
    A Intoxica??o Social, que grave, e quotidianamente, detectamos estar ao servi?o desse mesmo miser?vel Poder Pol?tico, tamb?m necessitava agora da sua "renova??o". E tamb?m a vai ter: chama-se "Sol" e ? a Sombra Enorme da mir?ade de coisas m?rbidas que, durante d?cadas, enformaram esta coisa a que nos confin?mos: a estrangulada Cauda da Europa.
    O "Sol" nada traz de inovador. Se quiserem uma simples imagem, que possam transmitir aos vossos amigos, ele ? uma farta opera??o de cosm?tica, que, atrav?s do colorido de l?pis de cor virtuais, tenta apresentar, como uma banda desenhada renovada, a intrag?vel hist?ria parda a que nos reduziram o nosso dia-a-dia nacional.
    H? outra coisa que ? fundamental que aqui se diga: o Arquitecto Saraiva ? um med?ocre; mais, ele ? o med?ocre t?pico portugu?s, o manga-de-alpaca das meias ideias, das palavras fracotas e das iniciativas de curto alcance. ? capaz de tudo, e est?, novamente, numa posi??o para ser regiamente pago para poder ser, em plena luz do dia, capaz de tudo.
    O Sonho Portugu?s sempre passou por castrar os seus melhores talentos, e entregar os lugares de topo a indiv?duo dos quais a Hist?ria n?o reter?... nada. Como corol?rio, a pir?mide do med?ocre ? um lugar volum?trico, cujo v?rtice ? o Med?ocre, por antonom?sia, e que se vai alargando, na direc??o da base, mediante o acrescentar de med?ocres ainda mais med?ocres, ou de indiv?duos cuja desfa?atez e falta de verticalidade permitem servir sob as ordens de algu?m que sabem ser profunda, e irremediavelmente... med?ocre.
    N?s, cidad?os que vivemos outros mundos e outros horizontes, contamos com mais um inimigo no nosso campo. J? deslig?vamos os notici?rios, pelos insuport?veis e manipulados vinte minutos de v?mito futebol?stico, que, simultaneamente, tentavam apresentar, como empolgante, uma vertente pretensamente desportiva, que toda a gente sabe ser um dos rostos da Actividade Criminosa, em Portugal. Comam-na durante meia hora, mastrubem-se com os "?dolos" por ela criados, esque?am-se de que, l? para o fim, ou em bandas rotativas de rodap?, est?o a desfilar, vertiginosamente, as not?cias que vos v?o amolgar profundamente o Quotidiano, o Futuro, e, mesmo, a vis?o de sonhos passados. Esque?am os jornais: h? quem tenha poderes -- sempre os mesmos -- para comprar capas e cadernos inteiros de revistas, reportagens forjadas, branqueamento de personagens e processos, douramento de p?lulas inexistentes, venenosas e omnipresentes.
    No seu arrancar, a Blogosfera Portuguesa dever?, um dia, ter sonhado com tornar-se o nosso pequeno contributo para a mar? informativa do cidad?o comum da Aldeia Global: troca imediata de informa??es, coment?rios l?cidos, trabalho gratuito, para oferecer a amigos e leitores desconhecidos, um pouco do nosso melhor talento. O que seria o "Braganza Mothers", se pudesse ter, por detr?s, todos os dinheiros turvos da Opus Dei...
    Felizmente n?o os temos, e, felizmente, ainda estamos a conseguir escapar a outra mar? ainda mais preocupante, a desta roda livre de palavras e murm?rios se estar toda a alinhar, e a importar, para o seu lugar de "graffiti" virtual, a massa inteira dos v?cios de forma e rela??o da nossa Realidade Enferma.
    Como conclus?o, hoje, curiosamente, Benedito XVI, pessoa sobre a qual todos sabem o que penso, ter? citado -- contaram-me -- a figura de algu?m que faz parte dos meus her?is, Constantino XI, Pale?logo, o derradeiro lutador pela independ?ncia das muralhas de Constantinopla contra os avan?os do Infiel Turco. Dever? ter sido a ?nica vez em que Ratzinger e eu teremos abordado o mesmo tema da mesma forma, o que n?o deixou de me surpreender. Com a morte de Jo?o VIII, Pale?logo, o ?ltimo Constantino ter-se-? ajoelhado, numa c?lebre pedra de Mistras, e recebido, no Despotado da Acaia, a heran?a imperial, com a qual se apresentou, duas semanas depois, em 13 de Novembro de 1448, ?s portas de Constantinopla. O seu reinado foi curto, e durou, como se sabe, at? ? c?lebre noite de 30 de Maio de 1453. Com a Queda da Cidade, quase deserta e empobrecida, celebravam-se as ex?quias de mais de dois mil?nios de Luz e Civiliza??o Romanas.
    Esta noite, a ?ltima noite sem "Sol", ? como essa Noite de Mistras. Em conjunto, mais uma vez, vamos ter de partir, para a defesa das ?ltimas muralhas da Luz, e ? para essa terr?vel viagem, como para tantas outras, eventualmente menores, e passadas, que, mais uma vez, vos convido.
    Apenas vos menti numa coisa: esta ? a ?ltima noite, mas j? ? uma noite com "Sol". Ele est? aqui. Pedir-vos que resistissem a visit?-lo era um pedido equivalente ao de Eva, feito pelo Criador. Eu sei que s?o humanos, e transgredir?o, porque eu tamb?m sou, e tamb?m j? l? fui.
    Coragem.

    (Nota, o Basileus citado por Ratzinger ? Manuel II, Pale?logo. A incorrec??o em nada subverte o sentido do texto)

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