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Jornalismo de causas. É ou não é? E porque razão não haveria de ser? É claro que o caminho que a Dora aponta é o ideal..mas por esse lado ninguém poderia aderir a causas. Bater-se por uma causa, mesmo perdida, é um exercício de carácter e de cidadania. Penso, ao contrário de JPP, que em Portugal falta «jornalismo de causas» e sobra do outro jornalismo: de futilidades, de faits-divers, de personagenszinhas...de nutícias, de caras&coiros e de vips...etc.etc... Nas redacções de direita tb. há causas à sombra dos factos, mas são as dos poderosos (políticos e económicos). Quanto à falta de noções básicas de história e filosofia penso que não são as causas as culpadas, mas a preguiça e o deslumbramento de muitos que andam por aí. E mais: penso não ser preciso ler todos os manuais de história e filosofia para se ter capacidade para discernir...Logo JPP não tem razão na sua louvada e incensada erudição. Trata-se, efectivamente, de um erudito, mas nunca de um sábio, pois o que lhe sobra em saberes falta-lhe em sabores. E não há sábios sem sabores e alguns saberes. Os saberes têm a ver com a razão e os sabores com o coração. E só o coração é que pode transformar o mundo e bater-se por causas...e essa é também uma tarefa do jornalismo na sua mais nobre dimensão social. Assim, onde há causas pode haver jornalismo e há jornalismo desde que o jornalista não perca a noção das coisas: não deixe de ver, de ouvir, de escutar, de observar, de medir, de julgar, de escolher... de ajuizar... e as causas não impedem isso: exigem-no. Depois junta-se um pouco de indignação ( ou o jornalista não tem esse direito?) que é a única forma decente de o jornalista não pactuar com a ignomínia, como foi por exemplo a invasão da Cisjordânia por Israel.Ou alguém tem dúvidas da desproporção entre o crime de uns e a pena aplicada por outros? Porque será que não querem lá a ONU a investigar? Têm medo dos factos? Sabemos que as verdadeiras causas só o são quando se baseiam rigorosamente nos factos - quer isto agrade ou não a JPP. E os factos de JPP nem sempre são tão límpidos como quer fazer crer.


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