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O Comércio do Porto tem a partir de hoje uma nova direcção e chefia de redacção, depois dos três jornalistas que ocupavam esses cargos - António Soares (director-interino), Paulo Ferreira e Carlos Pereira Santos (chefes de redacção) - terem sido convidados pela administração a sair. Carlos Pereira Santos rescindiu o contrato na terça-feira e ontem foi a vez dos restantes anunciarem a sua saída do jornal onde trabalham há cerca de três anos. Hoje, que trabalho pela primeira vez sem os colegas que me ensinaram a abraçar o jornalismo com paixão e persistência, mesmo em todos os (inúmeros) momentos de adversidade por que passámos, é um dia de indizível pesar. A violência e a brusquidão com que o processo foi conduzido pela administração - o jornal é, desde Novembro, propriedade do grupo espanhol Prensa Ibérica - não encontram sustentação no trabalho dos três jornalistas, em cuja liderança assentaram as reformas feitas nos últimos tempos, nomeadamente a mudança interna ao nível de editorias e secções e a reformulação gráfica. Aos jornalistas da redacção foi sumariamente explicado pela administração que a mudança se deveu a "desencontros" entre o projecto desejado para o jornal e a condução desse intuito pelos três jornalistas destituídos. Desde hoje, pontificam na direcção a jornalista Fátima Dias Iken, como directora-interina, e Virgínia Capôto e Carlos Pontes como chefes de redacção. Cheguei a este jornal recém-saída do estágio, ainda estudante de Comunicação Social. Os colegas que agora saem foram muito mais do que companheiros de trabalho. Todos nós, jornalistas, sabemos como a tarimba mais deliciosa se faz de oportunos amparos, de pequenas atenções, de estórias contadas em intervalos de café, de intempéries passadas em cuplicidades, de trabalho de equipa, de abnegações partilhadas, de vitórias gozadas em uníssono e, porque não, de amizades que nascem nesses entretantos. Tive a sorte de, com eles e outros, ter vivido tudo isso neste jornalismo de combate que fizemos todos juntos, num jornal sempre na corda bamba da sobrevivência. Já sabia que este mundo é traiçoeiro, que se traçam e destraçam destinos de forma imprevisível, que ninguém é indispensável, que o ofício é nómada por natureza, que o capital tem razões que a razão desconhece. Não podia supor que fosse tão cruel e tão ingrato assim. Nestes últimos dois dias, tive uma lição de vida que irá seguramente marcar a maneira - ainda algo optimista e missionária - com que encaro a minha profissão. Aos meus colegas que partem, António, Carlos e Paulo (meu colega de mestrado também) desejo a sorte que merecem. Pode ser que agora - já que não tem que trabalhar 14 horas por dia, com folgas de 15 em 15 dias - o Paulo Ferreira se possa dedicar mais a este nosso weblog...


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