Weblogue colectivo do projecto Mediascópio - CECS / Universidade do Minho | RSS: ATOM 0.3 |



"Por que é que não há um verdadeiro jornalismo multimédia em Portugal?" Porque é que as edições 'online' são "pouco mais do que notícias de última hora ilustradas com fotos de arquivo"?. Estas são perguntas que, esta noite, João Paulo Meneses vai fazer a José Vítor Malheiros, editor do Público online, a Filipe Rodrigues da Silva, director do Diário Digital, e Hélder Bastos, docente na Universidade do Porto. É no programa Clube de Jornalistas, da Dois, depois das 23.30. O ex-editor do Expresso online, Luis Carvalho, o director-adjunto do (vindouro) Sol, Mário Ramires, e o editor da SIC Multimédia, Ricardo Rosa terão depoimentos emitidos durante o programa.

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Já é possível publicar vídeos gratuitamente na Web via telemóvel. A novidade é do site YouTube, que já possibilitava a publicação de arquivos de imagens por meio do computador e agora permite que o upload seja feito pelo próprio telefone móvel do usuário. Para isso basta fazer um cadastro. Os vídeos ficam armazenados e podem ser republicados em blogues e demais sites. O YouTube possui hoje 12 milhões de pessoas cadastradas.

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Victoria Rideout; Elizabeth Hame (Maio, 2006) The Media Family: Electronic Media in the Lives of Infants, Toddlers, Preschoolers and their Parents. Kaiser Family Foundation (anexos: aqui) RESUMO: "Electronic media is a central focus of many very young children's lives, used by parents to help manage busy schedules, keep the peace, and facilitate family routines such as eating, relaxing, and falling asleep, according to a new national study by the Kaiser Family Foundation. Many parents also express satisfaction with the educational benefits of TV and how it can teach positive behaviors. The report, The Media Family: Electronic Media in the Lives of Infants, Toddlers, Preschoolers, and Their Parents, is based on a national survey of 1,051 parents with children age six months to six years old and a series of focus groups across the country".

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Ouviram os "Sinais" de Fernando Alves de hoje? Muitos dias vale a pena; hoje é um deles. Se não apanharam, ainda vão ter o podcast no site da TSF.

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Para os que estudam ciências da comunicação e, em particular jornalismo, é um nome de referência. Morreu enquanto dormia, na noite de segunda-feira para ontem, com a idade de 72 anos, em Rhode Island (EUA). Na minha formação, houve três dimensões da obra de Carey que me marcaram: a dimensão narrativa do jornalismo e dos media; a concepção da comunicação como ritual e como interacção; e o papel do telégrafo na emergência de novas formas culturais, em particular no terreno jornalístico, a partir de meados do séc. XIX. Em certa medida, ele que foi um "crente", digamos assim, no papel fulcral do jornalismo na sociedade, pode ser considerado igualmente um inspirador de algumas das novíssimas correntes que enfatizam o papel dos cidadãos no jornalismo. Um seu colega da Columbia Journalism School, Nick Lemann, escreveu sobre esta figura mundialmente conhecida, mal soube da notícia da sua morte: "There is so much to say about Jim that I can't do anything but scratch the surface now. (...)He was a magical teacher. As is not universal in the upper-academic realm where Jim dwelt professionally, he loved journalists, and believed that universities have something important to teach us. (Jim's last major accomplishment at the school was writing the syllabus for an ambitious new full-year course, which he never got to teach, called 'A History of Journalism for Journalists') . He is primarily responsible for our being just about the only journalism school where professional scholars and professional journalists live in true harmony, friendship, mutual respect, and collaboration - that's a rare and precious gift". Informação complementar:

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Embora sem a atenção e a disponibilidade que desejaria, tenho acompanhado o debate em curso sobre o jornalismo, na sequência da publicação do livro de Manuel Maria Carrilho. Não estou seguro que, dos factos, pseudo-factos e argumentos invocados, possamos concluir que o diagnóstico está feito. Longe disso. Por outro lado, não se deve esquecer que o "campo jornalístico" (e a compreensão da sua complexidade) não pode, hoje, ser confinado às redacções e aos jornalistas. [Um sintoma disso mesmo é aquela notícia do Expresso do último fim de semana, segundo a qual mais de 70 por cento das matérias de primeira página dos principais media impressos reflectem não a agenda dos jornalistas mas a agenda das agências de comunicação, ou seja, o interesse e poder de agendamento das fontes organizadas. Nada de particularmente novo, mas que, lido assim em letra de forma, deveria suscitar um abanão]. A minha pergunta, neste contexto, é esta: não será chegado o tempo da iniciativa? Entidades e instituições como as associações profissionais e sindical de jornalistas, o Conselho Deontológico do Sindicato, a Entidade Reguladora, a Confederação de Meios e as instituições de formação de jornalistas, entre outras, têm, cada uma de per si, algo a fazer. Mas a percepção da complexidade do puzzle não exigiria que pensassem em algo todas juntas?

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"Estará ou não o mau jornalismo a ganhar ao bom jornalismo?" Esta é uma das questões em debate no Clube de Jornalistas, que a Dois transmitirá amanhã. São convidados os provedores dos leitores do Público e do DN, Rui Araújo e José Carlos Abrantes, respectivamente, e Felisbela Lopes, docente da Universidade do Minho.

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José Vítor Malheiros:

«...mesmo que as mais sérias acusações de Carrilho se revelem infundadas, há algo que não se pode varrer para debaixo do tapete e de que o livro do deputado socialista mostra alguns exemplos: o respeito pelos factos, a equidade de tratamento, a necessidade de confirmar dados e a separação de opinião e informação estão a afastar-se perigosamente da prática jornalística geral, em prol de abordagens definidas por razões comerciais ou imperscrutáveis, que não respeitam a deontologia jornalística. Esse é o problema.»

José Manuel Fernandes:

«... numa sociedade pluralista, com uma imprensa plural, esta pode cometer muitos erros, exorbitar e ser arrogante e isso até pode ser prejudicial ao funcionamento da democracia. Contudo, não é a imprensa que decide o voto dos cidadãos. O mundo está cheio de políticos que ganharam contra uma imprensa hostil e de políticos que, mesmo "levados ao colo" por muitos jornalistas, foram derrotados nas urnas. O povo, os leitores, os telespectadores, são muito menos estúpidos do que se pensa.»

in Público, 23 de Maio.2006

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Sinal dos tempos é esta notícia que vem hoje no site da "Meios e Publicidade": "Metro é o jornal oficial do Mundial 2006", depois de um acordo assinado ontem pela Metro Internacional .

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"A má moeda afasta a boa, lembro-me de ter lido quando estudava em Coimbra. As más notícias também em regra afastam as boas. Mas o excesso por vezes tem efeito anestesiante e notícias que nos deviam preocupar passam e rapidamente são esquecidas, como se afinal não fossem mais do que uma sucessão de faits-divers". José Miguel Júdice, in Público, 19.5.2006

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Francisco Rubiales escreveu há dois dias, no blogue "Voto en blanco" sobre o fenómeno da blogosfera. "Recorto" apenas um excerto:

«El extraordinario auge de los blogs sólo puede explicarse porque, cansados de ser manipulados y de recibir información trucada que no responde a sus propios intereses sino a los de gobiernos, partidos, instituciones, empresas y quizás también mafias y lobbys, los ciudadanos han decidido convertirse en periodistas y crear nuevos medios más fiables, el principal de los cuales es el blog.»

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"Falar de Blogues no Jornalismo" é o tema da sessão de hoje, da série organizada por José Carlos Abrantes e pela Livraria Almedina, no Átrium Saldanha, em Lisboa, a partir das 19 horas. Junta à conversa com os presentes Paulo Querido (Mas certamente que sim!), António José Silva (Sopa de Pedra e Blinkar) e Luís Santos (Jornalismo e Comunicação e Atrium) numa discussão aberta ao público interessado. Contava também participar, mas um compromisso não delegável e, até há uns dias, imprevisível impede-me. Com pena.

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Avizinha-se um período literalmente quente para os media portugueses, sobretudo se se mantiverem as péssimas previsões relativamente aos incêndios. Antecipando um problema que não tardará a "inflamar" os media, a TSF propôs hoje à reflexão no Fórum da manhã [que não pude ouvir até ao fim!] uma discussão sobre a mediatização/espectacularização dos incêndios. O ponto de partida foi um comentário de António Peres Metelo, para quem as televisões deveriam ser mais contidas na trasmissão em directo dos cenários de incêndio. Sem querer avançar conclusões, penso que merecem nota pelo menos duas das questões levantadas/sugeridas pelos intervenientes.

  • Haverá, de facto, alguma ligação efectiva e comprovável entre a exibição de cenas de incêndio e a motivação para atear fogo? Ou seja, a espectacularização dos incêndios é causa de alguns dos crimes cometidos nesta área?
  • Que espécie de auto-regulação podem ou devem os jornalistas promover para acautelar perversões do dever de informar?

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O jornalista Carlos Castilho, do blogue Código Aberto, analisou durante uma semana o Google News em português e comparou o sistema automático de busca de notícias com alguns sites noticiosos produzidos por jornalistas. O estudo foi feito em âmbito brasileiro, no entanto o Google News também engloba as notícias publicadas em veículos portugueses e a pesquisa serve para entendermos melhor o funcionamento e as consequências da ferramenta eletrónica. Castilho chegou à seguinte conclusão: "A oniprença de boletins informativos e noticiário em tempo real pela Web, rádio e até em anúncios publicitários está massificando a informação primária ou factual. O preço da noticia no mercado da imprensa caiu muito depois que a internet facilitou a cópia de material produzido por grandes jornais. Esta é uma das razões que explicam a decadência das agências de notícias. Em compensação, a notícia contextualizada está valendo cada vez mais, fato que indica uma tendência que pode ser a salvação de muitos jornais." Vale a pena uma visita ao blogue para ler o post sobre a análise.

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O Público realizou ontem, pela primeira vez, uma experiência junto dos seus leitores online, no sentido de debater a eventual publicação de uma fotografia considerada chocante. Por considerar que se trata de uma questão que vale a pena ser explorada, atrevo-me a reproduzir aqui o conteúdo de uma nota publicada hoje pelo jornal, e que está disponível apenas para subscritores: "Durante a tarde de ontem, as redacções dos jornais receberam dezenas de fotos muito chocantes do desastre da Nigéria. O PÚBLICO escolheu uma imagem menos chocante e colocou à discussão dos leitores no seu site se ela poderia ser uma opção para a primeira página do jornal de hoje. Um exercício que tinha o objectivo de discutir no espaço público o tipo de decisões que os media tomam todos os dias, quase a toda a hora. A maioria dos que manifestaram a sua opinião defendeu que a foto não deveria ser publicada em primeira página por várias razões: por ser demasiado chocante, por não acrescentar nada à informação, por poder ser vista por qualquer pessoa nas bancas, por explorar de forma sensacionalista um acontecimento trágico. Houve também quem apoiasse a publicação em primeira página e muitos defenderam a sua publicação no interior do jornal. A experiência foi um êxito - recebemos durante as primeiras horas mais de um comentário por minuto, o que mostra o interesse dos nossos leitores na discussão deste tipo de temas. Por isso, vamos repetir no futuro este convite aos leitores. A discussão que ontem teve lugar no nosso site pode ser lida em: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1257011." [Nota: A imagem em questão pode ser acedida através do link indicado.] A fotografia que acabou por ser escolhida para a primeira página do Público é uma imagem das celebrações ocorridas ontem em Fátima, existindo porém uma chamada de capa sobre a explosão no oleoduto (mas sem imagem). Acrescento, aliás, que numa rápida ronda que fiz a 75 capas de jornais europeus disponibilizadas na Internet, apenas um jornal italiano (Il Gazzettino) colocava em primeira página uma fotografia relacionada com este acontecimento, embora nesse caso a imagem seja perfeitamente inócua. Foi interessante ler, ontem à noite, os comentários que foram deixados pelos leitores, e confesso que tinha bastante curiosidade em ver qual a decisão que o Público iria tomar. A publicação de imagens que possam impressionar os leitores está longe de ser consensual, mas o que me parece positivo neste caso é o facto de o jornal ter dado a palavra aos leitores, e ter ouvido o que estes tinham para dizer. Passo a passo, parecem estar a ser encontradas formas de efectivamente tornar a versão digital do jornal mais interactiva. Para já, por exemplo, é possível comentar as notícias de Última Hora. Talvez um dia essa possibilidade seja alargada às notícias que integram o corpo do jornal... Um pouco menos positivo, na minha opinião, é o facto de o Público não apresentar, no texto que reproduzi, qualquer justificação sua para a não publicação da imagem em questão. Certamente deve ter havido algum debate na redacção sobre este assunto e, como leitora, gostava de ter uma ideia dos critérios editoriais que sustentaram a decisão, algo que não é sequer mencionado. Muito embora veja com agrado uma abertura à participação dos leitores em questões desta natureza, julgo que, se o jornal pretende mesmo "discutir no espaço público o tipo de decisões que os media tomam todos os dias", também deve contribuir para esse debate. Isto é, não se limitar a ouvir os leitores (o que, insisto, já é algo muito positivo!), mas também apresentar os seus próprios argumentos. Caso contrário, quase dá a sensação que a decisão pode ter sido tomada apenas com base nas respostas dos leitores... e isso já me parece uma "abertura" demasiado radical.

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O Prof. Xosé López Garcia, da Universidade de Santiago de Compostela e do Conselho da Cultura Galega, faz hoje, na Universidade do Minho, em Braga, uma conferência sobre "Ciberjoralismo e participação dos cidadãos". A iniciativa, do Curso de Mestrado de Ciências da Comunicação, tem início às 15.30, no novo edifício do Instituto de Ciências Sociais, no Campus de Gualtar.

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O diário francês Libération dá sinais de estar a procurar reagir à crise por que passou, em particular nos finais de 2005: lança amanhã o suplemento "Écrans", de 48 páginas, que pretende cobrir os velhos e novos ecrãs: TV, vídeo, internet, jogos... "Écrans" sairá ao sábado e será gratuito ... apenas até Setembro, altura em que jornal e suplemento custarão dois euros. Mas, entretanto, e como se pode depreender da entrevista dada por Serge July, director do jornal, ao Figaro, o Libé irá tomar outras iniciativas editoriais (uma das quais será um caderno sobre debates e ideias, já nas próximas semanas, e, mais lá para diante, um caderno sobre o indíviduo e o íntimo) para reforçar a sua implantação no mercado e fidelizar novos leitores. Apresentando o suplemento a lançar amanhã, Serge July fá-lo nestes termos: "Nous avons imaginé un généraliste traitant des contenus et non des supports. La moitié a une fonction de guide ; nous créons, par exemple, un 'Netoscope', c'est-à-dire le premier programme hebdomadaire du Web. Outre des news, des chroniques, un glossaire, deux grands sujets magazines seront proposés chaque semaine. "

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Realiza-se hoje, às 14.30, na Universidade do Minho, a discussão da tese de mestrado intitulada "Temas e Fontes na Imprensa Regionalda Cidade da Guarda", que resulta de uma investigação feita por Victor Amaral, mestrando do Curso de Mestrado de Ciências da Comunicação (área de investigação em Comunicação, Cidadania e Educação) da UM e docente do Instituto POlitécnico da Guarda. O trabalho estuda as primeiras páginas de quatro semanários editados na Guarda no ano de 2004, procurando analisar as temáticas mais destacadas, o tipo de fontes das notícias e o grau da respectiva identificação. A tese foi orientada por Helena Sousa e será arguida por Rogério Santos, da Universidade Católica.

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Os interessados em submeter uma comunicação a apresentar no 3º Encontro Nacional de Weblogues (que será também o 1º Luso-Galaico), têm até segunda-feira para o fazer. É, de facto, essa a data para a submissão de resumos alargados. O encontro realiza-se em 13 e 14 de Outubro, na Universidade do Porto.

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No quadro das iniciativas do 10º aniversário da edição digital do Wall Street Journal, os editores pediram aos leitores que olhassem para o futuro, aí por 2016, e descrevessem o que entendem dever ser, então, "o sítio noticioso perfeito". Os resultados, em síntese: "Readers want more context and background included in news reporting. They want new ways to receive their news, on next-generation handheld devices, for instance, rather than simply on a Web page. They want fewer ads ? especially the kind that animate or show up in popup windows. It turns out that they also want more-telegenic news reporters." E ainda: "People are awash in news and information. What they really need is highly edited coverage that makes the best use of their time".

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Daniel Okrent, que foi o primeiro provedor do leitor do diário The New York Times, entre Dezembro de 2003 e Maio de 2005, publica na próxima semana um livro - "Public Editor #1" - que recompila textos desse magistério. O cargo de provedor foi criado naquele jornal, na sequência do escândalo Jayson Blair e da demissão do director editorial do diário. Nem de propósito: num texto ontem publicado na revista Slate ("The Public Editor as Duffer The dreadful Byron Calame"), Jack Shafer considera que o sucessor de Okrent tem levado a cabo uma "bloodless performance", ainda que - escreve com algum cinismo - "a bad public editor can do a little good, though he might not get a book out of it".

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De acordo com os dados da Nielsen/NetRatings citados hoje pelo Público, no primeiro trimestre deste ano os sites de jornais diários norte-americanos registaram um aumento de oito por cento de visitas, o que traduz um "máximo histórico". A par deste aumento da procura de notícias na Internet, a circulação dos jornais diários no país, em papel, tem vindo a decrescer com alguma regularidade. "Para já, o dilema mantém-se: por um lado os jornais em papel perdem leitores mas permanecem como principal fonte de receitas; por outro, as suas versões online ganham popularidade mas estão longe de ser rentáveis", acrescenta a notícia do Público.

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rieffelRémy Rieffel, professor catedrático da Universidade de Paris II e conhecido sociólogo dos media, profere amanhã, em Lisboa, uma conferência sobre "A mediatização da política". O evento ocorrerá pelas 18,30, no ISCTE (Auditório B103 - Edifício II). Rieffel, autor de "Sociologia dos Media", recentemente traduzido pela Porto Editora, encontra-se em Portugal no quadro de uma investigação que está em curso no ISCTE sobre "O perfil sociológico do jornalista português", com coordenação do Prof. José Rebelo.

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As mortes de Francisco Adam, Miklas Fehér, João Paulo II, Amália, Álvaro Cunhal e da irmã Lúcia dão o mote ao próximo programa do Clube de Jornalistas que a Dois emitirá amanhã depois das 23h30. Para debater o modo como os media noticiam a morte, vão estar em estúdio Luís Ribeiro, jornalista da Visão, Miguel Gaspar, editor executivo do Diário de Notícias, e Manuel Villas-Boas, presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas e jornalista da TSF. O programa é moderado por Carla Martins. Já noutras ocasiões escrevi sobre o tema. Transcrevo apenas alguns excertos de um desses trabalhos:

«Sofrimento derradeiro, a morte é, nos media, uma experiência velha. O carácter de noticiabilidade do fim da vida acompanhou toda a história do jornalismo, sendo critério de tratamento informativo de acidentes, catástrofes e crimes. No entanto, a experiência que hoje se tem da morte é radicalmente diferente da que se tinha quando a informação era veiculada sobretudo por escrito, em jeito puramente factual e com distanciamento efectivo do momento dos acontecimentos. A precipitação dos media para o centro dos acontecimentos, de que as potencialidades dos novos meios de comunicação foram inteiramente responsáveis, conferiu à morte um novo lugar no imaginário contemporâneo.

Sentir a morte que acontece é algo com que os media nos familiarizaram. Diz Susan Sontag que «captar uma morte que está a ocorrer e embalsamá-la para todo o sempre é algo que apenas uma câmara pode fazer». Fixar o desaparecimento de personalidades publicamente reconhecidas, bem como o apagamento de vidas, sobretudo no contexto de acontecimentos traumáticos, é vocação que os meios jornalísticos têm demonstrado com especial empenho. À cobertura de tragédias e de guerras de grande amplitude junta-se um interesse particular pelo sofrimento e morte de figuras públicas. A exibição do corpo morto e realmente embalsamado de João Paulo II não é de outra natureza. Inúmeras câmaras, fotográficas e televisivas, captaram esse corpo findo, cuja morte foi anunciada numa lenta agonia de que participaram os media de todo o mundo. Mediático na vida e na morte, Karol Wojtyla expirou nos próprios media, numa notícia demorada à espera da multidão que se prestou a orações e a homenagens, mas sobretudo a olhar a morte.»

«Não se esgotando em acontecimentos dramáticos da actualidade, a representação mediática da morte como expoente máximo da dor humana prolonga-se em reportagens sobre cuidados paliativos, sobre a solidão na velhice ou a condição quase indigna dos infectados com doenças condenatórias. Em todas, tem-se sobretudo uma atitude: olha-se a morte dos outros, porque fazê-lo é, no fundo, reconhecer a fatalidade da iminência inescapável da nossa própria morte.»

«Colocar a morte em perspectiva na notícia impõe necessariamente uma teoria dos efeitos da exibição da morte sobre o público. Desempenhando um papel que é também o de ser parte do ambiente do acontecimento, o público não é, no entanto, um agente passivo da emotividade gerada pela informação. São as suas próprias emoções que, tecnologicamente estendidas, fazem da morte um dos pontos de focagem predilectos dos meios de comunicação social. Talvez difícil de padronizar, contudo, o conhecimento dos efeitos sobre o público ajudaria a compreender por que é que os media nos mantêm olhando a morte dos outros.»

[excertos de um trabalho apresentado ao último congresso da SOPCOM, realizado na Universidade de Aveiro, em Outubro passado]

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  • A nasty turn in criticism of press, de Tim Rutten, no L. A. Times.com
  • Mind Games, de Daniel Schulman, no nº de Maio-Junho da Columbia Journalism review (Resumo: "Secretary of Defense Donald Rumsfeld recently told the Council on Foreign Relations that ?some of the most critical battles may not be in the streets of Iraq, but in newsrooms.? Indeed, the ?war on terror? increasingly is being fought in the informational realm. But when psychological operations distort the news, the public gets played, and in our cover story, Daniel Schulman dissects the Bush administration?s very aggressive global information strategy and the risks it poses for the credibility of both the military and the press". )

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Não só empresas norte-americanas ou europeias, como a PT, estão investindo no imenso mercado mediático do Brasil. O grupo sul-africano Naspers Limited acaba de anunciar a compra de 30% do capital do Grupo Abril, que é um dos maiores da América Latina, com investimentos em TV, imprensa e Internet. Outras informações aqui.

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Sei bem que, nos dias que correm, a pergunta é politicamente incorrecta, mas aqui fica, em todo o caso: Freitas do Amaral disse que está cansado de ser ministro?

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Relativamente à iniciativa do diário "El País", de lançar um jornal on-line em PDF que se vai actualizando ao longo do dia e que pode ser descarregado e impresso, opina Renaud Hermal, jornalista e webmaster de La Libre Belgique digital ( "Une fausse bonne idée?" ): "Si techniquement le travail est bien fait (rapidité) je reste dubitatif sur l'idée elle-même. A vrai dire je ne vois pas l'intérêt d'imprimer des pages PDF (entre 8 et 16 selon l'actu) alors que l'on a l'info sous les yeux. Déjà que les ventes des journaux en PDF des différents sites de presse sont pour la plupart décevantes, venir avec ce produit, pas vraiment écologique non plus, est dira-t-on assez osé. Je vois plus un intérêt dans la construction d'un journal imprimable avec un contenu spécifique ou à destination d'une cible spécifique".

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"Nos últimos cinco anos vocês foram tão bons - em temas como os cortes de impostos, as armas de destruição em massa, o aquecimento global. Nós, americanos, não queríamos saber; vocês tiveram a cortesia de não tentar descobrir." Stephen Colbert, sósia do presidente Bush, no jantar anual dos correspondentes da Casa Branca "O Presidente decide, o secretário de Imprensa anuncia as decisões, vocês dactilografam. Decide, anuncia, dactilografa. E depois podem ir para casa escrever aquele romance com que sempre sonharam, sobre o intrépido repórter que tem a coragem de se opor à Administração. Vocês sabem... ficção!" Idem, ibdid. (Cf. leitura deste "show" aqui)

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El País faz hoje 30 anos. Essa é a idade da edição impressa. A digital cmpleta igualmente hoje dez anos de vida. Um novo director (Javier Moreno, 42 anos, engenheiro químico) inicia também hoje funções, sucedendo a Jesús Ceberio, que esteve 13 anos à frente deste "diario independente da manhã" (ver entrevista no Público de hoje, na qual recorda o erro "clamoroso" de 11 de Março, quando, por influência directa de Aznar, atribuiu a autoria dos atentados à ETA). Embora o grupo Prisa esteja aparentemente de boa saúde, o seu navio-almirante que é El País perdeu 59 mil leitores entre Fevereiro de 2005 e o mesmo mês deste ano, o que Periodista Digital calcula corresponder a cem mil leitores a menos. Os diários gratuitos e a acessibilidade de informação de actualidade através da Internet poderiam ser factores explicativos. Analisando, porém, os sinais visíveis, constata-se que os responsáveis do jornal e do grupo se encontram posicionados na linha da frente dos ensaios sobre o que serão os jornais e o jornalismo do futuro, tirando partido da Internet e das novas ferramentas de publicação e de acesso e gestão da informação. O caso recente do "24 Horas" é disso exemplo. O jornal está claramente a olhar para a frente. O editorial da edição de aniversário intitula-se sintomaticamente "Os próximos 30 anos" e o último parágrafo aponta um horiznte: "No se sabe si se leerán muchos periódicos dentro de 30 años, pero es seguro que serán muy diferentes a los de hoy. Los principales diarios del mundo intentan adaptarse a los desafíos que plantean las nuevas tecnologías, incluyendo la posibilidad de interacción entre emisor y receptor; y a hábitos también nuevos en la relación con los medios, como los derivados de la aparición de los diarios gratuitos y otros productos de consumo rápido. Esperamos estar a la altura de esos desafíos para que vuelva a verificarse el aforismo que proclama que la prensa tiene los siglos contados; para poder celebrar dentro de otras tres décadas la continuidad de este periódico, que hoy cambia de director por tercera vez en su historia." (A foto da direita é a reprodução da primeira página do nº 1 de El País)

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O jornal espanhol "El Pais" apareceu há precisamente 30 anos, com uma tiragem de 180 mil exemplares. Fundado por Juan Luis Cebrián [autor do livro Cartas a um Jovem Jornalista, traduzido para português], o jornal editou o primeiro livro de estilo em 1977, tendo lançado as edições internacionais em 1983. Hoje também, comemora-se o 10º aniversário da edição digital do jornal. Para assinalar as datas, o "El Pais" «revisita as três últimas décadas e os desafios do futuro num especial de 508 páginas» disponíveis em PDF. Para além disso, está acessível a partir do portal uma animação com a breve história do jornal, um portfólio das 100 melhores primeiras páginas (de que se destacam aqui apenas três exemplos recentes) e uma visita ao interior do elpais.es.

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Relativamente ao depoimento que dei ao jornalista Pedro Araújo, para o destaque que o JN dá hoje ao Dia da Liberdade de Imprensa, havia mais uma pergunta que, julgo que por razões de paginação, não pôde entrar. Perguntava-se: "Há outras realidades que, no caso de Portugal, também sejam preocupantes?" A resposta que dei foi: "Infelizmente, há. Destaco duas, de natureza completamente diferente. A primeira tem que ver com as repercussões no nosso país do caso da publicação das caricaturas de Maomé. Devo confessar que fiquei preocupado com a afloração de um conceito de liberdade de expressão e de imprensa apresentado como se fosse um absoluto, que faz tábua-rasa das responsabilidades individuais e colectivas inerentes ao exercício da própria liberdade. A outra realidade a que julgo ser de fazer referência e que, de forma silenciosa, mina a liberdade de imprensa consiste nas condições deploráveis que afectam o exercício do jornalismo. A precarização do trabalho profissional; a pressa em divulgar sem verificar ou amadurecer; o recurso a trabalho 'escravo'; a espectacularização da insignificância; a submissão do interesse público ao negócio são caminhos do jornalismo que deveriam merecer um 'choque' cívico e profissional, antes que esvaziem a liberdade de imprensa ou a tornem numa mera figura de retórica".

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Numa mensagem redigida por ocasião do Dia da Liberdade de Imprensa, o Sindicato dos Jornalistas portugueses sublinha a importância da protecção do sigilo profissional e da confidencialidade das fontes, bem como a clarificação da responsabilidade dos jornalistas no âmbito do segredo de justiça. Alertando para os prejuízos que diversos problemas da profissão acarretam para a autonomia dos jornalistas e para a qualidade da informação produzida, o Sindicato chama ainda a atenção para questões que continuam a afectar a classe: «a ofensa patronal contra a regulamentação dos direitos de autor; o agravamento da precariedade; a negação de inúmeros direitos laborais e a escandalosa persistência da exploração do trabalho dos estudantes». Também para assinalar este Dia, a Federação Internacional de Jornalistas adverte que «não pode haver liberdade de imprensa se os jornalistas existem em condições de corrupção, pobreza ou medo». Neste sentido, a federação apela

  • ao apoio às organizações de jornalistas independentes - «que podem defender a liberdade de imprensa proporcionando uma voz colectiva, independente do governo e do poder corporativo, e que podem falar pela profissão»
  • à «acção na defesa dos media de qualidade e de uma cultura de liberdade de imprensa em que a conduta ética, a efectiva auto-regulação e a segurança e protecção dos profissionais dos media têm prioridade e em que todos os obstáculos ao jornalismo independente sejam erradicados»
  • ao reconhecimento de que os direitos laborais são um assunto da liberdade de imprensa. O profissionalismo nos media depende do trabalho decente e da justiça social no jornalismo.»
[dica do Clube de Jornalistas]

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Como surgem notícias falsas e como podem os meios de comunicação rectificá-las depois da publicação? Esta é a questão que dá o mote à edição do Clube de Jornalistas que a Dois transmite esta noite (sempre depois do horário anunciado, ou seja, das 23h30!). São convidados José Manuel Fernandes, director do "Público", Pedro Tadeu, director do "24 Horas", e Joaquim Vieira, do Observatório de Imprensa.

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Assinala-se hoje o dia da Liberdade de Imprensa. Usufruindo, pelo menos legalmente, deste direito, raramente teremos, porém, presente os vários sítios do mundo onde a Liberdade de Imprensa não é ainda senão um sonho. Os Repórteres Sem Fronteiras têm disponível uma lista de "Predadores da Liberdade de Imprensa" que, diz esta organização, «têm poder para censurar, prender, sequestrar, torturar e, no pior dos casos, assassinar jornalistas». Vale a pena lembrar alguns nomes dessa lista: Alexandre Luckachenko, Presidente da República da Bielorrússia Abdallah Ibn al-Saud, Rei da Arábia Saudita Than Shwe, Chefe do Governo da Birmânia Hu Jintao, Presidente da República da China Fidel Castro, Presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros de Cuba Issaías Afeworki, Presidente da República da Eritreia Meles Zenawi, Primeiro-Ministro da Etiópia Yahya Jammeh, Presidente da República do Gâmbia Teodoro Obiang Nguema, Presidente da República da Guiné-Equatorial Gyanendra Shah Dev, Rei do Nepal Pervez Musharraf, Presidente da República do Paquistão Paul Kagame, Presidente da República do Ruanda Robert Mugabe, Presidente da República do Zimbabué

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Mais um caso que chama a atenção para um universo fundamental nos processos de socialização das nossas sociedades e ao qual muito pouca gente dá importância: "Border Patrol", um videojogo (neste caso, um jogo online) lançado recentemente nos Estados Unidos, utiliza como ingredientes narrativos e lúdicos o drama dos imigrantes mexicanos que procuram entrar ilegalmente nos Estados Unidos da América. Disparar contra esses imigrantes, nomeadamente se se trata de uma mulher grávida e com dois filhos constitui o objectivo central (e único) proposto aos jogadores. "There is one simple objective with this game: keep them out ... at any cost", refere a publicidade ao "Border Patrol". E as instruções são básicas e simples:"Shoot Mexicans crossing the United States border". No momento em que escrevo, o jogo continua disponível online.

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» Televisão e cidadania. Contributos para o debate sobre o serviço público. Manuel Pinto (coord.), Helena Sousa, Joaquim Fidalgo, Helena Gonçalves, Felisbela Lopes, Helena Pires, Luis António Santos. 2ª edição, aumentada, Maio de 2005. Colecção Comunicação e Sociedade. Campo das Letras Editores.

» Weblogs - Diário de Bordo. António Granado, Elisabete Barbosa. Porto Editora. Colecção: Comunicação. Última Edição: Fevereiro de 2004.

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