Weblogue colectivo do projecto Mediascópio - CECS / Universidade do Minho | RSS: ATOM 0.3 |



A colunista do Público Carla Machado, a propósito de "um estudo recentemente concluído por Ana Rita Dias (Universidade do Minho), sobre a imagem das mulheres nas revistas portuguesas, entre os anos 60 e a actualidade", que "mostra que a expansão da área de intervenção das mulheres para além da casa e dos filhos sempre foi acompanhada de intensa preocupação com a sua masculinização", escreve:

"Nos anos 60, advertia-se a mulher de que não deveria deixar que o trabalho lhe retirasse a sua 'graciosa feminilidade' e lhe roubasse a sua 'vocação essencial de anjo do lar'. E se, umas décadas mais tarde, o trabalho feminino era encarado com naturalidade, a mensagem era ainda assim clara, ao jeito de: 'Deverá a leitora não esquecer, contudo, que é mulher e reservar um tempo para cuidar de si e da sua aparência, sem negligenciar a beleza que é a sua dádiva natural'. Hoje, aparentemente, a mensagem estende-se às mulheres no poder: ocupem cargos importantes sim, mas não se esqueçam: sejam belas! Porquê tal preocupação com a feminilidade das mulheres ou, mais precisamente, com a sua beleza? A minha hipótese é que esta inquietação reflecte a necessidade de manter as mulheres que se afastam dos territórios que lhe estão tradicionalmente reservados num espaço mental em que são, apesar de tudo, inteligíveis. (...) Entendam-me: acho que a beleza é uma qualidade rara e que deve ser apreciada. E seguramente é mais agradável olhar para Ségolène do que para Thatcher. O que isso não tem é nada a ver com o que deveria ser a política. Por isso, das duas uma: ou deixam as roupas das senhoras em paz, ou então façam reportagens sobre as golas altas do Sócrates e os laços de Ramos-Horta. E depois digam-me se isto não vos parece ridículo".
in O fato de Nancy, Público, 30.11.2006
(Crédito das fotos: Thatcher - Scotland on Sunday; Ségolène - Photothèque Région Poitou-Charentes)
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A propósito do post "Noticiar em causa própria" gerou-se um debate interessante, ainda que aguçado pelo jogo de argumentações e contra-argumentações, acerca do "bom senso" como critério jornalístico. Vale a pena espreitar. Em jeito de provocação de novos comentários, anoto algumas questões por onde passou a "discussão" entre João Alferes Gonçalves, coordenador do site do Clube de Jornalistas, e Luís Santos, docente e animador deste blog e do Atrium:

  • É, ou deve ser, o bom senso um pré-requisito da profissão de jornalista?
  • É o não reconhecimento do bom senso como requisito da profissão um sinal de irresponsabilidade?
  • Será o bom senso um sintoma de um "jornalismo manso"?
  • Será admissível um jornalismo de moral pública («que é», diz João Gonçalves, «outro nome para o "bom senso" e uma coisa muito diferente da ética profissional»)?

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  • Zamzar, um espaço que permite, de forma fácil, converter ficheiros de diferentes formatos para outros formatos (html, pdf, ppt, doc, jpg, etc.)
  • Slideshare - um espaço para colocar e consultar slideshows e, mais prosaicamente, aplicações de powerpoint (já é interessante o que por lá se encontra)

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Sérgio Denicoli, estudante do Mestrado em Ciências da Comunicação, Área de especialidade em Informação e Jornalismo, vai defender a sua dissertação amanhã, às 14h30, na sala de seminários do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. A tese tem o seguinte título: 'O Jornalismo Internacional da TV Globo: As novas tecnologias e o agendamento do Jornal Nacional'.

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A semana que passou trouxe-nos uma série de episódios relacionados com os jornalistas que não devem passar sem registo.
O mais significativo deles todos é, sem dúvida, a decisão governamental de pôr fim ao regime especial de segurança social dos profissionais do jornalismo (incluindo o seu sub-sistema de saúde), corporizado na Caixa de Previdência dos Jornalistas.
O Sindicato tem conduzido uma luta frontal contra essa decisão e várias outras iniciativas se desencadearam ou se preparam para tentar barrar a concretização da medida. Em certo sentido, isso é legítimo, até porque além do aspecto que mais tem vindo a lume - a possibilidade de livre escolha de serviços médicos, reembolsáveis pelo Ministério da Saúde - os montantes das comparticipações não são nada de desprezar.
O que no meio de tudo isto importa perguntar é se a informação sobre esta matéria tem sido equilibrada e rigorosa. E, neste ponto, o que temos visto não é tranquilizador. Será, por exemplo, razoável que o assunto tenha merecido, no jornal das 21h da SIC-Notícias de quinta-feira, uma entrevista com a presidente da Caixa dos Jornalistas com a duração de 15 minutos? Ainda para mais com um Mário Crespo atrapalhadíssimo, a emitir opiniões e juízos, numa confusão lamentável de papeis? (cf. neste contexto, a posição sobre o assunto tomada pelos jornalistas da SIC).
É razoável, por outro lado, que o Clube de Jornalistas tenha promovido o seu programa de quarta-feira última, em A Dois, apenas com defensores de um dos lados da questão, sabendo-se que vozes diversas se têm expressado na Imprensa? Mais: será bom sinal que o site do mesmo Clube de Jornalistas esteja a constituir um dossier sobre posições relacionadas com a Caixa dos Jornalistas apenas com opiniões contrárias à medida, não dando espaço às opiniões que vão noutro sentido?
É citado com frequência um estudo de 2000, que indicará que os descontos dos beneficiários pagavam o subsistema e ainda sobravam 3 milhões de contos (15 milhões de euros) para a Segurança Social. E que os encargos com cada beneficário rondam os 385 euros por pessoa/ano, um terço do que a Segurança Social estará a gastar, em média, com cada um dos restantes utentes. Estes dados estão a ser devidamente verificados, pelos jornalistas que têm estado a tratar jornalisticamente o assunto?
É evidente que não é fácil exercer o jornalismo quando se tem de tratar problemas que jogam com os interesses imediatos dos jornalistas. Mas é por aqui que começa (e acaba) a credibilidade do próprio jornalismo, se algumas regras básicas da profissão não forem acauteladas. E, aparentemente, não estão a ser. Numa matéria, como parece óbvio, politicamente sensível.
[De resto, temos visto, em tempos recentes, outros sinais inquietantes, que vão no mesmo sentido. Como o director do Público a tratar, como actor, assuntos ligados ao exercício das suas funções numa entrevista ao presidente da ERC. Ou como José Rodrigues dos Santos a abrir o Telejornal de sábado com a notícia da morte de três jornalistas portugueses no Chile, no mesmo dia em que grande parte do país se encontrava sob os efeitos das cheias e, em que, por exemplo, "O Douro subiu sete metros no Porto e em Gaia"]

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you are welcome to elsinore
(...)

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar

(...)

Mário Cesariny
(clicar aqui para ler o poema)

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O novo canal francês de informação internacional France 24, cujas emissões deverão arrancar em 6 de Dezembro próximo, já tem a circular na Internet um vídeo de apresentação:

Imagens Dailymotion de FRANCE 24, disponibilizadas por stephany24
A estação, uma parceria entre a TF1 e a France Télévisions, sob o patrocínio do Governo francês, terá em funcionamento dois canais, um em língua francesa e outra em língua inglesa.

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Um dos mais reconhecidos nomes no âmbito dos estudos do poder,Steven Lukes, da New York University, irá proferir amanhã, às 10h, uma conferência na Universidade do Minho (Complexo Pedagógico II, B1, Campus de Gualtar). Steven Lukes falará sobre "The Elusiveness of Power", expondo a sua visão sobre "aquilo de que falamos quando falamos de poder". Tendo em consideração a sua obra, esta conferência será certamente importante para todos os que se interessam pelos fenómenos do poder, nas suas múltiplas dimensões.

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Não é aceitável em nenhum jornal, mas no Público ainda custa mais: em dois dias, a palavra "conselho" aparece grafada como "concelho". Na segunda-feira o erro vinha na própria peça (co-)assinada pelo director do jornal (cf. A Entidade Reguladora não representa o poder do Estado): "(...) a verdade é que a SIC e a TVI intentaram uma acção deliberativa especial a pedir ao tribunal que declare a nulidade das obrigações que o concelho regulador impôs (...)" Hoje o mesmo surge na breve Plano Rothschild aprovado no Libération: "O concelho de administração do jornal francês Libération adoptou por unanimidade o plano de reestruturação proposto pelo accionista principal do diário, Edouard Rothschild". A ver se a semana termina sem que haja terceiro caso.

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O caso de Ségolène Royal vai ser interessante de acompanhar nos media. De resto já está a ser. Que enquadramento noticioso (framing) irá prevalecer? Que lugar haverá para as ideias e propostas políticas? Deste ponto de vista, é interessante ler Ségolène Royal et les médias, que Adam Keshner publica no jornal de cidadãos Agoravox. Se não fosse por mais nada, a consulta valia pela comparação das primeiras páginas dos principais diários nacionais de França, nos dois últimos meses. O Libération, que terá mantido, na opinião de Keshner, algum distanciamento face a Ségolène Royal, tem algumas primeiras páginas interessantes: O resumo da tese do autor surge nesta frase: "En conclusion, on voit que la 'grande' presse ne lui a pas été favorable, mais que cette même grande presse a largement contribué à installer l'idée que l'élection ne se ferait pas sans Ségolène." A este propósito, e entre nós, o Abrupto dá a palavra a dois leitores, enquadrando com o título: "Ségolène la belle".

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Começam hoje os trabalhos da terceira edição do Congresso online promovido pelo Observatório da Cibersociedade: encontram-se inscritas mais de 4.000 pessoas, estando agendadas mais de 500 comunicações. A iniciativa, que se auto-intitula como "o maior forum de debate mundial sobre a sociedade do conhecimento", tem por tema "Conhecimento aberto, sociedade livre" e prolonga-se até 3 de Dezembro. Encontra-se estruturado em cinco grandes eixos, que agrupam várias dezenas de grupos de trabalho e de foruns de discussão. Para participar nos debates é necessário proceder a uma inscrição (gratuita), cujo prazo termina precisamente hoje. As línguas oficiais são o castelhano, português, inglês, catalão e galego.

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Quem visitar o diário espanhol El País online encontrará hoje uma casa nova: novo desenho (na linha do que se vem instituindo como canónico - layout na horizontal, 1024 pixels a três colunas), novo endereço (elpais.com), novos conteúdos (vídeos, coemntário às notícias e destaques da blogosfera) e mais informação de acesso gratuito.

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Confesso que tive dificuldade em compreender o sentido e pertinência da manchete de hoje do Público. Pus-me a pensar na quantidade de outras manchetes que se poderiam fazer, se se seguisse a mesma lógica. Isto sem negar o interesse público que poderia ter o conhecimento do "número de ex-presos que reincidem no crime".

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"As televisões passaram a gostar de nos convencer de que não há esperança para qualquer tipo de relação humana. Os telejornais privilegiam a pornografia dos fait divers e as guerras do futebol: o vazio mental e o conflito automático tornaram-se as únicas leis de percepção do mundo. Os reality shows ou afins, mesmo quando pregam uma "solidariedade" beata, não são mais do que palcos para a exaltação de sentimentos grosseiros e egoístas. Os concursos consagram a infantilização militante de concorrentes e audiências: neles se proclama que quanto mais patetas formos, mais felizes seremos. Enfim, a avassaladora mediocridade "telenovelesca" também não ajuda, reduzindo o mundo a uma colecção de traumas anedóticos: morais para os adolescentes, sexuais para os adultos (ou o contrário, o que vem a dar no mesmo).(...)" João Lopes, Diário de Notícias, 19.11.2006

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Começa amanhã, na Universidade do Minho, o Congresso "Comunicação Social e os portugueses no mundo", organizado pela associação Rosa Azul e pelo Departamento de Ciências da Comunicação desta universidade. Este encontro prolonga-se até domingo, mas a partir de sábado desloca-se para Baião.

17 de Novembro Braga 9H30 SESSÃO DE ABERTURA Sua Excelência o Presidente da República, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva (representado pelo Assessor da Casa Civil para as Comunidades Portuguesas, Sr. José Luís Fernandes) Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Baião, Dr. José Luís Carneiro Excelentíssimo Senhor Presidente do ICS / Universidade do Minho, Professor Doutor Moisés Martins Excelentíssima Senhora Presidente da Associação Rosa Azul, Dra. Teresa Rosmaninho 10H30 JORNAIS PUBLICADOS EM PORTUGAL: QUE RELAÇÃO COM AS COMUNIDADES PORTUGUESAS? Moderação: Engrácia Leandro / Professora Catedrática / Universidade do Minho David Pontes / Director Adjunto do Jornal de Notícias Manuel Carvalho / Director Adjunto do Público Pedro Tadeu / Director do 24 Horas Cesaltina Pinto / Jornalista da Visão 14h00 IMPACTOS IMEDIATOS: TELEVISÃO, RÁDIO E AGÊNCIAS NOTICIOSAS Moderação: Helena Sousa / Professora / Universidade do Minho Lopes Araújo / RTP Internacional Pedro Cruz / SIC Pedro Sousa Pereira / Agência Lusa António Cardoso / CLP TV 16h30 COMUNICAÇÂO SOCIAL DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS Moderação: Moisés Martins / Presidente do ICS / Professor Catedrático / Universidade do Minho Carlos Pereira / Director do Luso Jornal / França e Bélgica Délia Meneses / Chefe de Redacção do Correio da Venezuela José Luís Correia / Director do Semanário Contacto / Luxemburgo Adelino Sá / Director da Gazeta Lusófona / Suiça 18h30 SESSÂO DE ENCERRAMENTO Sua Excelência o Secretário de Estado das Comunidades, Dr. António Braga

Todo o programa disponível aqui.

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O Provedor do Leitor do Diário de Notícias, José Carlos Abrantes, escreve hoje sobre a necessidade de desenvolver, em Portugal, um projecto de investigação de excelência em Jornalismo (pelo que entendi, à imagem do Project for Excellence in Journalism, do Pew Research Center). Diz José Carlos Abrantes:

"Talvez instituições de prestígio possam compreender que, sem jornalismo de excelência, dificilmente haverá excelência na política, na saúde, na educação, na vida cívica. Porquê? Porque o jornalismo define hoje o essencial da imagem pública de quase todos os aspectos da vida social". A ideia retoma algumas das discussões que a comunidade académica nacional já partilha há alguns anos e tem um conjunto de virtualidades inegável. Tem, naturalmente, também associada uma série de riscos, como o próprio José Carlos Abrantes assinala: "(...) tão difícil por estarmos habituados - de mais - ao funcionamento em capelinhas". Saúda-se, portanto, o retomar da ideia de criação de um maior espírito de comunidade. Saúda-se, sobretudo, a intenção de o fazer sem pensar apenas nos mesmos moldes de sempre, começando e acabando os projectos em espaços que conhecemos bem. Seria injusto que um leitor desatento percebesse nos exemplos que José Carlos Abrantes indica precisamente o contrário do que parece querer sugerir.

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... ao comentário colocado aqui em baixo pelo director do 'Público', José Manuel Fernandes, em resposta ao comunicado da ERC sobre o modo como aquele diário lidou com o exercício do direito de resposta.

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"O que está a dar é colocar «baton» nos artigos, fazer um «lifting» nas informações." Christiana Martins O blogue das aventuras de uma jornalista de Economia (via site do Clube de Jornalistas).

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"Mesmo aqueles [congressos partidários] onde existe confronto e não apenas a consagração de líderes previamente eleitos estão construídos em função da televisão. A presença maciça de câmaras e repórteres, uma prática que remonta ao congresso de 1995 do PSD, destruiu tudo o que existia de autêntico e imprevisível nestas cerimónias. O mensageiro matou o acontecimento e o acontecimento transformou-se num simulacro produzido à medida da imagem. " Miguel Gaspar, in O falso congresso (Diário de Notícias)

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Os BOBs (Best of Blogs) deste ano já são conhecidos. O melhor de todos, segundo o júri internacional, foi o norte-americano Sunlight Foundation, um blogue colectivo que "luta por uma maior transparência política nos Estados Unidos" e "um óptimo exemplo da influência exercida por weblogs, combinando a mobilização de usuários com fins políticos à possibilidade de interação e pesquisa". O Prémio de Melhor Weblog em Português foi atribuído ao Apocalipse Motorizado, de São Paulo, que luta pelos direitos dos ciclistas nas cidades grandes. O Prémio Repórteres Sem Fronteiras foi concedido pela primeira vez neste ano a dois weblogs. Mais de 5.500 blogs foram sugeridos por usuários do mundo todo nas 15 categorias do evento e o júri teve que escolher entre eles os finalistas em cada uma delas.

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Decorre amanhã e depois, na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, o II Seminário Internacional Media, Jornalismo e Democracia. A iniciativa é do CIMJ - Centro de Investigação de Media e Jornalismo. Na ocasião, serão apresentados vários livros, dos quais destacamos "Televisão: Das Audiências aos Públicos" organizado por José Carlos Abrantes e Daniel Dayan (Livros Horizonte/CIMJ). Este livro tem contributos de Carlos Fogaça, Daniel Dayan, Dominique Mehl, Eduardo Cintra Torres, Eliseo Veron, Guillaume Soulez, Jean Pierre Esquenazi, John Fiske, José Carlos Abrantes, Jostein Gripsrud, Sabine Chalvon e Todd Gitlin. O livro inclui também uma síntese elaborada por Felisbela Lopes a partir de contributos de António José da Silva, Isabel Ventura, José Jorge Barreiros e Tito Cardoso e Cunha.

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Sobre a matéria do post abaixo, o Conselho Regulador da ERC emitiu ao fim do dia um comunicado em que considera que o 'Público' se está a tentar vitimizar e que não dará "um contributo na sua tentativa de vitimização". O 'Público'- refere a nota - «mostra desconhecer, ou recusa conhecer, que entre as competências da ERC se encontra a de 'assegurar o livre exercício do direito à informação e à liberdade de imprensa' e de "fazer respeitar os princípios e limites legais aos conteúdos difundidos pelas entidades que prosseguem actividades de comunicação social, designadamente em matéria de rigor informativo e de protecção dos direitos, liberdades e garantias pessoais" (art. 8.º al. a) e art. 24.º, n.º 3, al. a), dos Estatutos da ERC)». Sobre as observações de José Manuel Fernandes, abaixo transcritas, o Conselho Regulador "tem por estranho, no mínimo, sentir-se obrigado a chamar a atenção da direcção editorial do 'Público' para o facto de um jornal ser composto de elementos escritos e visuais e de o cumprimento do rigor informativo não se limitar à palavra escrita". Nota ainda que "a invocação da 'criatividade', ou até, da 'criatividade autoral', serão tanto mais inaceitáveis como sucedeu no caso concreto - quando se destinam, de forma objectiva, a ir contra os direitos de cidadãos, que não dispõem muitas vezes de outro meio de defesa perante um jornal que não seja através do instituto do direito de resposta."

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Público, 09 de Novembro de 2006, pp. 43
Hoje, José Manuel Fernandes explica no editorial como o Público entendeu a deliberação da ERC que obriga o jornal a republicar um direito de resposta publicado pela primeira vez a 1 de Julho passado [a deliberação em causa pode ser consultada aqui (Deliberação 21-R/2006)]:

«Na sua decisão [a ERC] considera inadequada a relação entre a cabeça indicativa do direito de resposta e o título repetido entre aspas, considerando que desta resultou, "do ponto de vista gráfico", uma insuficiente indicação de que se tratava de um direito de resposta. Por outras palavras: a ERC entendeu-se competente para dar opiniões sobre o grafismo do jornal, intromissão que consideramos absolutamente abusiva. Pior: considera que dela resultou uma "uma titulação abusiva e insidiosa". Pior ainda: considera que, apesar da presença dessa cabeça e de na primeira página se ter colocado uma chamada onde se escrevia "Rui Rio responde ao PÚBLICO", "não pode considerar-se que, no caso vertente, seja inequívoca a identificação do texto como resposta". Pior outra vez, como se tudo o resto não chegasse: considera insuficiente a chamada da primeira página, onde se teve o cuidado de colocar uma rede no fundo para a destacar mais, fazendo considerações de ordem gráfica ao considerar que esta aparece "literalmente "submergida" na densidade da mancha gráfica da capa".» (...) «Estas decisões configuram violações à liberdade de criação e de expressão de que a primeira responsável é a ERC, órgão que nasceu sob suspeita e controvérsia e, pelos vistos, delibera de forma a dar razão aos que criticaram o seu estatuto e poderes. »

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Impressão partilhada: "o melhor entrevistador do Clube de Jornalistas despediu-se hoje [ontem] após um ano de entrevistas".

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«A notícia não é que um blogue anónimo acuse Miguel Sousa Tavares de plágio, a notícia é que Miguel Sousa Tavares cometeu plágio, se o tivesse cometido, e aí o autor da notícia devia fazer o seu próprio julgamento e só publicar caso esse julgamento fosse que sim. Não sendo, o blogue é como uma carta anónima, incitável e inaceitável. Foi isso que falhou e hoje em dia falha cada vez mais, porque a comunicação social escrita precisa de pretextos para violar as regras de que se gaba como sendo distintivas e, na Internet, encontra-os com facilidade, entrando depois facilmente na selvajaria. Está lá no computador, para milhões verem, por isso está "publicado", logo posso citar e levar a sério, sem ter responsabilidade. O mal não está nos blogues em si, está na nossa incapacidade para ler e escrever blogues, como para ler e escrever jornais com uma decência mínima. O problema é mais comum do que se pensa, embora seja verdade que as pessoas se sentem mais impotentes para se defenderem da Internet do que no mundo da comunicação social tradicional, mas o que é crime cá fora é crime lá dentro.» José Pacheco Pereira, Público (09 de Novembro)

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Gannett, o maior grupo de jornais dos Estados Unidos da América (detém, entre outros, o USA Today), está a preparar uma mudanças no modo de organizar as redacções e de profduzir as notícias que importa acompanhar com toda a atenção. Aqui ficam algumas achegas:

COMPLEMENTO: No blogue Ramdom Mumblings, o post Info at the center inclui várias outras referências ao mesmo caso.

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Serão os resultados das eleições nos Estados Unidos da América um sinal de "anti-americanismo"?

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Vai ser lançado no próximo dia 16 na FNAC do Chiado (18h30) este livro de Helena de Sousa Freitas, que resulta de um trabalho apresentado no âmbito de um curso de pós-graduação em Direito da Comunicação Social. O livro retoma, como aliás sugere o sub-título, o caso da condenação de Manso Preto num processo em que invocou o sigilo profissional para proteger a identidade de uma fonte de informação e analisa processos similares envolvendo jornalistas portugueses e estrangeiros. Do índice poder-se-á ainda destacar o capítulo 8, dedicado à Blogosfera, ao Jornalismo e ao anonimato das fontes e reportando-se a "mudanças que seduzem e inquietam". FREITAS, Helena de Sousa (2006) - Sigilo Profissional em Risco - Análise dos casos de Manso Preto e de outros jornalistas no banco dos réus - Coimbra: Ed. Minerva [site do livro: http//http://www.sigiloprofissional.com/]

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No Jornal de Notícias sai uma notícia com o seguinte título: "Preço do 'roaming' pode cair para mais de metade". No lead repete-se a forma de expressão. Mas, logo a seguir, a ideia é traduzida em números:

"A UE calcula que, em média, uma chamada feita a partir de um telemóvel entre dois países comunitários custa 1,15 euros por minuto. (...) Demasiado caro, entende Bruxelas, que quer limitar o preço a um máximo de 49 cêntimos/minuto".
Se assim é, o título da peça não deveria dizer precisamente o contrário, ou seja, que o preço do roaming cairá para menos de metade? Até porque, se caísse para mais de metade, em termos abstractos, poderia ficar praticamente na mesma. E se se retirasse o "para" do título? esse caso, ficaria: "Preço do 'roaming' cai mais de metade".

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Se a SIC tivesse provedor dos telespectadores, hoje dirigir-lhe-ia a seguinte mensagem: O que é que justificou a entrevista em exclusivo, como foi anunciada, de Nelly Furtado em directo no Jornal da Noite de ontem? Por que razão teve a chegada da cantora às instalações da estação honras de interrupção do curso das notícias? Desculpando-me à partida por alguma ignorância musical, que tem Nelly Furtado de tão significativo para estar em directo uns 10 minutos (talvez mais, confesso que não contabilizei) no principal serviço informativo da estação? É um acontecimento assim tão grande que a cantora passe por Portugal? Além disso, que ficámos nós a saber de particularmente revelador sobre a cantora e/ou o seu trabalho? Fixei de memória duas ou três coisas: que a tia dos Açores a convida para um cozido, que vai participar numa série da SIC e que reage a quase tudo com risadas à gargalhada. Em síntese, puro fait-divers, puro interesse espectacular, pura perda de tempo informativo, numa tentativa subtil de promover a programação da SIC.

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A propósito do papel dos media, neste primeiro aniversário das revoltas nos 'banlieus' de Paris e de outras cidades francesas, Florian Roulies escreve em AgoraVox sobre "Quand les médias soufflent sur les braises". O resultado: "Surmédiatisation du moindre incident, rediffusion à la chaîne des images de l'an passé... nombreux sont ceux qui accusent les journalistes de souffler sur les braises". A imagem que ilustra o artigo bastaria para o dizer:

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Seis livros da área da comunicação vão ser lançados num só dia. A Porto Editora apresenta cinco, numa sessão que terá como palco a Universidade Fernando Pessoa, no Porto (quinta-feira próxima, às 18.30) e a Editorial Bizâncio apresenta um, à mesma hora, na Livraria Barata, em Lisboa. É a seguinte a lista de livros a apresentar pela Porto Editora:

  • Comunicação Economia e Poder, org. de Helena Sousa
  • Introdução aos 'Cultural Studies', de Armand Mattelart e Érik Neveu
  • Sociologia dos Públicos, de Jean-Pierra Esquenazi
  • Mercados Televisivos Europeus, de Luís Oliveira Martins
  • A Quercus nas Notícias, de Gonçalo Pereira Rosa.
Por sua vez, a Editorial Bizâncio apresenta: Entretanto, Francisco Rui Cádima acaba também de anunciar a próxima saída de um livro da sua autoria, intitulado A Televisão 'Light' Rumo ao Digital, edição da Media XXI. (Manifestação de interesses: coordeno, com Joaquim Fidalgo, a colecção da Porto Editora).

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Clifford Geertz, um dos maiores antropólogos da actualidade, morreu há dias nos Estados Unidos da América, com a idade de 80 anos. Não vi referências ao facto nos media portugueses. Clifford Geertz (pseudónimo de Harold F. Linder, professor de Ciências Sociais no Institute for Advanced Study, Princeton, New Jersey), fez longos trabalhos de campo na Indonésia e em Marrocos, e o seu pensamento e propostas teórico metodológicas projectaram-se para além do seu campo disciplinar. Sobre a cultura, escreveu: "Believing with Max Weber that man is an animal suspended in webs of significance he himself has spun, I take culture to be those webs and the analysis of it to be therefore not an experimental science in search of law but an interpretive one in search of meaning". In "The Interpretation of Cultures", 1973 (Basic Books) Leituras complementares:

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"Télévision, migrations et enjeux identitaires : l'exemple de RTPi. La réception d'une chaîne de souveraineté par les Portugais d'Ile-de-France" é o tema da tese de doutoramento de Manuel Antunes da Cunha, que vai ser discutida no próximo dia 24. A sessão decorrerá na Universidade de Paris II - Panthéon-Assas , sendo o júri constituído por Jean-Pierre Esquenazi (Université Lyon III), Dominique Pasquier (CNRS - Paris), José Rebelo (ISCTE) e Rémy Rieffel (Université Paris II).

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"Assim vai o mundo e outras histórias para ouvir aqui ou através de um leitor MP3". É, de novo, Francisco Sena Santos e a oportunidade de ouvir a inconfundível voz das notícias da rádio. Agora no espaço dos podcasts do Sapo [via Chão de Papel]

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Ian Mayes vai abandonar o cargo de "ombudsman" dos leitores do diário The Guardian dentro de dois meses, uma função que exerceu ao longo de nove anos. Mayes foi o primeiro ombudsman de um jornal britânico de âmbito nacional e, no exercício da função, veio a ser eleito, em 2005, presidente da ONO - Organization of News Ombudsmen, cargo que ainda ocupa. O director do jornal, Alan Rusbridger, considerou, em comunicado, que o actual provedor "criou algo que não existia antes, no país, tendo convencido até os mais renitentes do valor da função". Ian Mayes vai dedicar-se agora a escrever um volume sobre a história recente do Guardian, cobrindo o período que vai de meados dos anos 80 à actualidade. Os responsáveis da empresa que edita este diário anunciaram já a intenção de nomear em breve um sucessor para o cargo. A propósito - Que se passa com o Jornal de Notícias, que se mantém mudo e quedo quanto à nomeação do provedor do leitor, desde que o último titular da função terminou o seu mandato em final de Janeiro passado? Que terá feito o anterior provedor para que em nove meses a empresa não tenha conseguido (ou querido) dar à luz um novo nome?

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Através do Transnets, é interessante acompanhar as leituras de Francis Pisani sobre o acordo de cooperação que a Microsoft assinou ontem com a Novell, empresa ligada a soluções "open source". Gostei deste "recuerdo" de Pisani: "'Jadis' Ballmer [CEO da Microsoft] avait qualifié Linux de 'cancer' qui affecte la propriété intellectuelle de tout ce qu'il touche. Il a déclaré hier: 'Je réalise parfaitement que Linux joue un rôle important dans l'infrastructure de nos clients et qu'il continuera à jouer un rôle important".

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Recentemente o universo da Second Life esteve em foco, quando a Reuters decidiu "destacar" para lá um dos seus jornalistas. Partindo da frase de Rimbaud de que "a verdadeira vida está ausente", José Saramago reflecte sobre as razões de deslocação para essa "surrealidade" (da Second Life), como se pode ver e ouvir no vídeo de Radiocable.com (via Periodistas 21), disponível no YouTube:

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A Medill School of Journalism em colaboração com a Online News Association acaba de tornar públicos os resultados do estudo "The Roles of Journalists in Online Newsrooms", coordenado por C. Max Magee. Realizado através de inquérito junto de 438 pessoas que trabalham em redacções online, o estudo propõe-se "definir as competências e ccaracterísticas necessárias às redacções digitais". Um resumo das conclusões:

"The picture that emerges from this study is of journalists who must be well-versed in many aspects of journalism and technology, rather than experts in one or two types of tasks. For online journalists and their managers, this report will provide a look at the current state of their industry. For future online journalists, this report will give an idea of which skills are needed to work at an existing news Web site (or to start their own). And for educators, it may help in developing the appropriate curriculum to prepare people to work in this field".

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Livros

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» Felisbela Lopes e Sara pereira (orgs) A TV do Futebol; Porto: Campo das Letras

» Televisão e cidadania. Contributos para o debate sobre o serviço público. Manuel Pinto (coord.), Helena Sousa, Joaquim Fidalgo, Helena Gonçalves, Felisbela Lopes, Helena Pires, Luis António Santos. 2ª edição, aumentada, Maio de 2005. Colecção Comunicação e Sociedade. Campo das Letras Editores.

» Weblogs - Diário de Bordo. António Granado, Elisabete Barbosa. Porto Editora. Colecção: Comunicação. Última Edição: Fevereiro de 2004.

» Em nome do leitor. As colunas do provedor do "Público". Joaquim Fidalgo. Coimbra: Ed. Minerva. 2004

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