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Jornalismo digital: Congresso de Huesca publica livro Ramón Salaverría dá-nos a chave para aceder a dois documentos importantes. Um é Fernando Sabés Turmo (2006) Análisis y Propuestas em torno al Periodismo Digital. Zaragoza: Asociación de la Prensa de Aragón. Recolhe em livro digital 28 das comunicações seleccionadas para serem apresentadas esta semana (quinta e sexta-feira) na sétima edição do conhecido Congresso Nacional de Periodismo Digital, de Huesca, Espanha. A título de curiosidade: o capítulo "Ciberperiodismo y Universidad: la Inclusion Curricular del Periodismo On-line", da autoria de Santiago Tejedor Calvo, docente da Universidad Autónoma de Barcelona, constitui um resumo da tese de doutoramento que este académico vai defender quarta-feira, na sua Universidade, precisamente sobre o modo como os cursos de jornalismo das Universidades espanholas estão a preparar os futuros profissionais para trabalharem em ambiente de redes digitais. É esse um dos trabalhos que tenho andado a ler, nestes dias.

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"Jornalistas multimedia": um estudo europeu O segundo documento, que descobri na mesma fonte, é o seguinte: - Hans Paukens/Sandra Uebbing (Eds.) (2006) Tri-Medial Working in European Local Journalism . Deutsche Hörfunk Akademie. Trata-se da publicação de uma pesquisa financiada pelo programa Leonardo da Vinci, da União Europeia, que se debruça sobre a situação e desafios da formação multimedia de jornalistas, em contextos empresariais ou de grupo de reduzida escala. Do texto introdutório, retiro esta nota de apresentação: "For the recent years, the slogan 'one content, all media' has been mirroring the transformation of journalistic working in Europe. At the same time, it reflects strategies of media companies to produce content only once and then to exploit it on distinct medial publishing platforms via digital technologies. For journalists, the producers of those journalistic products and contents, this development means a continous alternation of their professional profile and an increasement of various multi-medial skills which the media market requires. Thus, journalists additionally need to acquire multi-medial competences that enable them to keep up with the rapid transformations of the media industry".

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Revista espanhola cria Conselho de Leitores A revista semanal espanhola Tiempo, pertencente ao grupo Zeta, acaba de anunciar a criação de um Conselho de Leitores, ao mesmo tempo que reestrutura o seu grafismo e conteúdos. A justificação da medida foi assim apresentada pelos responsáveis da publicação: "La revista Tiempo no sólo apuesta por dar voz a la opinión de los lectores, sino que quiere dar un paso más en la interactividad que es imprescindible para que un medio de comunicación consiga ser interesante, necesario y forme parte de las herramientas del ciudadano para ejercer su responsabilidad en lo que ocurre a su alrededor. Por eso, creamos una nueva figura colectiva, el Consejo de Lectores, compuesto por lectores de esta revista que desean tener voz y voto en los contenidos de la misma". A constituição do Conselho será feita mediante selecção a partir de inscrições na página web da revista. O grupo seleccionado será, durante seis meses, o porta-voz de críticas, sugestões e opiniões dos leitores, dispondo de um espaço semanal para esse fim e de acesso directo á Direcção editorial. Após esse período procede-se à rotação dos membros constituintes, o que é justificado como forma de acautelar a pluralidade de vozes. (Fonte: El Mundo)

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Leituras atrasadas

ACT. (27.2): No Agoravox vem este texto de resposta a Rumsfeld: "Non, Monsieur Rumsfeld, le mensonge comme vérité ne peut triompher...". O tom: "Le ministre de la défense des USA, dans un article paru dans Le Figaro du 24 février 2006, réfléchit à haute voix sur la manière de gagner la guerre des médias, parce qu?en vérité, il a peur de perdre tout simplement la guerre".

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Quando os jornais servem para nos ajudar a repensar a nossa condição humana... O editorial de José Manuel Fernandes (Público de hoje) é, de um ponto de vista humanista, um texto de referência. Partindo do caso que ontem dominou a actualidade nacional - o presumível crime de um grupo de 14 adolescentes no Porto - , o que o director do Público nos oferece é uma intrigante reflexão sobre a "finíssima a linha que separa a vida civilizada da inumanidade brutal".

«De certa forma, a violência silenciosa que todos os dias dezenas de famílias praticam quando abandonam um dos seus idosos num hospital, violência para que encontram muitas "justificações", é apenas outra face da mesma natureza humana. É a inumanidade que, se não for contrariada de forma permanente, sobreleva o que preferimos ver como o carácter único destes seres a que chamamos humanos. Não discutam, pois, apenas castigos, molduras penais, modalidades de inquérito, meios à disposição de instituições como aquela de onde saíram os jovens, ruínas urbanas ou, até, as culpas das famílias. Entenda-se antes que o nosso lado sombrio pode emergir a todo o momento e que só o domesticamos com regras, com o estabelecimento de limites, com o percebermos que a maior manifestação de virtude é a autocontenção. Com apreendermos o sentido mais profundo da palavra paz, o que lhe deu Santo Agostinho: tranquilidade na ordem, sendo que, se a ordem começa nos nossos sentimentos, a tranquilidade resulta de vivermos bem na pele que temos.»
Que bom quando os jornais também servem para nos ajudar a repensar a nossa própria condição humana, tantas vezes incivilizada e, paradoxalmente, inumana...

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Congresso de Jornalismo Social Está agendado para os dias 20, 21 e 22 de Março, na Fundação Luso-Americana, o quinto congresso da Associação CAIS. A edição deste ano é dedicada ao Jornalismo Social. Apesar de ainda não estar completamente confirmado, o programa contará com a presença de Cristina Amaro (SIC), Mafalda Eiró e Carlos Andrade, Emídio Rangel e Joaquim Vieria, entre outros. [Informação do Sindicato dos Jornalistas]

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ATRIUM muda de endereço O blogue Atrium - Media e Cidadania, animado por Luís António Santos, tem novo endereço. A partir de agora passa a estar disponível em http://www.atrium.wordpress.com. O novo espaço tem um layout francamente mais simpático, que parece permitir também uma melhor organização dos assuntos por categorias. Gostei bastante do resultado! (A propósito, o post colocado por Luís Santos ontem à noite, sobre a "nova cara" da informação da SIC, é particularmente interessante. Um bom pretexto para espreitar a "nova cara" do Atrium!) [Tomei de "empréstimo" esta imagem disponível no Atrium antigo...]

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Ainda a rusga ao 24 Horas Os incidentes da semana passada na redacção do jornal 24 Horas vão ocupar a próxima edição do Clube de Jornalistas na TV. Pedro Tadeu, director do 24 Horas, Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas, e Paulo Sá Mesquita, magistrado do Ministério Público, são os convidados desta edição, moderada por Ribeiro Cardoso. [Amanhã, na Dois, às 23h30].

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Diário de Notícias número 50 000 Quase tão especial como a data da fundação do jornal, o número 50 mil é, de facto, muito honroso para o "Diário de Notícias", que se publica desde 1864. No editorial desta edição, António José Teixeira diz que «o DN foi, e é, um participante activo na vida pública. Não apenas no espaço das suas páginas, mas no contacto directo com os cidadãos.» E promete: «Com a liberdade e a independência dos seus fundadores, não esquecendo as melhores práticas dos que se lhes seguiram, o Diário de Notícias continuará noticioso, crítico e interveniente.»

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Leituras na blogosfera

  • A série de notas que Leonel Vicente tem vindo a publicar, no Memória Virtual, sobre "A blogosfera em 2005" (vai no número XIV e no mês de Junho). Notável, esta memória virtual.
  • Os dois posts dos últimos dias do Retórica e Persuasão sob o título genérico "Mitologia jornalística". O mote pode ser encontrado aqui: "Caiu o mito da objectividade? Óptimo. Caia o mito. Mas segure-se a objectividade porque só ela nos pode livrar de um mito muito pior: o mito da subjectividade". A fundamentação remete-a o autor para um seu outro (pré-)blogue Textos de Américo de Sousa.
  • A série de notas em que, desde o dia 11, Francisco Rui Cádima, no Irrea lTV, tem vindo a recordar casos de censura no Portugal democrático (Ireal TV que se abriu aos comentários, o que é de saudar).

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"Comunicação Pública" - nova revista da ESCS A Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), do Politécnico de Lisboa, acaba de lançar a sua revista científica, intitulada "Comunicação Púbica". Dirigida por António Belo, inclui, neste número inaugural, artigos sobre a guerra do Iraque na televisão, a morte de Diana, a comunicação organizacional, os públicos, as relações públicas e o audiovisual e publicidade. Segue-se um dossier sobre estudos do consumidor e, a fechar, notas de leitura. Diz-se na apresentação: "nao [é] apenas mais um projecto que venha ampliar os meios já existentes neste domínio, mas um espaço de publicação concebido com a pretensão de acolher trabalhos de investigação, ensaios teóricos e notas críticas que, independentemente da diversidade de perspectivas, linguagens, contextos e objectivos que os caracterizem, façam das formas de comunicação o seu objecto comum". Com a próxima publicação da revista "Comunicação e Cultura", da Universidade Católica, são mais dois títulos de publicações científicas da área das ciências da comunicação.

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Compreender o incompreensível " (...) Sim, é verdade, já não entendemos nada do mundo em que vivemos e as categorias perderam a sua pertinência. Alguém que queira ler o jornal e entender os acontecimentos vai deparar com a uma confusão considerável que de certo modos nos angustia. Que é que tudo isto significa? (....) Ler o jornal é encontrar pistas diversas para compreender o incompreensível e viver precisamente com esse incompreensível aceitando-o tal como se propõe na sua multiplicidade. (...) Como é que se continua a ler, escrever e pensar quando muitos de nós não percebem nada disto?" Eduardo Prado Coelho, Público, 20.2.2206

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Silêncio insuportável Começa a tornar-se insuportável o silêncio em torno do que se passou, na semana passada, com a Polícia Judiciária no jornal "24 Horas", já considerado dos casos mais graves do pós-25 de Abril. Temos ouvido, nos últimos dias, comentários de peritos e de importantes agentes do sistema judicial que começam a aventar a ideia de que se tratou de uma vindicta contra aquele diário e, por arrastamento, contra o jornalismo independente. Não houve explicações e muito do que, entretanto, se passou apenas adensou o caso. Salvaguardando sempre que nem os jornalistas nem os media se podem colocar acima da lei, o caso adquiriu contornos tais que a sociedade civil tem de continuar e amplificar a exigência de esclarecimentos públicos. Depois de o Presidente da República se ter atravessado no caminho deste processo, através de uma mensagem ao país e de uma exigência ao procurador-geral, aguarda-se com expectativa o que publicamente irá fazer, caso mais ninguém o faça. Este é um caso daqueles casos que poderá deixar indelevelmente manchada uma magistratura presidencial.

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ERC: a (grande) parte que cabe aos nomes escolhidos Da semana passada, fica esse acontecimento (relativamente discreto) da entrada em funções da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC). Do ponto de vista das políticas de comunicação, para o bem ou para o mal, será uma entidade que marcará os próximos tempos e merece ser acompanhada com atenção. As circunstâncias em que inicia a sua actividade não foram as desejáveis. Qualquer cidadão que estivesse na pele dos cinco membros não acharia graça ao atabalhoamento com que os dois principais partidos lidaram com a situação. Como é óbvio, não é fácil chegar à lista definitiva dos nomes, quando é necessário negociar nome a nome. E, uma vez decidido o que ficou definido em sede de revisão constitucional e, depois, em lei do Parlamento, seria quase inevitável haver cedências de parte a parte. Mas o modo como se faz as coisas frequentemente afecta ou corre o risco de afectar as próprias coisas. Dito isto, resta-nos, em grande medida, apostar num ponto importante: a independência, o rigor, a transparência e o estilo do trabalho da nova Entidade vão depender, em boa medida, dos próprios escolhidos. E isso são eles que o vão fazer e mostrar.

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Duas entrevistas Por razões completamente diferentes, apraz-me chamar a atenção para duas entrevistas publicadas nos últimos dias. Uma está hoje na edição do Público: o pretexto foram os cinco anos de entrevistas em "Pessoal e Transmissível", do jornalista da TSF Carlos Vaz Marques. Um respiro. Outra vem na Visão de quinta-feira e a entrevistada é Margarida Marante. Por vezes o silêncio é o caminho mais aconselhável diante do que vemos, ouvimos ou lemos. Mas há aqui demasiado silêncio. Um suspiro.

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Pensar a crise do jornalismo Sugiro a leitura do artigo "La crisis del periodismo: Cierta muerte anunciada", do académico português José Manuel Nobre-Correia, que vem publicado no mais recente número da revista espanhola Telos. O resumo: "La evolución de los medios de comunicación desde hace medio siglo evidencia que el periodismo está atravesando una crisis o, por lo menos, que sufre una profunda mutación y que su ejercicio se hace cada vez más problemático. No se encontrará, lisa y llanamente, en vísperas de su desaparición como profesión dirigida al 'gran público'?" ACT. (19.2): O jornalista João Alferes Gonçalves alerta este blogue para o facto de o texto de Nobre-Correia ter sido publicado, já há meses, na "Jornalismo e Jornalistas" nº 22 e encontrar-se no site do Clube de Jornalistas desde Setembro de 2005. "Talvez seja mais fácil para os eventuais interessados lê-lo em português", nota com humor o jornalista. E tem razão.

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AACS critica Rui Rio, no seu último comunicado A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) considerou, no comunicado da sua derradeira reunião, hoje divulgado, que as "?Linhas de Orientação da Câmara do Porto com a Imprensa" contêm aspectos que, na sua aplicação, "podem contender com o direito à informação e o dever de informar, tal como consagrado na nossa Constituição e na Lei de Imprensa". Reconhecendo embora à Câmara Municipal o seu direito de definir normas de relacionamento para com a generalidade dos órgãos de comunicação social, a AACS deliberou recomendar ao Presidente da Câmara Municipal do Porto que "reveja (...) as mencionadas regras de relacionamento".

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Mau presságio para a nova ERC? O Sindicato dos Jornalistas não vai estar presente na cerimónia de tomada de posse da nova Entidade Reguladora da Comunicação - marcada para daqui a pouco, às 16h00. Em carta dirigida ao presidente da Assembleia da República, o SJ manifestou a sua oposição às «opções seguidas pelo Governo e pela maioria parlamentar, quanto à composição e forma de designação dos membros do Conselho Regulador da ERC, à propositada marginalização dos jornalistas e dos seus representantes e, enfim, à forma como foi cooptado o quinto elemento do referido Conselho Regulador».

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Já saiu a lei sobre provedores na RDP e RTP Foi publicada na terça-feira, no Diário da República, I Série, a Lei n.º 2/2006, que institui o cargo de Provedor do Ouvinte e de Provedor do Telespectador respectivamente na RDP e na RTP. O diploma inscreve estas funções no texto da Lei n.º 33/2003 de 22 de Agosto, que aprova a reestruturação do sector empresarial do Estado na área do audiovisual. Mesmo que o Conselho de Administração da Rádio e Televisão de Portugal seja lesto a fazer as nomeações, vai demorar ainda algum tempo até que os indigitados iniciem funções, visto que carecem de um parecer de carácter vinculativo por parte do Conselho de Opinião. O Provedor do Ouvinte e o Provedor do Telespectador são designados de entre "pessoas de reconhecido mérito profissional, credibilidade e integridade pessoal, cuja actividade nos últimos cinco anos tenha sido exercida na área da comunicação".

Compete ao Provedor do Ouvinte e ao Provedor do Telespectador:

  • a) Receber e avaliar a pertinência de queixas e sugestões dos ouvintes e telespectadores sobre os conteúdos difundidos e a respectiva forma de apresentação pelos serviços públicos de rádio e de televisão;
  • b) Produzir pareceres sobre as queixas e sugestões recebidas, dirigindo-os aos órgãos de administração e aos demais responsáveis visados;
  • c) Indagar e formular conclusões sobre os critérios adoptados e os métodos utilizados na elaboração e apresentação da programação e da informação difundidas pelos serviços públicos de rádio e de televisão;
  • d) Transmitir aos ouvintes e telespectadores os seus pareceres sobre os conteúdos difundidos pelos serviços públicos de rádio e de televisão;
  • e) Assegurar a edição, nos principais serviços de programas, de um programa semanal sobre matérias da sua competência, com uma duração mínima de 15 minutos, a transmitir em horário adequado;
  • f) Elaborar um relatório anual sobre a sua actividade.

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Conselho Deontológico "iliba" directora da Lusa Num dos raros pareceres emitidos nos últimos anos sobre questões do seu foro, o Conselho Deontológico (CD) do Sindicato dos Jornalistas apoiou hoje as posições da Directora de Informação da Lusa, Deolinda Almeida, tendo, ao mesmo tempo criticado o comportamento de três jornalistas e do Conselho de Redacção (CR) da agência. O motivo da tomada de posição foi a polémica suscitada por notícias da Lusa sobre a cobertura da rede escolar com acesso à Internet de banda larga. A directora de Informação, Deolinda Almeida, assim como o editor de Nacional, haviam sido acusados de ceder a pressões externas, nomeadamente da parte de uma assessora ministerial. O CD rejeitou ter havido tais cedências. E relativamente à má imagem da agência que, seundo o CR, poderia ter decorrido de correcções a notícias anterirmente publicadas, o mesmo órgão do Sindicato considera que "a ausência de rectificações ou correcções - quando estes se justificam, como foi o caso - é que pode deixar maculada a imagem de isenção, de rigor e de transparência da Agência". Sobre o trabalho das três jornalistas directamente envolvidas na elaboração das peças que originaram a polémica, o Conselho Deontológico considera que elas "não respeitaram o princípio deontológico do contraditório, incorrendo numa falha profissional grave". NOTA - Numa primeira leitura, o parecer do Conselho Deontológicoassenta num pressuposto que pode ser, pelo menos, objecto de debate. O CD considera que as jornalistas não respeitaram o princípio do contraditório. Mas a verdade é que se poderia entender que a procura de informação junto das escolas (esqueçamos agora se bem ou mal recolhida) já constituía o exercício do contraditório, visto que o que estava a ser verificado era se Sócrates estaria a falar verdade, quando disse que todas as escolas se encontravam ligadas por uma rede de banda larga. É claro que, uma vez apurado que havia escolas não ligadas - caso isso fosse certo - as jornalistas poderiam voltar outra vez a confrontar os autores da afirmação inicial. Mas isso poderia significar um interminável processo, susceptível de comprometer, em última análise, a própria notícia. Foi, de resto, assim, que eu entendi, no comunicado do CR, a opinião de que a notícia inicial poderia ter saído sem o contraditório. Se, por hipótese, em vez de recolherem umas informações pelo telefone, tivessem verificado in loco que nem todas as escolas se encontravam ligadas, a notícia não merecia ser publicada? Sublinho que, com isto, não pretendo justificar ou contestar a actuação de qualquer das partes. Acho é que a assertividade do parecer do CD, neste ponto e na circunstância específica, pode comportar alguma debilidade. actualização (a 17.2): HÁ QUALQUER COISA AQUI QUE NÃO BATE CERTO Segundo o Público, o deputado Agostinho Branquinho, do PSD, "acusou ontem a directora de informação da agência Lusa, Deolinda Almeida, de ser 'comissária política do Governo', atendendo à sua actuação perante o tratamento noticioso da instalação de Internet de banda larga nas escolas públicas. Numa intervenção realizada no período antes da ordem do dia, na Assembleia da República, o deputado (...) frisou ainda que a responsável 'insultou', num 'claro acto de intimidação', as três jornalistas que contactaram responsáveis por diversas escolas que asseguraram não ter acesso à banda larga". Ora acontece que a directora de Informação da Lusa só hoje vai ser ouvida no Parlamento, para esclarecer precisamente os aspectos sobre os quais o deputado Branquinho já tem conclusões. Isto é aceitável?

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Balsemão interessado na PT Multimédia Pinto Balsemão vê na OPA lançada pela SONAE uma oportunidade de negócio, interessando-lhe sobretudo a PT Multimédia. A notícia está no Expresso online que cita uma entrevista dada à Reuters pelo presidente da Impresa. Segundo esta fonte, Balsemão "considera a OPA positiva para o sector dos media e acredita que esta poderá dinamizar a gestão e a estratégia da TV Cabo". Entende, por outro lado, que "a PT, tal qual a conhecemos, acabou, sendo previsível a separação das redes de cobre e cabo".

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A rusga ao 24 Horas: inquietações As buscas na redacção do 24 Horas e na casa de um jornalista free lance, relacionadas com a revelação de alegadas escutas a políticos e altos dirigentes do Estado deixam implícita uma mensagem perturbadora. Perante o choque que a revelação do 24 Horas desencadeara e perante, nomeadamente, a iniciativa do presidente da República de convocar o procurador-geral e exigir um inquérito urgente, aquilo que vem a público resume-se no seguinte: o procurador-geral a declarar, um mês depois, que a investigação demorará o tempo que for necessário; e a polícia judiciária, logo a seguir, a vasculhar os mensageiros das notícias (cf. a este propósito, o editorial "Matem o Mensageiro", de José Manuel Fernandes). Resta saber de qual das investigações a apreensão dos computadores dos jornalistas faz parte: se da que averigua como o 24 Horas conseguiu acesso à informação, se daquela que visa esclarecer as circunstâncias das alegadas escutas. Um aparte para os jornalistas: este caso mostra (como outros recentemente já tinham mostrado) que a tecnologia constitui um elemento-chave na protecção da confidencialidade das fontes. Estar-se-á a perceber todo o alcance e consequências do facto?

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Blogues: encontros no Porto e em Madrid Na Universidade do Porto, a 13 e 14 de Outubro, terá lugar o 3º Encontro Nacional sobre Weblogues. Os organizadores, sob a coordenação de Fernando Zamith, abriram já o respectivo blogue e anunciaram uma das guest stars: Jose Luis Orihuela. Os tópicos em torno dos quais poderão ser apresentadas comunicações (resumos alargados: até 15 de Maio) são os seguintes:

  • Impacto social dos weblogs
  • Weblogs como forma de comunicação
  • Ferramentas sociais ou colaborativas no contexto dos weblogs
  • Aplicações práticas de weblogs (ensino, organizações, investigação)
  • Weblogs em Portugal (estudos, inquéritos, casos práticos, serviços)
  • Tecnologias e conceitos emergentes (RSS, Podcast, Vblogs, Web2.0)
  • Outros tópicos.
Entretanto, a Universidade Complutense de Madrid tem abertas inscrições para o Congresso Internacional de Blogues e Jornalismo na Rede, que se realiza em 26 e 27 de Abril. A inscrição para participar é gratuita. Eis a lista das secções em que se estrtura a iniciativa: GT-1: Cultura digital en los medios GT-2: Weblogs y bloggers periodísticos GT-3: Plataformas blog y bitácoras en español GT-6: Bloggers vs. Periodistas bloggers GT-8: Modelos de negocio de los medios en la Red GT-9: Los Blogs como medio alternativo y fuente de información GT-10: Blogs en la Administración y en los procesos electorales. GT-12: Tendencias de la prensa en Internet GT-13: Analfabetismo tecnológico y brecha digital GT-14: Audiencia, participación ciudadana y comunidades de Blogs GT-15: Formación y Perfiles profesionales que demanda el mercado de la información GT-16: Los blogs como estrategia docente GT-17: Blogs y hacking ético GT-18: Legislación y contenidos online GT-19: El periodismo ciudadano sin cortapisas GT-20: Periodismo especializado en Internet GT- 21: Blogs y confidenciales en la Red GT-22: Periodismo multimedia y multiplataforma GT-23: Calidad, ética, credibilidad y fiabilidad de la información online GT-24: Televisión digital vs. Videoblogs GT-25: Radio en internet vs. Radioblogs.

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Comunicação Estratégica Acaba de sair o número 8 da Revista Comunicação e Sociedade (do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho), dedicada à temática da Comunicação Estratégica. Reunindo trabalhos de diversos investigadores nacionais e estrangeiros, este volume contém ainda registo dos trabalhos apresentados no seminário internacional "A comunicação persuasiva: como a perspectivam académicos e profissionais?", realizado na Universidade do Minho em Outubro de 2004, bem como uma entrevista a Gunther Kress, professor do Instituto de Educação da Universidade de Londres. (Edição da Campo das Letras).

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"Dez leis do Abrupto sobre os debates na blogosfera" Pacheco Pereira iniciou a publicação de um conjunto de princípios que devem, ao que parece, para o Abrupto, reger os debates na blogosfera. Transcrevo da dezena anunciada as primeiras seis leis já publicadas:

  1. «Evitar discutir a Posição, procurar atacar a Contradição.»
  2. «A ferocidade dos comentários está em relação directa com o seu anonimato mais o número de comentários produzidos por metro quadrado de ecrã / dia.»
  3. «A esmagadora maioria dos temas, comentários, reacções, alinhamentos, posições é absolutamente previsível.»
  4. «A blogosfera tem horror ao vazio.»
  5. «O carácter lúdico dos blogues diminui à medida que a importância da blogosfera aumenta na atmosfera.»
  6. «O tribalismo é a doença infantil da blogosfera.»

[Continua... Para acompanhar...]

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Tendências dos media em Espanha "Tendencias '06 Medios de Comunicación - el Año de la Televisión" é o título do relatório de perto de 500 páginas e mais de 40 capítulos, a que há dias o Irreal TV já fez referência e que acaba de ser disponibilizado pelo portal Infoamerica.org. Patrocinado pela Fundação Telefónica, desenha as tendências nos planos da imprensa (jornais e revistas, incluindo o fenómeno dos gratuitos), rádio e TV. Os capítulos sobre os meios da web são pouco expressivos no conjunto. Participam, entre muitos outros, nomes como Bernartdo Díaz Nosty (que coordenou), Enrique Bustamante, Victoria Camps, María José Cantalapiedra, Román Gubern, Daniel E. Jones, Miquel de Moragas e José Manuel Pérez Tornero. Referindo-se a matéria publicads neste volume, escreve o El Mundo que "Dos estudios advierten de la creciente 'espectacularización' de las noticias en televisión". Refere-se a 'La huella es el mensaje', de Díaz Nosty e a 'La agenda de los noticiarios', de Teodoro León Gross.

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tv menos Sobre as reformulações introduzidas pela TV Mais, que o DN apresenta como "lifting geral":

"Se aparecem na televisão e são reconhecidos pelos leitores, então também nós vamos falar deles, das suas vidas", resume Carlos Maciel [director da revista], considerando que estas serão, a partir de agora, duas condições essenciais para que as "estrelas" figurem nas páginas da revista. A informação televisiva propriamente dita fica relegada para segundo plano, abrindo antes as páginas aos rumores semanais sobre casamentos (des)feitos, operações de beleza, paixões e desavenças dos mais glamourosos do País e do mundo.

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"A guerra das civilizações não existe" Não sei se "A guerra das civilizações não existe", como pretende Miguel Gaspar, num texto do DN que infelizmente não se encontra disponível na edição online. O que ele quer dizer é que "O mote da 'guerra das civilizações' é aceite acriticamente pelos media", apesar de não ser "mais do que um rótulo perigoso aplicado para simplificar uma realidade dificil de racionalizar".

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Primeira página do DN A mim causou-me alguma estranheza que o DN não trouxesse hoje, na sua primeira página, nem sequer através de uma chamada, o assunto do vídeo dos soldados britânicos a maltratar, de forma sádica e brutal, três jovens alegadamente iraquianos. Parece que no vídeo faltam elementos que podem contribuir para contextualizar a cena, sem lhe retirar aparentemente gravidade. Em todo o caso, o momento em que ele é tornado público acrescenta-lhe densidade noticiosa. Ou não? (Esta observação não retira, em nada, os méritos de algumas matérias exclusivas do DN de hoje que bem merecem figurar na primeira página, e nomeadamente a manchete - "Dois terços das escolas já têm alunos estrangeiros").

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Tabloidização do jornalismo A próxima edição do programa Clube de Jornalistas debate a tabloidização do jornalismo português, da imprensa escrita à informação televisiva. O programa, moderado por João Paulo Meneses, conta com três convidados: Pedro Tadeu, director do 24 Horas, Frederico Duarte Carvalho, jornalista, e José Jorge Barreiros, sociólogo da comunicação. [Na Dois, dia 15, às 23h30].

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Lançamento de obras no campo dos media

A Tragédia Televisiva, da autoria de Eduardo Cintra Torres, tem a sua apresentação pública marcada para amanhã (dia 14 de Fevereiro), pelas 18 horas, na Livraria Bulhosa do Campo Grande, em Lisboa. Esta obra, publicada pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, resulta da tese de mestrado que o autor, também Crítico de Televisão do jornal "Público", defendeu no ISCTE. Jornalismo, Grupos Económicos e Democracia é o novo livro do investigador Fernando Correia. O lançamento da obra, editada pela Caminho, está marcado para o dia 15 (4ªfeira), pelas 18h30, na sala Veneza, Hotel Roma, em Lisboa. A TV de proximidade e os novos desafios do espaço público, da autoria de Pedro Coelho, tem a sua sessão de lançamento marcada para o dia 16 (5ª feira), pelas 18 horas, na livraria Parlamentar da Assembleia da República. Esta obra, publicada pelos Livros Horizonte, resulta também de uma tese de mestrado que o jornalista da SIC apresentou na Universidade Nova de Lisboa.

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O problema do outro "Diz o ditado que se se ignorar a história, corre-se o risco de a repetir. Mas não é por a conhecer que se sabe aquilo que se deve fazer". Tzvetan Todorov (1997) La conquista de América: el problema del otro, p. 264.

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Radio Vaticano emite há 75 anos Foi a Guiglielmo Marconi, considerado o inventor da rádio, que o papa Pio IX atribuiu o encargo de lançar a Rádio Vaticano. Na tarde do dia 12 de Fevereiro de 1931, o bispo de Roma enviou, através do novo meio, uma mensagem ao mundo ... em latim. Hoje a Radio Vaticano emite em 4o idiomas, em onda média, FM e onda curta, começou a lançar as suas emissões via satélites Intelsat e através do seu site é possível utilizar RSS e podcasts.

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Manifesto sobre o Jornalismo Não à objectividade, sim à integridade G. Pascal Zachary, um jornalista veterano, com mais de 25 nos de profissão, nomeadamente na revista Time e no Wall Street Journal, acaba de publicar "A Journalism Manifesto" que merece ser lido. Põe em causa os fundamentos do "jornalismo mainstream", assentes na ideia de equilíbrio e objectividade, defendendo, em contrapartida, como ideais da profissão a "integridade" e a transparência. "Declarem a vossa agenda. Todos têm uma", aconselha. Alguns excertos:

"(...) The internet demolished the journalism herd, driving holes into the fraternity's defenses and exposing most journalists as poorly prepared, fearful of making grievous errors and reading from a brief and superficial script. Blogs and other forms of "citizen" journalism can never replace the breadth and quality of professional journalism, but the immediate effect of this torrent reportage has been to destroy the credibility of mainstream journalism. A revolution in journalism is underway and its outcome is not even in view. For a long time the causalities will mount. Journalism's "big dogs" will suffer even as they maintain the enormous influence. (...) Change is needed, now. It is already clear that a new journalism ethos is required, a new way of thinking and acting that acknowledges the criticisms from the Left and the Right while at the same time presenting a powerful new rationale for journalistic professionalism and independence. (...) Journalists are human beings first, not special creatures that are above the normal loyalties of life. Journalists should be subject to all the normal constraints of ordinary citizens. They should benefit from all the normal freedoms of ordinary citizens. If these freedoms are not enough to support an informed and energetic journalism, then the normal standards for all citizens must be raised. For too long journalists have asked for and received special treatment -- notably from government and from their sources. Professional journalism cannot rest on special privileges but on superior performance".

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"Teoria e prática devem andar juntas" Com o título "Teoria e prática devem andar juntas ", o jornalista Luiz Carlos Santos Lopes escreve no último Observatória de Imprensa um texto de que respigo: "Os profissionais da área têm que buscar conhecimentos além dos que a prática do trabalho e a teoria das faculdades lhes deram, caso contrário sua visão de mundo vai ficar cada vez mais limitada. Por isso, devem procura pensar um novo tipo de jornalismo que possibilite atualizar conhecimentos para produzir conteúdos de melhor qualidade. Em todas as profissões a dicotomia teoria e prática está presente. No jornalismo, não pode ser diferente. Ser jornalista não é apenas saber escrever, isso qualquer um com habilidade pode fazer. É preciso mais. É preciso uma formação universitária que lhe dê o embasamento cultural necessário para ampliar a visão do mundo que o cerca e aprender que a habilidade em usar as palavras pode informar e construir, ou desinformar e destruir. (...) A prática é outra condição essencial para a formação do jornalista. É no dia-a-dia que ele aprende a distinguir o que é notícia, já que '(...) as notícias são a matéria-prima do jornalismo, pois somente depois de conhecidas e divulgadas é que os assuntos aos quais se referem podem ser comentados, interpretados e pesquisados, servindo também de motivos para gráficos e charges', de acordo com Mário Erbolato".

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World Press Photo 2005 world press photo 2005 O prémio da melhor fotografia de imprensa de 2005 acaba de ser atribuída ao repórter canadiano pela World Press Photo. A imagem foi distribuída pela agência Reuters, intitula-se "Mãe e Filho" e foi tomada num centro de emergência alimentar em Tahoua (Níger), a 1 de Agosto. (Fonte da notícia e da foto: El País)

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Encontro sobre actividades de pesquisa orientada na Web webquestA Universidade do Minho organiza, em 20 de Outubro próximo, um Encontro sobre WebQuest, termo criado por Bernie Dodge e Tom March, que a sua principal dinamizadora, a Prof. Ana Amélia Amorim Carvalho, define como sendo um "site com actividades para serem resolvidas em grupo, cujos recursos estão preferencialmente na Internet", tendo "a vantagem de proporcionar actividades de pesquisa orientada nos sites". O programa pode ser consultado aqui (para apresentar comunicações, o prazo termina em 31 de Maio), tendo sido igualmente criado um blogue de acompanhamento da iniciativa. Informação complementar sobre webquest: - The Webquest Page - Webquest News.

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Sobre as notícias da Lusa relativas à banda larga em "todas as escolas" O Sindicato dos Jornalistas considera o inquérito instaurado pela Administração da Lusa ao incidente relacionado com iniciativas jornalísticas sobre a cobertura das escolas portuguesas com rede de banda larga uma "condenável desautorização da hierarquia da Direcção de Informação e uma ingerência ilegítima da Administração num domínio que não é o seu". Sobre esta matéria, vale a pena ler, na zona de comentários do post aqui publicado no dia 7, os esclarecimentos prestados por uma jornalista da Lusa (actualmente com funções de coordenação).

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Blogosfera continua a crescer O mais recente relatório da Technorati sobre o estado da blogosfera, divulgado há poucos dias, mostra que os blogs não são apenas uma moda passageira, como tem vaticinado muito boa gente. De acordo com Dave Sifry, a blogosfera é neste momento 60 vezes maior do que era há três anos, e em média são criados 75 mil novos blogs por dia. Mesmo descontando a existência de blogs que são abandonados pouco tempo depois da sua criação, ou os blogs criados automaticamente com objectivos de spamming, é de salientar que, segundo os dados da Technorati, 13,7 milhões de bloggers ainda publicam posts passados três meses da criação dos seus blogs - tendo em conta que o universo seguido pela empresa é de 27,2 milhões de blogs, não deixa de ser um número considerável. Para além da dimensão do fenómeno, um outro aspecto interessante é a correlação entre certos acontecimentos mediáticos e o aumento de posts publicados. Os pontos altos, no último ano e meio, foram o furacão Katrina, o ataque terrorista em Londres, e as audiências que levaram à confirmação do juíz Samuel A. Alito Jr. para o Supremo Tribunal norte-americano. O gráfico não permite efectuar comparações absolutas - já que, por exemplo, quando há mais de um ano ocorreu o tsunami no oceano Índico, o número de blogs existentes não era tão elevado como é hoje - mas mesmo assim não deve ser deixado de lado.

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Caricaturas de Maomé: liberdade, pedagogia e responsabilidade Os jornais diários oferecem-nos hoje uma profusão de textos de reflexão sobre o caso das caricaturas de Maomé, maioritariamente defensores da posição de que a liberdade de expressão prevalece sobre tudo o resto. Eis as sugestões de leitura: - Pacheco Pereira: Mais vale verdes do que mortos (Público) - Augusto M. Seabra, Em louvor da blasfémia (Público) - José M. Fernandes, Liberdade e lei, ética e moral (Público) - Mário B. Resendes, O caso da fotografia assassina (DN) - Luciano Amaral, A estranha morte do Ocidente (DN) - Artur Costa, Ceder ou ponderar? (JN) - Francisco José Viegas, Ele ofende-nos.(JN). É de facto uma enorme conquista podermos ouvir-nos e ler-nos uns aos outros, de forma civilizada, mesmo (e, quiçá, sobretudo quando discordamos), porque é isso que nos permite aprender e alargar horizontes. Grave é quando a forma de resolver as nossas discordâncias e mundividências é a violência e a tirania. Este recurso é condenável. Mas nele não se esgota o problema que temos sobre a mesa. Eu continuo sem compreender porque é que a preocupação com os argumentos e as sensibilidades dos outros há-de ser necessariamente uma cedência ou a confissão declarada do medo. Não valeria mais que nos preocupássemos em salvaguardar aquilo que (fragilmente) conquistamos, sim, mas também em tornar eficaz a defesa dos nossos valores, de modo a que outros os sintam como desejáveis? Mais concretamente: vale mais "fazer peito" a quem nos questiona (e nos ameaça) ou dar força àqueles que, do lado da contestação, não alinham na violência nem na jihad?

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Portugal: o "choque tecnológico" Uma análise dos dados do Netpanel da Marktest permite concluir que o sexo (não apenas a palavra) define os contornos da grande maioria das pesquisas feitas pelos portugueses, ao longo do ano de 2005. A música, os motores de pesquisa, o futebol e os livros (no caso da FNAC, serão os livros?) aparecem também em posições destacadas. Um quadro mais abrangente pode ser consultado na newsletter da Marktest.

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Lançamento de livros no campo dos media

"Espaço Público em Hannah Arendt", da autoria de Carla Martins, tem o lançamento marcado para amanhã (dia 9), pelas 18h30, na sala de Âmbito Cultural no El Corte Inglés, em Lisboa. A apresentação da obra, editada pelas Edições Minerva de Coimbra, será feita por José Bragança de Miranda.
"O Primeiro Dia Europeu de Portugal", um livro escrito por Gisela Machado, será apresentado, no sábado (dia 11), pelas 17h00, na livraria Bertrand do Centro Comercial Dolce Vita, no Porto. A apresentação desta obra, editada pela Campo das Letras, estará a cargo de Jorge Fernandes da Silva.

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"Golden share", "cartoon"... e a clareza das notícias Pelos vistos, a "golden share", a quota mínima mas com privilégios máximos que o Estado detém na PT não será, no plano imediato e por si mesma, um obstáculo à concretização da oferta pública de aquisição do grupo PT pela Sonae. Mas continua a constituir um aspecto importante no negócio. Seria preciso, então, que, para o comum dos mortais, as notícias não recorressem a expressões do tipo "golden share" como se todos fossem peritos em economia, familiares de algum capitalista ou até leitores da imprensa bem rodados. Tenho para mim que uma boa parte da população portuguesa não chega a entender as notícias que os media lhes levam, mesmo aquelas que seria importante que entendesse. Os media podem responder ao problema de vários modos: seguir em frente, esperando que as massas vão atrás; baixar a bitola e reduzir tudo a histórias de bons e de maus, como muita literatura para crianças; ou procurar fazer-se entender, sem deixarem de ser exigentes. A propósito: quantos portugueses saberão o que são "cartoons"?

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"Concentração da propriedade dos media" na Dois "Concentração da propriedade dos media" é o tema do programa Clube de Jornalistas, que será emitido hoje às 23 e 30, na Dois (com repetição amanhã, às 15 horas). Moderado por Carla Martins, o programa conta com as presenças em estúdio de Fernando Correia, jornalista e investigador, Helena Garrido, directora-adjunta do DN, e João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (AIND). Durante a emissão, serão passados depoimentos de Horácio Serra Pereira, do Sindicato dos Jornalistas, Daniel Oliveira, do BE, e Augusto Santos Silva. Segundo o site do CJ, o ministro dos Assuntos Parlamentares adianta, nas suas declarações, que a proposta de lei do Governo sobre a concentração irá ser apresentada em Março para discussão pública, depois de consultados os membros da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social.

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A Imprensa que se cuide "(...) há dois anos, defendi publicamente que os blogues deviam ser reservados aos que não têm acesso às páginas dos jornais. Na altura, fazia-me alguma confusão que pessoas como Pacheco Pereira, ou Pedro Mexia, tivessem colunas nos jornais, 'tempo de antena' em dose generosa, e mesmo assim alimentassem blogues pessoais. (...) Dois anos depois (e muita pancada levada em tudo o que era blogue nacional, como se tivesse criticado o meio em si, o que obviamente não sucedeu...), no momento em que vejo Vasco Pulido Valente chegar à blogoesfera, não resta palavra sobre palavra desse meu texto. Engoli-as todas, uma a uma, humildemente. (...) A comunicação mudou, e a imprensa que se cuide - se se atrasar na adaptação a esta realidade, vai ficar como eu, a ouvir em eco um sonoro 'Dahh!'... " Pedro Rolo Duarte, DN, 8.1.2006

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Lusa: "Índícios de 'cedência' a pressões governamentais" Conselho de Redacção (CR) da Lusa considera, em comunicado emitido ontem, depois de uma reunião com a directora de Informação da agência, que o processo sobre as notícias e desmentidos a respeito da instalação da Internet de banda larga em todas as escolas públicas do país indicia uma caso de "cedência" a pressões governamentais. O comunicado do CR, citado pelo Público, refere que "analisando todo o processo, o CR considera que o mesmo indicia situações de cedência a pressões do Governo, traduzida na difusão das referidas notícias." Vale a pena continuar a acompanhar a notícia do Público: "Para comprovar o 'envolvimento do Governo' na série de notícias e desmentidos sobre o caso, o CR assinala o facto de Dulce Anahory, assessora do ministro do Ciência, ter telefonado a uma das três jornalistas que investigaram as declarações do primeiro-ministro sobre a banda larga, assegurando-lhe que a notícia que dava conta de que nem todas as escolas estavam equipadas com tal sistema seria 'corrigida' por uma das fontes. 'Nesse mesmo telefonema, a assessora disse ainda que a Lusa iria receber de seguida, por telefone, uma série de desmentidos', pode ler-se. A 'rectificação' acabou por ser feita somente por uma das fontes contactadas. O CR nota que Dulce Anahory contactou 'diversas vezes' a Lusa 'quer para falar com as jornalistas autoras da notícia, quer para falar com o editor ou até mesmo com 'um director de serviço'". Mais adiante, escreve ainda o Público: "Confrontada com a posição do CR, Deolinda Almeida disse não ter tido 'conhecimento de qualquer pressão' e sublinhou que 'ouvir todas as partes não significa 'cedência'. Isto, porque a directora de informação defendeu que as jornalistas deviam ter ouvido o Ministério da Ciência quando elaboraram a notícia: a responsável acusou-as de terem redigido informação que foi 'destruída por falta de acompanhamento'. Apesar de concordar com o princípio do contraditório, o CR lembrou que 'neste caso específico a notícia poderia ter saído antes de contactado' o ministério, classificando a mesma como 'um bom exercício de jornalismo e um exemplo de investigação jornalística'. Na morosa reunião do CR foi também ouvido o editor da secção Nacional, António Caeiro, sobre a "nova versão" de uma notícia que contrariava por completo um outra colocada em linha cerca de uma hora antes e assinada pelas mesmas três jornalistas. Nessa notícia, Caeiro citava uma fonte anónima do Ministério da Ciência para 'corrigir' a versão anterior e garantir a banda larga em todas as escolas. De acordo com o CR é 'inaceitável que se corrija uma notícia citando uma fonte não identificada'.

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"O combate da liberdade exige inteligência" "(...) Não há dúvida de que a democracia suporta a falta de sensibilidade e de bom senso e que a liberdade de expressão "é absoluta e não é negociável", como disse o primeiro-ministro dinamarquês. Tal como devem ser absolutamente condenáveis as reacções violentas do mundo islâmico. Não podemos ainda ignorar que alguns imãs aproveitaram as caricaturas para internacionalizar o conflito e criar ambiente de resposta ao "ódio" ocidental. O Irão e a Síria agradecem o pretexto. Mas estas verdades exigem também que se tenha a lucidez de criticar com veemência todos e quaisquer actos humilhantes ou xenófobos. Não podem proibir-se para não nos igualarmos ao obscurantismo despótico, mas devem merecer crítica frontal. O combate da liberdade exige inteligência. A humilhação em nome da liberdade é uma caricatura trágica da nossa civilização". António José Teixeira, Editorial do Diário de Notícias de 7.2.2006

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Sonae lança OPA sobre a Portugal Telecom Numa inesperada operação, a Sonae anunciou hoje o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade do capital da Portugal Telecom (PT). Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), divulgado pela agência Lusa, a Sonae afirma que a OPA incide sobre a totalidade das acções da PT e obrigações convertíveis. A Sonae condiciona o sucesso da operação a obter 50,01 por cento do capital da PT e à restrição dos poderes do Estado na operadora.

É, desde já, surpreendente que uma operação desta envergadura tenha sido mantida no mais absoluto segredo. A ter sucesso, esta OPA significa uma profunda alteração nos sistemas nacionais de telecomunicações e dos media.

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Ainda os cartoons sobre Maomé: Os valores e os modos de os promover Sobre a divulgação dos cartoons representando o profeta Maomé, creio estar a haver alguma confusão de planos. Julgo que ninguém de bom senso ousa pôr em causa a liberdade de expressão e de criação, antes deseja que essa liberdade se estenda a todo o planeta. Por liberdade não entendo apenas a publicação, mas a aceitação da contestação e o confronto de argumentos entre diversas sensibilidades. Ao longo da História da humanidade já se lutou e morreu por causa das imagens. O que hoje vemos não é tanto a ilustração de que a mesma humanidade se encontra em diversos pontos de um mesmo percurso - como se poderia supor a partir de uma visão teleológica da História. Sendo certo que a mesma água não passa duas vezes sob uma ponte, não é menos certo que, num quadro de relações globais e de encontros e desencontros culturais, a História não é irreversível. Um sinal de enviesamento de algumas análises que têm sido feitas a propósito dos cartoons está em que, precisamente em sociedades que se afirmam arautos da liberdade de expressão, valores "mais altos" como a segurança, a luta contra o terrorismo ou a pressão de um cristianismo fundamentalista têm vindo a pôr em causa as mesmas liberdades (com a diferença de que ainda vai sendo possível denunciar essas limitações). No caso em presença, não me parece que a questão revista a simplicidade que lhe atribui um homem inteligente como é Pacheco Pereira, quando escreve que esta "é uma questão de liberdade. Ou há, ou não há". Se a realidade fosse assim cristalina... Mas não é! Mesmo cá, ainda temos muito a aprender no que toca à liberdade. E um uso ostensivo e arrogante da liberdade pode ser, nos seus efeitos, uma ameaça à própria liberdade. É por isso que me parece necessário distinguir, no caso dos cartoons sobre Maomé, entre a primeira publicação e a "onda solidária" que se lhe seguiu: em muitos casos a divulgação acobertou-se pudicamente no argumento de que era preciso mostrar às pessoas o que estava no centro da polémica; noutros casos, de forma mais assumida, quis-se fazer peito, arvorando uma solidariedade que - em alguns casos, pelo menos - raiou a provocação. Ora isto, julgo, pouco tem a ver com liberdade. [Um sinal desta liberdade encontra-se no confronto de posições que, a propósito da posição de Pacheco Pereira, se estabeleceu entre os leitores do Abrupto. E às quais PP tem vindo a dar espaço].

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Bom jornalismo = mau negócio? Poderá o jornalismo de qualidade manter a sua existência, ou terá de se vergar perante as quebras de audiência e consequentes dificuldades financeiras, e alterar os seus conteúdos editoriais? Amos Gelb, docente da American University em Washington DC, apresenta em "New media age, new marketing strategies" (Online Journalism Review) três estudos de caso em que a estratégia de sobrevivência passou por acolher alguns princípios básicos do marketing. Nesses três exemplos estudados (Discovery Times Channel, Washington Monthly e WashingtonPost.com), alguns factores foram identificados como traços comuns na sua actuação: - Compreender o produto; - Conhecer o público-alvo; - Utilizar eficazmente os recursos disponíveis; - Saber responder à concorrência.

"Most of the changes journalists bemoan -- unprecedented media consolidation under corporate ownership, increased competition, new trends in audience usage of news, fragmentation -- reflect a transformation of the media environment, a change to which most journalists don't know how to respond. It is a fundamental change in the relationship between journalist and audience. The failure to adapt to this new relationship has a simple consequence: Many journalists will soon find themselves in another line of work."

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Instituído provedor na TVE e RNE. E na RDP e RDP? A RTVE acaba de instituir o cargo de provedor do telespectador na Televisão pública espanhola (TVE) e na Rádio Nacional de Espanha, segundo noticia El Mundo. O cargo, único para a televisão e a rádio, será ocupado por um ex-jornalista e responsável da TVE, Manuel Alonso Erausquin, autor de várias obras, ligadas à relação entre a TV e as crianças e entre a comunicação e a educação. Escreve o diário espanhol: "Según la cadena pública, la Oficina del Defensor será, "el órgano independiente de que se dota RTVE para el ejercicio de la autocrítica". Entre sus funciones figura "la defensa y el apoyo internos de los derechos de los telespectadores y oyentes del Grupo RTVE" con el fin de "salvaguardar e impulsar la transparencia y democracia en la radio y televisión públicas de ámbito nacional como elementos destacados de credibilidad". El Defensor "dará cuenta trimestralmente al consejo de administración de RTVE de las gestiones realizadas, en un informe que recogerá las quejas, dudas, reclamaciones y sugerencias recibidas y tramitadas". En el portal de RTVE en internet habrá un espacio dedicado expresamente al Defensor del telespectador y del radioyente. El público podrá dirigirse a esta oficina a través de correo electrónico: defensor@rtve.es". A este propósito, é caso para perguntar: que se passa com a designação dos provedores para a televisão e a rádio públicas em Portugal? Porque é que a lei, aprovada na Assembleia da República em Novembro passado, continua, aparentemente, à espera de promulgação em Belém?

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Manifestação da Função Pública em Lisboa Correio da Manhã: Mais de 25 mil pessoas reunidas (o texto da peça especifica que foram "cerca de 25 mil", sem indicar qualquer tipo de fonte). Público: Frente Comum juntou 25 mil pessoas contra o Governo, Bill Gates e a banca (Fontes: "os dados da própria Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (a PSP admitia 20 mil), manifestaram-se ontem em Lisboa contra os aumentos de 1,5 por cento "impostos" pelo Governo"). Público.pt (às 17.11): Entre 15 a 20 mil pessoas na manifestação da função pública ("O primeiro balanço feito por Paulo Trindade [coordenador da Frente Comum] aponta para a participação no protesto de entre 15 mil a 20 mil pessoas, enquanto a polícia fala em cerca de dez mil pessoas") Jornal de Notícias: Manifestação juntou cerca de 25 mil em Lisboa (o texto da peça esclarece que "a estimativa de adesão, divulgada pelos sindicatos, ficou acima dos 15 mil participantes previstos inicialmente.") Observações: - Apenas o Público dá duas versões de fontes distintas; os outros jornais tomam a versão da Frente Comum dos sindicatos como a verdadeira (chegando, como no caso do Correio da Manhã, à "oferta" dos "mais de 25 mil"). - A verdade é que eu ouvi, nas notícias radiofónicas de ontem de manhã, que os organizadores previam juntar 10 mil pessoas. O JN sugere que as expectativas dos dirigentes sindicais eram, afinal, superiores em 50%. - Os cálculos de fontes policiais (quem? o comando no terreno? um simples agente consultado? O porta-voz da PSP?) variam, embora provavelmente a horas diferentes, entre dez e vonte mil. - Tudo sugere que estes números têm pouca credibilidade, sem que isto ponha necessariamente em causa a importância da manifestação. O que põe em causa é o modo de fazer jornalismo. (Quanto ao DN, no momento em que escrevo, a informação ainda não está disponível no sítio web do jornal).

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Western Union acaba com telegramas Aconteceu na semana passada, mas vale a pena assinalar o facto. A empresa norte-americana Western Union deu por terminado o envio de telegramas, ao fim de mais de 150 anos. O artigo, da Associated Press, foi publicado hoje na Wired News: "Telegram passes into history".

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ERC: novas regras de financiamento De acordo com o Jornal de Notícias, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, disse ontem à agência Lusa que as regras de financiamento da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vão ser apresentadas na próxima semana aos operadores e ao actual regulador. A ERC conta já com um financiamento de três milhões de euros do Orçamento de Estado, pois "herdará" o orçamento da AACS "que ronda os 2,2 milhões de euros" e, até 30 dias após a entrada em funcionamento, "terá mais cerca de 700 mil euros" por assumir funções do Instituto da Comunicação Social. "O que está em causa são as formas adicionais", como as taxas aos órgãos de comunicação social. A informação foi conhecida no dia em que os quatro membros do Conselho Regulador, propostos pelo PS e pelo PSD, foram aprovados no Parlamento, faltando cooptar o quinto.

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Foi ou não a cobertura jornalística de Timor-Leste um caso típico do chamado jornalismo de causas? - A perspectiva de Adelino Gomes Adelino"Olhando (...) para o processo no seu conjunto, concluo (...) que os jornalistas, como lhes competia, abriram uma janela por onde o mundo espreitou. Para honra da profissão, o referendo ratificou o seu trabalho ao longo dos anos, E o mundo deixou de ser o cenário para menos uma injustiça." Na intervenção que fez anteontem, na sessão de apresentação do livro de Rui Marques sobre o agendamento de Timor-Leste na imprensa portuguesa, o jornalista Adelino Gomes desenvolveu uma leitura sobre o papel do jornalismo e dos jornalistas que, vinda de quem vem, constitui um documento que merece reflexão e estudo. O jornalista do "Público" começou por manifestar a sua satisfação "com o trabalho em si e o seu autor". "Sabendo Rui Marques que todas as coisas têm o seu tempo, soube viver estes capítulos da sua vida e da vida dos homens do seu tempo em conformidade com a hora que cada um deles representou - tempo para plantar e tempo para colher o que se plantou; tempo para espalhar pedras e tempo para as juntar" - salientou Adelino Gomes. Transcrevemos, de seguida, o texto que lhe serviu de apoio na análise da obra de Rui Marques: "Esta tese representou/este livro representa o tempo de juntar as pedras, antes espalhadas, e lê-las. Agora a uma luz e segundo uma gramática diferentes, num desafio simultaneamente intelectual e científico, como o autor refere na introdução. Do sucesso por ele alcançado falou, com a autoridade que eu não tenho, o professor Diogo Pires Aurélio [DPA]. Por mim quereria, ainda que em poucas palavras, tecer algumas considerações em torno da parte em que esta tese vem ao encontro, questionando-o, do comportamento do jornalismo e dos jornalistas, ao longo dos 24 anos que durou a ocupação indonésia e a resistência timorense. Fá-lo-ei em poucas palavras, porque esse constitui o ângulo que escolhi desenvolver no prefácio Mas não resisto, até porque quem leia a Nota do Orientador (também ele antigo jornalista) encontrará uma quiçá-diferente-ainda-que-não-incompatível sensibilidade em relação ao problema. O qual é o seguinte: Foi ou não as cobertura jornalística de TL pela imprensa portuguesa um caso típico do chamado jornalismo de causas? Escreve DPA que "até prova em contrário o jornalismo em prol de uma causa permanece sob suspeita. Porque uma coisa é confirmar a justeza de uma causa que o jornalista ou o órgão de informação apoiem, outra, bem distinta, é confirmar a autenticidade daquilo que é divulgado". E considera que este caso coloca a discussão "ainda um passo mais adiante, o qual se traduz em saber se, com base na veracidade dos factos e na justeza da causa, a narrativa poderia ter sido mais contida e menos veemente, do que, algumas vezes, foi". Conclui dizendo que a verdade dos factos não é garantia suficiente de boa informação. É preciso atender também à sua selecção, à retórica, ao tom e ao contexto em que eles são apresentados. Para surpresa eventual de muitos, estou de acordo com tudo o que acabo de citar. E em particular com a primeira asserção, que nos diz dever o jornalismo em prol de uma causa permanecer sob suspeita, até prova em contrário. E com a crítica de que a narrativa dos factos ocorridos em Timor, em especial naquele ano de 1999, deveria ter sido mais contida e menos veemente. Onde está então o meu desacordo? No ângulo de análise que eu privilegio, nos múltiplos dados que esta tese nos fornece e que aí estão agora para fruição de cada leitor. Assinalo-o no prefácio e repito-o aqui, agora: Declarações de responsáveis da resistência associando os repórteres à vitória independentista incomodam os defensores da imparcialidade do jornalista. Mas podia ter sido de outra maneira, naquele caso concreto? "Provavelmente não", responde Rui Marques, dizendo que não é possível pedir a um jornalista que perante a chacina de inocentes civis ignore a injustiça e não se solidarize com as vítimas. O problema está no respeito pela fronteira "entre a denúncia fundamentada e rigorosa e a tentação da difusão de rumores favoráveis à causa", que os transforma em propagandistas. Pessoalmente, vou um pouco mais longe, e para isso basta-me o recurso ao próprio trabalho do autor que nos demonstra, em três exemplos, entre outros, a procura de equilíbrio informativo procurado pela Lusa (aqui escolhida como referencial mediático português). Se é verdade (e poderia ser de outra forma?) que Xanana, Horta e Belo surgem muito destacados nos gráficos referentes à frequência das referências a nomes de protagonistas timorenses durante os 10 anos analisados, não deixa de ser assinalável a presença, no mesmo quadro, de figuras como Lopes da Cruz (6º lugar), Mário Carrascalão (7º, tendo sido governador e posteriormente embaixador da Indonésia na Roménia durante aquele período), Eurico Guterres (à frente de Basílio do Nascimento) e Abílio Osório Soares. Os dois exemplos seguintes mostram-nos que se registou, por um lado, um equilíbrio de referências entre os campos independência vs. autonomia/integração (1867 contra 1725); e, por outro, que além das figuras canónicas - Gama [por duas vezes MN], Barroso, [MNE], Guterres [primeiro-ministro] e Sampaio [PR] ? , o nome de Manuel Macedo [o empresário portuense pró-indonésio] teve mais referências do que os dois activistas históricos da causa, Barbedo de Magalhães e Luísa Teotónio Pereira, e que Galvão de Mel [ presidente de uma associação de amizade com a Indonésia], foi mais vezes referido do que Luísa Teotónio Pereira. Timor Não sei se a cobertura de muitos ou mesmo de algum conflito do nosso tempo, sujeita a uma mesma barragem de análise metodológica, daria resultados semelhantes. Timor, ao contrário da ideia que ficou das semanas que antecederam e se seguiram ao referendo de Agosto de 1999, foi, no plano jornalístico e durante pelo menos uma década e meia (entre 1975 e o massacre de Santa Cruz), um deserto noticioso. Por razões, muitas delas perfeitamente aceitáveis, devido à impossibilidade prática de confirmar as alegações da guerrilha, as redacções, as editorias e as direcções levaram anos a aceitar a noticiabilidade do que lá acontecia e que era ? sabemo-lo hoje sem margem de dúvidas ? a luta dramática de um povo pela sobrevivência. Falei em redacções querendo dessa forma dizer (nisso me distancio da tese conspirativa de Noam Chomsky) que não foram apenas os primeiros-ministros e eurocratas que Durão Barroso e Guterres encontravam enfadados por esses fóruns internacionais fora; ou que os patrões de imprensa ou os directores contribuíram sozinhos para esse muro de silêncio que durante anos se levantou em torno do caso. Eu próprio trabalhei numa redacção em que os dois ou três jornalistas que sobre o tema foram escrevendo eram chamados, pelos outros de ?mauberes?. Com o mesmo desprezo com que durante anos ser ?maubere? foi visto em Timor pela classe mais possidente. Um aqui, outro ali, durante anos contavam-se pelos dedos das mãos os media e os jornalistas que tratavam regularmente do tema em Portugal. Talvez pelos dedos de uma só mão até ao massacre de 12 de Novembro, arriscaria: Mário Robalo no Expresso; Fernando Sousa no Tempo e depois no Público; Joaquim Trigo de Negreiros, também no Público; Manuel Acácio na TSF. Acrescentemos-lhe o Pedro Sousa Pereira, o Rui Araújo, a Rádio Press, o Diário de Notícias, a Rádio Renascença, e se calhar esgotámos o universo desse período. Quando Jacarta aceitou o princípio do referendo, as redacções foram apanhadas de surpresa - o que não admira, pois o mesmo aconteceu com a diplomacia portuguesa e com os próprios dirigentes timorenses. Ao longo dos meses que se seguiram, escreveram-se sobre Timor centenas de peças - reportagens, crónicas, entrevistas, editorais - e passaram por Díli dezenas e dezenas de repórteres. A maior parte dos quais com um grau muito limitado de conhecimento do dossier. Timor e os timorenses tornaram-se, de um mês para o outro, a causa mais querida e mais transversal que os portugueses conheceram desde o 1974. Causa que, de tão consensual se tornou, em certo momento, de certo modo, algo totalitária. (Lembro-me do embaraço ao ser apanhado no meio de tráfego e não parar naqueles três minutos de silêncio um dia, às três da tarde; da dificuldade em responder a alguém - não jornalista, felizmente - que, incrédulo, me perguntou certo manhã na redacção como é que eu não ia vestido de branco, como toda a gente estava a fazer no país; e, por fim, de a minha mulher me contar, inocentemente, a história de uma manifestação a que tinha ido com uma amiga a Madrid e que acabara com toda a gente, incluindo o então embaixador português a pular sempre que a multidão gritava "quem não salta é indonésio" (e eu a recordar um banquete oficial na Ajuda em que o mesmo diplomata escarneceu toda a noite da ideia "absurda" da independência para Timor que alguns diplomatas e jornalistas andavam a defender). Estão denunciados e estudados academicamente casos em que jornais e jornalistas se deixaram enredar (às vezes atemorizar) pela teia de cumplicidades e pela torrente de simpatia ou de ódio que se criam em certos momentos históricos em volta de um acontecimento e de certas personagens-chave que o simbolizam. Penso que ­ - como em Timisoara, para dar apenas um exemplo - isso aconteceu também em Timor e ninguém me ouvirá a dizer que isso esteve certo. Olhando, porém, para o processo no seu conjunto, concluo, como escrevi no prefácio, que os jornalistas, como lhes competia, abriram uma janela por onde o mundo espreitou. Para honra da profissão, o referendo ratificou o seu trabalho ao longo dos anos, E o mundo deixou de ser o cenário para menos uma injustiça?. Além dos muitos outros méritos no plano académico, já assinalados por Diogo Pires Aurélio, Rui Marques ajudou-nos, com este trabalho, a ver claramente visto aquilo que era apenas uma intuição. Por isso, enquanto cidadão, jornalista e sobretudo enquanto repórter, lhe agradeço também".

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Duas referências no Diário de Notícias Mário Bettencourt Resendes: O bom jornalismo e as margens de lucro

«A tendência imparável para a formação de grupos multimedia alterou radicalmente, nos últimos anos, o panorama mediático norte- -americano e é raro hoje o jornal que não integre um dos grandes gigantes do sector. Uma nova lógica empresarial ganhou terreno, com a gestão a sacrificar muitas vezes os padrões tradicionais de qualidade jornalística, em favor de maiores margens de rentabilidade reclamadas pelos accionistas.»

Ruben de Carvalho: Cai neve nas televisões...

«O ocorrido no passado domingo com o nevãozinho que chegou a Portugal constitui um exemplo brilhante não há nenhum critério noticioso defensável que sustente o dedicar 32 minutos do horário nobre de um telejornal ao facto, por inusitado que seja, de ter nevado em Lisboa ou noutros pontos do País! Como não podia deixar de ser, a excitação televisiva que os flocos de neve provocaram traduziu-se numa péssima informação sobre o que afinal seria informativamente mais importante: quem quisesse aceder ao colectivamente essencial da questão (limitações de trânsito, nomeadamente) foi forçado a perder-se no meio de intermináveis entrevistas de inigualável interesse público do estilo "então já tinha visto neve?"...»

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Debate sobre a ERC na Universidade do Minho O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade está a organizar um Seminário para debater a nova Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) e, de uma forma mais geral, a acção política e reguladora na esfera mediática. Este encontro, agendado para o dia 10 de Abril, contará com a presença profissionais e académicos dos media, cabendo ao ministro Augusto Santos Silva, que tutela a Comunicação Social, a conferência de abertura. Aberto a todos os interessados, este Seminário está organizado em três painéis:
  • Política e Regulação dos Media, a AACS e a ERC
  • Novos Desafios à Política e à Regulação dos Media
  • Regulação, Auto-Regulação e Empresas Mediáticas

Estrela Serrano, José Manuel Mendes, Alfredo Maia, Joaquim Fidalgo, Manuel Pinto, Moisés de Lemos Martins, Helena Sousa, Felisbela Lopes, Sara Pereira, Pedro Braumann, Francisco Rui Cádima, Teresa Ribeiro, Elsa Costa e Silva e Manuela Espírito Santo são os nomes de algumas das individualidades que participarão no encontro.

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"La Vanguardia" faz 125 anos Publicando-se desde 1881, o jornal espanhol "La Vanguardia" define-se basicamente por três objectivos: «la defensa de los intereses de Catalunya en España y en el mundo, la implicación de Catalunya en el conjunto de España y la proyección europea». É isso, pelo menos, o que se diz hoje, na edição que assinala os 125 anos do jornal. Reflectindo sobre os novos tempos, o editorial considera que...

«La globalización y los avances en los sectores de lo audiovisual y en la red requieren sin duda cambios en la prensa escrita. Primero, para seleccionar el enorme caudal informativo al que tiene acceso ahora cualquier ciudadano. Y en segundo término, para dar respuesta a las preguntas que este inmenso alud de noticias y la inmediatez de los medios audiovisuales no pueden ofrecer. Es decir, por qué pasa lo que pasa, cuáles son las causas y cuáles las consecuencias; el análisis, la retrospectiva y la prospectiva. Sabemos que la prensa de calidad y de referencia seguirá existiendo siempre que sea capaz de ofrecer al lector una información no sólo veraz, sino que mueva a la reflexión y que fomente una opinión fundamentada y plural. Es decir, el medio escrito que orienta de forma solvente y que, en definitiva, actúa como un elemento cohesionador de la sociedad libre a la que sirve.»

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O "caso Teresa e Lena" e a agenda mediática A chamada "hipótese de agenda-setting" ou de imposição /estabelecimento da agenda, que se estuda no quadro das teorias do jornalismo (e da comunicação política), preconizava, na sua formulação inicial, que a agenda mediática tende a transferir-se para a agenda pública. Por outras palavras, aquilo que os media tendem a enfatizar ou a secundarizar seria também aquilo a que, no espaço público, se atribuí mais relevo ou se menospreza. Desenvolvimentos desta linha de pesquisa vieram chamar a atenção para o facto de que, também a montante, o poder de agendamento se pode exercer. Ou seja, as fontes, por efeitos da sua crescente organização e profissionalização, ou em consequência de se terem socializado nos valores-notícia do jornalismo dominante, encontrariam, cada vez mais, formas de influenciar e marcar a agenda mediática. O "caso Teresa e Lena" constitui, nos tempos mais recentes, um dos melhores exemplos desse poder de agendamento. E tem todos os ingredientes para pôr um certo jornalismo a salivar. Foi pensado para isso e vai seguramente conseguir o que projectou. Veremos.

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