Weblogue colectivo do projecto Mediascópio - CECS / Universidade do Minho | RSS: ATOM 0.3 |



Como era, até certo ponto, de esperar, o Expresso nem sequer se dá ao trabalho de justificar (ou explicar ou pedir desculpas) pelo título falso de há 15 dias, em que atribuía ao Presidente da República palavras e gestos que se vieram a verificar infundados. O Expresso parece, aliás, quer nas notícias quer no editorial e noutras colunas, ter-se tornado, nesta edição, mais cavaquista do que Cavaco. Será complexo de culpa? Por sua vez, a Direcção do Público vem hoje, em nota publicada na secção de Media, dar (parcialmente) cobertura ao trabalho publicado ontem sobre a nova Direcção Editorial da agência LUSA (que foi, em grande parte, desmentido por todas as fontes citadas na notícia). O argumento é que não pode deixar de causar perplexidade: "O propósito da notícia era tornar públicos os processos de intervenção do Governo em empresas politicamente sensíveis onde o Estado tem uma posição determinante, como é o caso da Lusa". Os factos, esses, é que precisavam de ser um pouco mais evidentes. Ou não? ACT.1: - Numa abordagem "en passant" à antecipação do conteúdo do discurso do Presidente, feita pelo Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa começou por generalizar e falar em "jornais", o que não é rigoroso (a não ser no sentido em que outros jornais seguiram as pisadas do semanário). Mas sobretudo colocou as coisas em termos de vaticínio. Ora o que o jornal deu foi uma informação e na informação não há vaticínios. - É também por aí que vai Miguel Gaspar, na sua coluna das segundas-feiras no DN: "(...) o jornalismo de antecipação não existe: existem peças jornalísticas feitas por antecipação e isso não é sequer um género jornalístico. Há, sem dúvida, uma tendência jornalística, muito portuguesa, para adivinhar os factos em vez de os relatar. Não se antevê para breve a cura da doença. Mas não sou eu quem se vai pôr a adivinhar quando...". ACT.2: Vejo pelo Blogouve-se que li com pouca atenção o Expresso, visto que o semanário se penitencia pelo erro cometido quanto ao discurso de Cavaco.

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Recomendo a leitura de dois posts ontem publicados no Editors Weblog, sob o título Citizen journalism vs. professional journalism I e II. Defendem, no essencial, que os amadores nunca poderão fazer verdadeiro jornalismo e que as exigências implicadas na recolha e verificação da informação não deixa tempo aos jornalistas para se implicarem em formas mais "conversacionais" de jornalismo". Acresce que, "when papers ask their journalists to write on the tool of an amateur for no extra compensation they are undermining their own quality because they steal time away from their act of journalism". Finalmente, "amateurs don't get paid to do journalism and thus can't find the time; professionals get paid for journalism and thus can't find the time to blog. Well, time and money, according to this prediction, may be running out for the medium on which they both depend; newspapers".

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O Centro de Estudos da Criança está a organizar, em colaboração com o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, um Colóquio para debater a mediatização crescente dos maus-tratos a que as crianças são sujeitas. Agendado para o próximo dia 12 de Maio, este encontro pretende reunir «um conjunto de profissionais e especialistas que, convocando uma pluralidade de perspectivas e saberes, se propõem analisar a construção mediática do mau-trato a crianças em Portugal e debater as suas implicações.» O programa está dividido em 4 painéis:

  • O mau-trato infantil na comunicação social em Portugal: as notícias sobre as crianças na imprensa e na televisão no último trimestre de 2005
  • A criança na comunicação social
  • Os maus-tratos a crianças na comunicação social
  • O papel dos media na protecção das crianças
Para além de académicos, esta iniciativa contará com a participação de jornalistas como Alfredo Maia, presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alexandra Borges, jornalista da TVI e Hernâni Carvalho, jornalista da RTP.

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O Diário de Notícias promove hoje, às 17 horas, em Lisboa, um debate sobre o tema "A liberdade de imprensa deve ter limites?", no qual participam Cândida Pinto, jornalista e subdirectora do jornal Expresso; Delfim Sardo, professor na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e ex-director do Centro de exposições do CCB; Henrique Cayatte, designer e presidente do Centro Português de Design, e José Eduardo Agualusa, escritor e jornalista. A iniciativa decorre no auditório do DN (na Avenida da Liberdade) e insere-se nas iniciativas no âmbito da exposição "Liberdade de expressão - colecção Berardo", que está patente na galeria daquele diário até depois de amanhã.

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O jornal "Público" assume a partir de hoje o blogue que José Milhazes, correspondente na Rússia (quer do "Público" quer da TSF) criou este mês. O blogue pode ser acedido a partir de http://blogs.publico.pt/darussia.

«... este será apenas um dos muitos blogues especializados que o site do PÚBLICO pretende disponibilizar nas próximas semanas. O objectivo é alargar a interactividade com os leitores e esta é "uma das formas mais atraentes de o fazer", defende o director do site, José Vítor Malheiros.»

Esperemos que o seja, de facto, mais do que tem sido o do Provedor dos Reitores, onde Rui Araújo se limita a "depositar" os seus textos dominicais.

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Lamento e protesto, porque, apesar do pertinente discurso que produziu, nas cerimónias do 25 de Abril, na Assembleia da República, saiu completamente fora do guião que lhe traçou o Expresso, há pouco mais de 15 dias. Certamente que os seus serviços não foram eficientes na transmissão da informação. Eu, se fosse do Expresso, teria ficado muito magoado com Vossa Excelência. Nem uma referência sequer aos deputados e à fuga em massa para férias de Páscoa, depois da assinatura da folha de presenças. O Sr. Presidente podia, ao menos ter dado um jeitinho, para que a verdade da informação se materializasse, em dia de comemoração de Abril. (A ler, igualmente, 25 de Abril: as surpresas de Cavaco, de Vicente Jorge Silva)

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O programa "Clube de Jornalistas", que vai para o ar hoje, na Dois, pelas 23.30 tem por tema . Quatro convidados debaterão um período em que "trinta anos depois, ainda há muita coisa para esclarecer", "muita história mal contada": José Carlos Vasconcelos, director do 'JL' e que nos anos de brasa 74/75 foi director adjunto do DN e fundador do semanário 'O Jornal'; Cesário Borga, jornalista da RTP que, juntamente com Avelino Rodrigues e Mário Cardoso, é autor de três livros sobre o MFA e o PREC ; João Alferes Gonçalves, jornalista, que viveu por dentro os momentos mais quentes do caso Rádio Renascença; e João Figueira, jornalista do DN e professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que defendeu recentemente a sua tese de mestrado intitulada "Os jornais como actores políticos: o "Expresso", "Diário de Notícias" e "Jornal Novo" no Verão Quente de 1975". O moderador é Ribeiro Cardoso. O Clube apresenta deste modo os objectivos desta edição: "analisar o que foi o jornalismo entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975; passar em revista o contexto louco, mas apaixonante, em que os jornalistas portugueses tiveram que trabalhar nesse período irrepetível de 19 meses; lembrar as pressões político-partidárias, militares, económicas e sociais que se abateram sobre as redacções; falar das condições de trabalho dos homens e mulheres que, tendo por obrigação informar a par e passo o povo português sobre as profundas alterações que se registavam diariamente na sociedade portuguesa, eram, simultânea e inelutavelmente, parte interessada nos caminhos que a revolução tomava; mostrar as linhas de força e a agenda dos órgãos de comunicação social naquela época".

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Joaquim Fidalgo, no Público: "(...) vejo por aí muita gente que consome os diários gratuitos segundo este padrão: usando-os como um meio de entretenimento para ocupar o tempo livre de uma ida ao café, de uma viagem de autocarro ou de comboio, de uma fila de espera. Já que tem de se estar ali, já que não há nada para fazer, espreita-se o jornalinho - que para o caso até funciona bem, com pouco que ler e muita figura, textos pequenitos, quase tudo historinhas e fait divers. Não há mal nisto, e é até interessante que cada vez mais gente passe esses tempos lendo qualquer coisa em vez de nada. O que já me parece mais discutível é colocar no mesmo plano essas publicações oferecidas de graça por aí (e essencialmente publicitárias) com os jornais diários informativos, aqueles que as pessoas compram para irem sabendo o que de relevante se passa. E mais discutível me parece fazer contas sobre transferências de leitores entre uns e outros, considerando que alguma queda da imprensa generalista se deve à concorrência dos gratuitos. (...)"

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Acabam de sair e podem ser descarregados da web:

José M. Cerezo (dir.) (2006) La blogosfera hispana: pioneros de la cultura digital, 223 pp. Editado pela Fundación France Telecom España (que sucedeu, recentemente, à Fundación Auna), e no qual participam, entre outros autores, José Cervera (Una teoría general del blog); Fernando Tricas et al. (El tamaño de la blogosfera: medidas y herramientas); Fernando Garrido (Perfil del blogger español), José A. del Moral (Visibilidad en la blogosfera. Los nuevos prescriptores), Juan Varela (Los medios adoptan a los blogs), Juan Zafra (Blogs: Periodismo participativo) Ignacio Escolar (Política en red) e J.A. Gelado (De los blogs al podcasting. Continuidad o disrupción?)

François-Xavier Hussherr; Cécile Hussherr; Marie-Estelle Carrasco (2006) Le nouveau pouvoir des internautes, Timée-Editions, 328 pp.. O livro será lançado, na sua versão impressa, no fim desta semana. Como forma de dinamização da leitura e de promoção do livro, os autores e a editora apresentam hoje uma iniciativa intitulada "A volta do livro em 80 dias", na qual convidam os leitores a reescrever/comentar, melhorar o conteúdo deste livro: "A l?heure où l?on parle de plus en plus d?intelligence collective, au moment ou wikipedia apparaît comme le site français ayant connu la plus forte audience, les auteurs du livre font un autre pari fou, celui de faire réécrire, améliorer, compléter leur premier ouvrage par les internautes francophiles en 80 jours."

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"(...) Há uns anos, no JN, ao escrever um texto para comemorar a data [do 25 de Abril de 1974], resolvi não enveredar pelo caminho da grande política (a guerra colonial, a PIDE, a censura, o partido único), mas sim mostrar aos mais jovens o desconforto, a insatisfação, de pessoas como eu que, em Portugal, se sentiam como filhos de um Deus menor. Falei de um regime que me dizia que filmes ou peças teatrais podia ver, ou não, que revistas e jornais podia ler, ou não, que países podia visitar, ou não. Falei de coisas abstrusas de um regime que proibia a Coca-Cola, que nos liceus não misturava meninos e meninas, que exigia (oh, supremo ridículo!) licença de uso e porte de... isqueiro (...)". Sérgio de Andrade, Eu Comemoro. Jornal de Notícias, 25.4.2006

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Tudo sugere que "24 Horas", o projecto de um jornal gratuito descarregável e "permanentemente actualizado" que El País hoje lança para todo o mundo, tem por horizonte um projecto mais vasto: preparar e posicionar o diário para a fase do pós-papel. Tem como referência 15 páginas A4 (sinal dos tempos: agora passa a ser mais frequente haver números ímpares nos totais de páginas e, mesmo no caso caso dos pares, não necessariemente múltiplos de quatro). A ideia é que passemos a ter um jornal que possamos imprimir em casa ou no escritório, "gratuito", mas em que os encargos com papel corram por nossa conta. A acompanhar.

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Em vez de uma semana sem televisão, como propõe uma organização norte-americana (com seguidores noutras partes), preferiria uma semana em que a TV fosse convertida em objecto pensável e em objecto pensado. Aos que prenunciam o fim do pequeno ecrã, os dados dos audímetros dizem que a TV continua a ser a segunda "actividade" mais praticada, depois do trabalho ou do estudo (Cf. "Portugueses viram 3h36m de televisão por dia no 1º trimestre"). E são várias as investigações que revelam que, no caso das crianças, o tempo de TV suplanta o da escola Há certamente muita coisa interessante que se poderia descobrir ou inventar, se se reduzisse a dependência face à televisão. Mas já não seria mau se, por exemplo, um dia, combinássemos contar uns aos outros qual o lugar que a caixinha mágica ocupa na nossa vida.

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No DN, "O pântano jornalístico", de João Lopes (sobre a cobertura da morte de Francisco Adam, actor de "Morangos com Açúcar"): " (...) seriam os profissionais da TVI capazes de tratar um caso que lhes fosse emocionalmente próximo aplicando o mesmo tom de especulação com os afectos dos outros, a mesma indiferença pela dor de cada um, enfim, a mesma retórica televisiva que reduz o mundo inteiro a uma interminável telenovela? Quero acreditar que uma enorme maioria só poderá responder negativamente a tal dúvida".

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E se um dia as nossas televisões não nos permitissem mudar de canal durante a emissão de blocos publicitários? Ou os nossos videogravadores não nos deixassem avançar rapidamente a imagem nas mesmas circunstâncias? E se tivéssemos de pagar uma taxa para podermos fazer isto? Parece impensável, mas não é. A história vem aqui, e a descrição da patente registada pela Philips pode ser consultada aqui.

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Retomando a ideia do post anterior (assinado por Felisbela Lopes) relativamente à tendência dos media para espectacularizar a morte, diria que a morte se impõe nos media por um "fazer-se sentir", um imperativo de participação colectiva na dor alheia. Foi assim com a morte da Lady Di, com a morte de Féher e com a morte de João Paulo II. A morte é o climax da tragédia e tem uma propriedade essencialmente aglutinadora (a morte é afinal a única vicissitude inevitavelmente comum a todos os homens). É, por isso, insistentemente perseguida pelos media, sendo, aliás, por norma uma notícia demorada. Nesta lógica de uma espécie de "jornalismo de luto", o que os media fazem hoje é também prolongar o nosso próprio sofrimento. Sabendo, porém, que esta abertura da dor da morte ao espaço público muito convém aos media, seria ingénuo encerrar as transmissões em directo num gesto de pura solidariedade. Talvez valesse, pois, a pena procurar perceber por que é que os media nos mantêm olhando a morte dos outros. É que, como diz hoje Miguel Gaspar no DN (a propósito da transmissão em directo do funeral de Francisco Adam), «no luto televisivo, o pudor deixou de envolver a morte: tudo tem de ser exposto para que a ilusão continue. E a morte seja apenas um episódio que já passou.» Apetecer-me-ia parafrasear Vergílio Ferreira:

«O que mais me intriga e dói na nossa morte, como vemos na dos outros, é que nada se perturba com ela na vida normal do mundo. Mesmo que sejas uma personagem histórica, tudo entra de novo na rotina como se nem tivesses existido. O que mais podem fazer-te é tomar nota do acontecimento e recomeçar. (...) Repara no que acontece com a morte dos outros e ficas a saber que o universo se está nas tintas para que morras ou não.»
Vergílio Ferreira, Escrever
Apesar da exaltação emotiva promovida sobretudo pela TVI, mas também por alguma imprensa, daqui a nada os "Morangos com Açucar" entrarão de novo na rotina... quem sabe até como se o Dino nem tivesse existido.

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Ninguém tem nada a dizer acerca da transmissão em directo que a TVI fez do funeral de Francisco Adam? Ninguém tem nada a dizer acerca das capas das revistas ditas de sociedade que, esta semana, colocam em grande plano a fotografia da mãe do actor durante o funeral do filho? Ninguém tem nada a dizer acerca dos sucessivos episódios de "Morangos com Açúcar" que surgem agora ao final da tarde e ao serão, exibindo partes gravadas com o actor?
Hoje, no "Diário de Notícias", Teresa Andrade, psicóloga clínica e especialista em luto infantil, afirma o seguinte:
"A TVI não devia passar os episódios gravados [com a participação do actor que morreu], devia enquadrar e fazer a separação entre a vida e a morte. Se não faz essa distinção, parece que continua a ser um espectáculo " - situação que o funeral "em directo não ajudou muito a separar."
Quando sabemos que "Morangos com Açucar" se constitui como um verdadeiro fenómeno junto dos mais jovens, tudo isto deveria merecer um cuidado particular. Mas parece que as lógicas de mercado, ou do audímetro, falam mais alto.

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Nestes próximos dias, a Universidade de Santiago de Compostela recebe o VII LUSOCOM (Congresso Lusófono de Ciências da Comunicação), o qual decorrerá, a partir de amanhã, na bela Faculdade de Ciências da Comunicação, obra construída por Siza Vieira. Já hoje, começa o EnBlogs, uma jornada sobre o fenómeno dos blogs, promovido pelo Consello da Cultura Galega. No âmbito desta iniciativa, os organizadores dirigiram, antecipadamente, um inquérito aos intervenientes, cujas respostas podem ser consultadas no site do evento. Deixo as perguntas e as respostas que enviei: 1. ?Que te aportou o fenómeno blog? O fenómeno blogue começou por ser, para mim, uma ferramenta acessível de registo de tópicos e de referência a assuntos que costumava, antes, anotar num caderno de apontamentos manuscrito. O blogue dava-me a oportunidade de fazer o que antes fazia de modo mais eficiente, com duas vantagens acrescidas: a partilha e interacção com outros interessados nos mesmos assuntos e a possibilidade de o fazer em grupo.Isto passava-se em 2002.De resto, há um outro ponto que eu gosto de sublinhar, porque tem para mim um valor simbólico muito importante. Embora já tivesse ouvido falar de blogues, foi numa aula de mestrado, e com os alunos, que eu aprendi a construir um blogue e a descobrir o alcance cultural, pedagógico e político desta ferramenta. A partir do ano lectivo de 2002-2003, todo o processo de ensino-aprendizagem do jornalismo, matéria que lecciono da Universidade, passou a contar com os blogues como espaço de publicação.Como cidadão, como professor e como jornalista, sinto que os blogues representam uma mais-valia notória ? a auto-edição, a aprendizagem colaborativa, a informação de raio mais alargado, o debate e a troca. 2. ?Son os blogs unha moda social ou viñeron para quedarse? Para muita gente, os blogues são uma moda. Tornou-se chic ter um blogue. Mas isso não quer dizer que os blogues sejam um fenómeno passageiro. Ainda que venham a mudar significativamente algumas das características que hoje apresentam. Como acontece com o fascínio de um novo ?brinquedo?, uma boa parte daqueles que se lançam na empresa de criar um blogue desistem ao fim de algum tempo: por cansaço, por não terem que dizer, por verem que as audiências não os convertem em vedetas ou por outras razões. O que é surpreendente, na blogosfera, é a diversidade de iniciativas, de interesses, de propostas e de temas. Há muito lixo, muita conversa mole, muito voyeurisme, muito narcisismo? Certamente. Mas existe, ao mesmo tempo, um espaço no qual, de forma por vezes impressionante e surpreendente, emerge a descoberta do talento escondido, da criatividade fulgurante, da solidariedade, da beleza e da ternura. 3. ?No ano 2005 produciuse unha auténtica explosión do número de bitácoras en galego. Cres que o fenómeno seguirá expandíndose? Os dados do Technorati, por exemplo, continuam a reiterar a ideia de que o número de blogues dobra a cada seis meses, isto desde 2003. A quantidade é um sintoma de curiosidade, de gente que procura um espaço para dizer que existe e para tomar a palavra. Mas o que surpreende na blogosfera, e provavelmente continuará a surpreender, é a diversidade, a versatilidade das utilizações, as dinâmicas sociais de que os blogues são expressão. 4. ?Enriquecen os blogs a esfera pública e fomentan a pluralidade? É verdade que não é por muita gente começar a expressar-se ao mesmo tempo que há mais comunicação. Isso pode até amplificar o ruído e a incomunicação. Do meu ponto de vista, é, porém, extremamente positivo que mais pessoas e mais grupos possam ter a sua palavra e a sua voz na web; que possam ser lidas, vistas e ouvidas; que possam escutar e ler informações e opiniões diferentes daquelas que os grandes media veiculam; ou que comentem, de forma crítica e esclarecida a informação dominante. Desse ponto de vista, a esfera pública alarga-se e enriquece-se. 5. ?Que influencias pensas que teñen os blogs na vida cultural e nos medios de comunicación? Uma das maiores promessas da blogosfera é a possibilidade de curto-circuitar a auto-referencialidade das formas culturais e mediáticas dominantes: revelando novos autores e criadores e permitindo o acesso de mais pessoas à publicitação. Por outro lado, os blogues podem constituir-se como instâncias de escrutínio do jornalismo e dos media. Não são, em si mesmos, jornalismo, no sentido profissional do conceito, mas alargam os círculos de conversação a que o jornalismo dá, ou deveria dar, origem.

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televisor_295Várias notícias, para além da morte de Francisco Adam, tomaram, nos últimos dias, a televisão como tema de interrogação:

  • a notícia de uma senhora encontrada morta, em adiantado estado de decomposição, há mais de dois anos, em frente ao televisor, no seu apartamento de Londres, sem que os vizinhos do prédio se preocupassem, apesar de terem sentido o cheiro e de ouvirem a televisão que ficou, desde então, ligada.
  • um cardeal com altas funções no Vaticano que chamou a atenção para o lado negativo de ver muita televisão (assim como gastar muitas horas com a imprensa ou a Internet) [Miguel Gaspar, em texto no DN de ontem, considerava que já era penitência bastante ver a televisão que temos];
  • a campanha "Uma semana sem TV", organizada anualmente pela TurnoffTV.org e que este ano se inicia na próxima segunda-feira; segundo o diário El Mundo, a Federação Ibérica de Telespectadores e Radiouvintes (FIATYR) levará a cabo iniciativa idêntica, mas com a duração de apenas um dia. Será a 10 de Maio. A portuguesa ACMedia, que integra a Federação e com responsabilidades dirigentes, ainda não tem essa informação visível no seu site.
  • Enquanto isto, a informação sobre audiência de TV no mundo, recolhida pela Eurodata e relativa a 2005, indica que o tempo gasto com o pequeno ecrã continua a crescer, nomeadamente nos nove principais mercados televisivos. E 2005, ao contrário de 2004 e do que se irá certamente passar este ano com o Mundial de futebol, não foi palco de grandes eventos desportivos. [Crédito da foto: Periodista Digital]

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Quatro estações de televisão norte-americanas (ABC, NBC, CBS e Fox), juntamente com redes de estações afiliadas, interpuseram na passada sexta-feira uma acção em tribunal contra a Federal Communications Commission (FCC), como forma de protesto contra a alegada discricionaridade nas multas aplicadas pela instituição, e contra os critérios por ela utilizados. "The FCC overstepped its authority, in an attempt to regulate content protected by the First Amendment, acted arbitrary and failed to provide broadcasters with a clear and consistent standard for determining what content the government intends to penalize", sustentaram as quatro estações de televisão, num comunicado conjunto citado pelo jornal "The New York Times". A história pode ser lida aqui e aqui.

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Já está disponível na Internet a lista com os títulos das comunicações que serão apresentadas no VII Congresso Internacional de Comunicação Lusófona - o Lusocom 2006. O evento acontece na próxima semana, nos dias 21 e 22, na Universidade de Santiago de Compostela.

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Os jornalistas Adelino Gomes e José Pedro Castanheira são os autores do livro "Os Dias Loucos do PREC", que o Público e o Expresso vão lançar na próxima terça-feira, dia 18, em Lisboa. A obra será apresentado por Martha De La Cal ? correpondente em Portugal da revista "Time", a escassos dias do 32º aniversário do 25 de Abril.

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iramonetSerão os media, hoje, um problema para a democracia? Perderam a sua capacidade de serem 'contra-poder', submetidos à lógica do negócio e aos interesses dos grupos económicos em que se inserem? Ignácio Ramonet, director do "Monde Diplomatique", esteve recentemente em Lisboa, e reflectiu sobre estas questões. O Clube de Jornalistas seleccionou alguns trechos para apresentar no seu programa de hoje na Dois e convidou Estrela Serrano, Diana Andringa e Fernando Correia para comentar e debater as ideias de Ramonet, com moderação de Ribeiro Cardoso. Às 23.30, com repetição amanhã às 15 horas.

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Joaquim Fidalgo (JF), companheiro deste blogue, chama a atenção, na sua coluna semanal no Público, para o modo como os jornais, de um modo geral, "pintam" as notícias que versam sobre eles próprios. A propósito dos dados mais recentes da APCT (Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens e Circulação), o autor partilha do espanto que advém da "disparidade de notícias que é possível fazer a partir de dados que chegaram iguaizinhos a todos os jornais". "Uns enaltecem a garrafa (própria) meio cheia, outros rebaixam a garrafa (alheia) meio vazia, e todos garantem ter razão". E, depois de explicar conceitos como tiragem, circulação total e circulação paga, JF conta como, para puxar os seus números para cima e assim se comparar à concrrente Visão em posição mais favorável, a revista Sábado acaba de inventar mais um conceito, o dos "exemplares vendidos e pagos a pronto" (esquecendo os assinantes, que até pagam por antecipação e que são 9.243 no seu caso, contra 38.341 exemplares, no caso da Visão). "Ora - conclui Fidalgo - "se se faz manipulação de números em causa própria, com que credibilidade se vem, depois, garantir rigor e isenção ao tratar os números de quaisquer outras causas?... "

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Por falar em Clube de Jornalistas, sob o título "Contradições na RDP", escreve João Alferes Gonçalves no site do Clube: "O Irão está, nos dias que correm, nas páginas de todas as agendas. Ninguém sabe como vai evoluir a situação e o que ali se passar pode vir a afectar o equilíbrio mundial no primeiro quartel do século. É, sem margem para dúvidas, um lugar de referência do jornalismo mundial. A RDP enviou para o Irão o experiente repórter Ricardo Alexandre, oferecendo ao público português uma visão portuguesa de uma realidade que nos chega, com frequência, alterada pelos mais diversos filtros internacionais. A decisão da Direcção de Informação revela sentido jornalístico e o trabalho de Ricardo Alexandre tem sido excelente. Por tudo isto, não se percebe por que não se consegue ouvir a voz de Ricardo Alexandre nos noticiários da RDP, excepção feita a algumas aparições no horário da manhã. (...)"

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... vão, em primeiro lugar para todos os amigos que nos enviaram mensagens, a propósito dos nossos quatro aninhos de vida. Tudo muito tenro, tudo muito imprevisível, como se vê. Mas é com esse apoio que iremos adiante. O novo grafismo parece ter sido bem recebido. Para já, vamos ter de ficar sem os comentários feitos até agora, alojados pelo servidor brasileiro Falou&Disse. Além da concepção gráfica do Luís Santos, os acabamentos foram e continuam a ser dados pela Daniela Bertocchi, do Intermezzo, que, enquanto bolseira do Mediascópio, também se juntou aos esforços de renovação. Continuamos a contar com todos vocês.

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Publicamos no endereço erc-braga.blogspot.com algumas entrevistas em vídeo realizadas ao longo da conferência "A Nova Entidade Reguladora no quadro das políticas de Comunicação em Portugal", no último dia 10 de Abril, na Universidade do Minho. Logo abaixo, destacamos a fala do ministro dos Assuntos Parlamentares com a tutela da Comunicação Social, Augusto Santos Silva, em que ele explica de onde virá o dinheiro para manter a ERC:

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Este blogue completa hoje quatro anos de vida. Nasceu numa aula de mestrado, quando a blogosfera era ainda uma "ilustre desconhecida" para a maioria das pessoas. Chegou a hora de mudar e, se possível, de enriquecer o conteúdo regularmente disponibilizado. Mudanças, em primeiro lugar na equipa. Por razões que têm que ver com as circunstâncias da vida pessoal, vários dos membros fundadores não têm tido condições para participar. Daí que este blogue passe, a partir de agora, a ser assumido pelos investigadores do projecto Mediascópio, vários dos quais já aqui colaboravam há algum tempo. Nesta ocasião gostaria de agradecer a todos os membros da anterior equipa; dizer que têm a porta sempre aberta à colaboração; sublinhar, em paprticular, o papel que teve a Elisabete Barbosa na génese e primeiros passos do blogue e desejar que a nova etapa seja interessante e inspiradora para todos os visitantes e leitores. A mudança de grafismo que muito brevemente poderão ver deve-se ao contributo de Luís Santos, do Atrium. Todos os comentários, sugestões e críticas são bem-vindas.

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Pontos que sublinharei da intervenção da sessão de abertura da conferência (as notas completas aqui):

  • Organizámos esta conferência porque entendemos que a função de regulação não pode ser matéria confinada apenas à relação regulador-regulados;
  • Organizámos esta conferência porque entendemos que é necessário que diferentes actores directa ou indirectamente implicados nas políticas de comunicação, se encontrem e debatam os seus pontos de vista, num quadro liberto da pressão de outras agendas que não sejam as do próprio debate;
  • Organizámos este encontro porque nos encontramos num momento complexo e, ao mesmo tempo, desafiador, de mudanças culturais, políticas e tecnológicas, em que se torna necessário afirmar a cidadania nos media e face aos media;
  • Organizámos esta iniciativa porque entendemos que, apesar de todas as contradições e de todas as polémicas que envolveram o nascimento da ERC, é importante debater a existência de uma instância de regulação e o modo como a função reguladora se exerce;
Gostaríamos que este ponto - o modo como a função reguladora se exerce - fosse um eixo condutor e uma preocupação dominante, nos trabalhos deste dia.

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Uma eloquente faceta do modo como os cidadãos acompanham a coisa pública pode ver-se no facto de a nova instituição de regulação dos media ter ficado, na sua configuração genérica, definida na altura da revisão constitucional, há dois anos, de a respectiva lei ter sido debatida, aprovada no Parlamento e publicada no Diário da República há meio ano e só no mês passado algumas vozes terem acordado para alegados riscos para a liberdade dos media que a referida lei comportaria. Mais ainda: misturando uma matéria do foro político e parlamentar com outra matéria do foro judicial (o modo como a polícia judiciária, a mando do Ministério Público irrompeu pela Redacçao do 24 Horas). A nova Entidade Reguladora tomou posse há pouco mais de um mês, envolta em alguma polémica. Começou já a dar conta de algumas das suas decisões e deliberações num site provisório (mas que é útil que tenha sido criado). Ao organizar o debate que amanhã se espera venha a ocorrer na Universidade do Minho, sobre "A Nova Entidade Reguladora no Quadro das Políticas de Comunicação em Portugal", procurou-se algum distanciamento da luta política imediata que se travou em torno da ERC, sem esquecer, naturalmente, que a conflitualidade política tem que ver , em última análise, com diferentes concepções sobre a existência da regulação dos media e sobre o modo de a exercer. A verdade é que a ERC está criada e a funcionar. A independência, fundamentação e ponderação com que actuar vai determinar, em boa medida, o destino da própria função reguladora. Smos claramente a favor da existência da regulação e, consequentemente, da existência da Entidade. Mas acreditamos que a lei que a instituiu abre terreno a modos muito diversos de exercer a função reguladora. Para isso, parece fundamental que a ERC possa contar com o contributo de interlocutores e parceiros diversos. A conferência de amanhã não será ainda o momento de a ERC nos trazer grandes novidades quanto ao modo como pensa actuar. O seu presidente, Azeredo Lopes, tomou a iniciativa de contactar há dias os organizadores para salientar que a Entidade se encontra ainda confrontada com a sua própria instalação e com a definição das suas linhas de rumo, pelo que se fará representar no debate em Braga. Isso não impede, porém, que distintos actores ligados ao campo mediático (profissionais, decisores, reguladores, empresários, académicos) confrontem os seus pontos de vista e apresentem as suas ideias para o futuro. Só faz sentido haver regulação porque os media, sendo um negócio, não são nem um negócio como outros nem são apenas um negócio. Daí as vertentes que o artº 39º da Constituição da República explicita como aspectos a assegurar pela ERC: a) O direito à informação e a liberdade de imprensa; b) A não concentração da titularidade dos meios de comunicação social; c) A independência perante o poder político e o poder económico; d) O respeito pelos direitos, liberdades e garantias pessoais; e) O respeito pelas normas reguladoras das actividades de comunicação social; f) A possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião; g) O exercício dos direitos de antena, de resposta e de réplica política. É nesse registo que importa colocar as coisas.

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Na página 14 do corpo principal do Expresso deste fim de semana vem publicada uma peça a quatro colunas e foto a toda a largura, com o título "Sozinhos no Rossio" e cujo antetítulo é "Aos 83 anos, Raul Silva e a mulher são os únicos moradores desta praça lisboeta". A matéria é sem dúvida de interesse jornalístico, se mais não fosse para abordar o problema dos centros históricos das cidades. Mas o que inquieta, nesta peça, é que o jornal não se contenta em noticiar que, em toda aquela praça, apenas um casal lá mora em permanência. Ou seja, a noite é um deserto. Pois não é que o artigo nos fornece não apenas o número da porta do prédio habitado pelos octogenários, mas também o andar? Do ponto de vista jornalístico, a pergunta a fazer é: adianta alguma informaçao relevante a publicação de tais pormenores? Não está o jornal a potenciar riscos desnecessários? Não há uma responsabilização necessária pelas consequências potenciais do que é publicado?

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Rádio Crítica - Mais um blogue português especialmente atento ao universo radiofónico. Cartão de apresentação: "Ouvido crítico de um ouvinte que faz rádio. Todos nós ansiamos por um posto mágico!" Serendipity - Um blogue de Soledad Caballero, de Montevideo, Uruguai, focalizado na pesquisa mediática, os novos leitores, estudos de audiência e metodologias qualitativas. Possibilidade de acesso à sua tese de mestrado, sobre Modos de Lectura de las Noticias). Civic Minded, Um blogue de grupo, sobre a relação entre a democracia e a Web, em que se destaca o nome de Stephen Coleman, especialista sobre o impacto da tecnologia e da Internet nos processos democráticos de governo: publica em breve, com Jay Blumler,um livro intitulado The Internet and Democracy: Theory, Practice and Policy). Karma Peiró - Histórias de uma "jornalista digital", a própria Karma Peiró

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O Diário Digital adoptou, a partir de ontem ao fim do dia, um novo visual, apostando mais na largura do que na altura. De entre as mudanças, destaca-se o fim das colunas de Clara Ferreira Alves (CFA) e Mário Betencourt Resendes. A jornalista e escritora aproveitou a sua derradeira coluna para uma espécie de testamento, que intitulou "Despedida digital", no qual emite os seus pontos de vista sobre as transformações no jornalismo e na Imprensa assim como sobre a bogosfera. Escreve CFA sobre o jornalismo e os jornais nos seguintes termos:

"Nestes anos todos, o meio e o suporte têm sofrido as mais variadas alterações e adaptações, e os jornais de referência, impressos e vendidos em papel, entalados entre a competição (e a competência) das televisões e a obsolescência natural, têm sido obrigados a adaptar-se ou morrer. O formato broadsheet tem vindo a revelar-se impraticável e substituído por formatos menores e manuseáveis, a reportagem e a entrevista, sobretudo a reportagem, têm vindo morrer e a ser substituídas pela opinião e as 'hard news', a manchete já não é a essência da primeira página, as pequenas notícias e as breves ocupam o lugar dos artigos de fundo, a fotografia mudou a sua função ilustrativa e subsidiária, a pedagogia jornalística (por insuficiente ou superficial que fosse) foi trocada pelo sensacionalismo, as secções culturais deixaram de interessar o grande público (também por culpa da neutralidade e banalidade da abordagem dessas secções culturais, cultoras da prosa de epígonos e da indiferenciação crítica), a reportagem de guerra acabou por falta de fundos, a reportagem de investigação extinguiu-se ou vive da denúncia e da administração de rancores denunciantes, as secções políticas privilegiaram a intriga adjectiva sobre a substância informativa e, com tudo isto, e apesar de a fornada de jornalistas ser hoje mais culta e mais educada e mais informada e mais preparada do que alguma vez foi, os jornais não estão por isso mais interessantes ou atraentes".
Acerca da relação entre os jornais, a net e a blogosfera, eis a visão de Clara Ferreira Alves:
"Os jornais ainda não encontraram a fórmula para combater os seus dois inimigos, a televisão e a net, incluindo esse novo mundo da blogosfera, que será em breve um velho mundo e sofrerá o seu backlash. A blogosfera é um saco de gatos que mistura o óptimo com o rasca e acabou por tornar-se um prolongamento do magistério da opinião nos jornais. Num qualquer blogger existe e vegeta um colunista ambicioso ou desempregado ou um mero espírito ocioso e rancoroso. Dantes, a pior desta gente praticava o onanismo literário e escrevia maus versos para a gaveta, agora publicam-se as ejaculações. Mas, sem querer estar aqui a analisar a blogosfera e as suas implicações, nem a evidente vantagem dessa existência e da qualidade e liberdade que revela por vezes, destituindo do seu posto informativo os jornais e televisões aprisionados em formatos e vícios, o resíduo principal de tudo isto é que os jornais mudaram, e muito, e mudaram muito rapidamente. Parafraseando Pessoa na hora da morte, We know not what tomorrow will bring".

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Começa hoje, na Universidade do Texas, em Austin, sob a presidência de Rosental Calman Alves, o International Symposium on Online Journalism. Não podendo dar um salto aos Estados Unidos (as inscrições já estão fechadas, de resto), pode seguir os trabalhos, em live webcasting . O programa é convidativo (via e-Media Tidbits).

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moises_1Moisés Martins, candidato à eleição para o cargo de Reitor da Universidade do Minho, acaba de criar o Diário de Campanha, um blogue de apoio à sua candidatura, apresentado como espaço de debate dos problemas da UM. Professor catedrático do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, Moisés Martins é ainda o director do CECS - Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e presidente da SOPCOM, Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação. No anúncio da intenção de disputar o lugar actualmente ocupado por Guimarães Rodrigues (que também já anunciou o propósito de se recandidatar), aquele professor sublinha a necessidade de conferir centralidade a uma lógica académica e universitária na condução da instituição; critica a ausência de debate e esvaziamento de alguns dos órgãos de decisão; e aponta o facto de o actual Reitor não ter cumprido uma promessa eleitoral de universalizar o processo de eleição do cargo (embora com ponderação diferenciada de votos). "Uma inquietação cívica" e uma "inquietação académica" resumem a motivação do agora candidato, na mensagem que dirigiu à Academia.

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Sobre o impacto das novas tecnologias no jornalismo, assina Patrick-Yves Badillo, do MediaSic (Laboratório de Pesquisa sobre os media, a informação e o conhecimento), o texto «De la parfaite adéquation du journalisme à la "société de l'information"...»

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Os media, e em particular a televisão, têm estado no centro da campanha eleitoral italiana. Isso acontece praticamente em todas as campanhas, em grande parte dos países. Mas, num país em que o primeiro ministro é dono ou controla os principais media, a mediatização é potenciada ao extremo. Numa viagem que fiz há umas semanas a Milão, pude verificar que um dos canais do grupo Mediaset transmitia integralmente, logo pela manhã, comícios de Berlusconi, realizados na véspera à noite. Depois do frente-a-frente de anteontem, em que o Cavaliere utilizou a mensagem final, já sem possibilidade de resposta, para anunciar a a intenção de suprimir o imposto na aquisição da primeira habitação, Berlusconi foi ontem obrigado a cancelar um programa em prime time, em que apareceria a solo, precisamente na Mediaset. Em resposta, Berlusconi acusou os seus rivais de centro-esquerda de pretenderem silenciá-lo, argumentando que Prodi também tinha sido convidado a participar, mas que declinara o convite.

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... de ter escrito o post Gracias por enseñarme, alumnos que Ramón Salaverría escreveu há dias. Também eu entrei na blogosfera pela mão de alunos meus.

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A propósito da conferência sobre a nova Entidade Reguladora da Comunicação Social (UM/10 de Abril), aqui ficam dois estudos comparativos que merecem atenção: 1) Study on Co-regulation Measures in the Media Sector (2006) do Hans-Bredow-Institute for Media Research at the University of Hamburg; 2) Self-regulation of Digital Media Converging on the Internet: Industry Codes of Conduct in Sectorial Analysis (2004) do Programme in Comparative Media Law & Policy (Oxford University Centre for Socio-Legal Studies).

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audio_MPUO britânico "The Times" tem vindo a publicar regularmente um anúncio de auto-promoção que, não remetendo propriamente para uma novidade, não deixa de constituir um "sinal dos tempos" que vivemos. Trata-se de uma selecção de notícias, reportagens e colunas de opinião, com a duração de cerca de 50 minutos, que podem ser diariamente descarregadas a partir das 5 da manhã e ouvidas no computador, no iPod, etc. Este é apenas mais um esforço de diversificar os ensaios e as apostas, por parte de um meio que, ao contrário do que se possa pensar, pode ter um futuro interessante se souber interpretar as mudanças não apenas tecnológicas, mas também sociais e culturais em curso. Por outras palavras: se souber tirar partido das tecnologias não para fazer "fogo de vista", mas para repensar e recriar o jornalismo. Porque é de jornalismo que, antes de mais, se trata. Uma perspectiva cínica poderá sorrir mas não deixará de reconhecer clarividência ao ler palavras recentes de Rupert Murdoch, o dono de um império mediático mundial e precisamente proprietário de The Times:

"Power is moving away from the old elite in our industry - the editors, the chief executives and, let?s face it, the proprietors. A new generation of media consumers has risen demanding content delivered when they want it, how they want it, and very much as they want it. This new media audience - and we are talking here of tens of millions of young people around the world - is ALREADY using technology, especially the web, to inform, entertain and above all to educate themselves. This knowledge revolution empowers the reader, the student, the cancer patient, the victim of injustice, anyone with a vital need for the right information".

Ou quando o mesmo Murdoch sublinha, a propósito destes novos "actores":

"The challenge for us in the traditional media is how to engage with this new audience. There is only one way. That is by using our skills to create and distribute dynamic, exciting content. King Content, the Economist called it recently. But - and this is a very big BUT - newspapers will have to adapt as their readers demand news and sport on a variety of platforms: websites, ipods, mobile phones or laptops. I believe traditional newspapers have many years of life left but, equally, I think in the future that newsprint and ink will be just one of many channels to our readers. As we all know, newspapers have already created large audiences for their content online and have provided readers with added value features such as email alerts, blogs, interactive debate, and podcasts. Content is being repurposed to suit the needs of a contemporary audience".

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Agendas comparadas A próxima edição do Clube de Jornalistas na TV [que vai para o ar amanhã, pelas 23h30, na Dois] procurará comparar a agenda dos media portugueses com a agenda dos media de outros países europeus. Em parceria com a Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal, o Clube de Jornalistas dedicará os próximos programas a esta temática. Amanhã estarão em estúdio António Borga e Ramon Font, Peter Wise e Ricardo Carucci, que falarão também da entrega do Prémio Personalidade do Ano 2005 a António Guterres.

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Como pensar a crise da Imprensa sem repensar o jornalismo? As novas funções de Miguel Gaspar enquanto editor exeutivo do DN serão certamente importantes do ponto de vista da gestão e organização dos recursos do jornal. Do ponto de vista dos leitores é,porém uma pena que aquele jornalista não possa publicar os seus comentários e as suas leituras sobre o campo dos media e do jornalismo com a asiduidade a que nos tinha habituado. Porque Miguel Gaspar pensa e ajuda a pensar, o que não é pouco, no jornalismo dos nossos dias. Aí está a sua coluna de hoje para o mostrar. Intitulada "E que tal vender uns jornalitos?", reflecte sobre um dos temas da semana que passou - a crise de venda e de leitura de imprensa de informação geral. Subscrevo o que sugere o editor do DN: uma das frentes decisivas por que passa a resposta a essa crise reside em repensar o jornalismo que se tem feito: "Hoje temos uma enorme dificuldade em pensar o jornalismo. Sobretudo em pensá-lo em função das expectativas dos leitores e não apenas dos códigos e preconceitos de quem reporta. Os jornais vendem menos por se terem afastado das pessoas. Somos prisioneiros das nossas ilusões em relação ao que os leitores realmente querem. Não é necessariamente sangue... Ainda nos imaginamos como os donos da mensagem e os donos da objectividade. Não tenho soluções para problemas tão complexos. Mas começar por ouvir os leitores parece-me um caminho razoável". Creio que, ao contrário do que se tem dito, não é por causa da Internet ou dos blogues ou, mais geralmente, dos novos media que os leitores escasseiam e a circulação dos jornais pagos baixa. O problema não é em primeira instância de natureza tecnológica, mas cultural e jornalística. Ainda que os caminhos a percorrer passem pelas possibilidades das novas tecnologias. Complementos de leitura: - A crise da Imprensa escrita urbi et orbi, no Abrupto (incluindo os comentários). - O texto If Newspapers Are to Rise Again, de Tim Porter, no último número dos Nieman Reports (via Ponto Media).

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Jornal belga arranca este mês com o "eReader" DeTIJD Está anunciado para este mês o arranque da experiência que permitirá a 200 leitores do jornal "De Tijd", da cidade belga de Antuérpia, lerem o seu jornal não no papel nem no ecrã de computador, mas num suporte criado especificamente para esse fim. Trata-se do ePaper, criado por uma "spin off" da Philips, com base baseia-se na tecnologia E-Ink, criada pela E-Ink Corporation do Media Lab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. O ePaper é um dispositivo multimédia portátil, que consome bastante menos energia do que um computador e que pode carregar um jornal digital, bem como as respectivas alterações, permitindo ouvir as entrevistas ou ver imagens animadas. Através de uma rede telefónica ou de cabo ou por wifi, o ePaper poderá receber actualizações ao longo do dia e recarregar uma nova edição no dia seguinte. Para já, existe apenas com ecrã a preto e branco, abarcando 16 tonalidades diferentes de cinzento. É possível a sua leitura mesmo sob a luz solar. Um inconveniente é, por ora, o preço: 400 euros, valor que a empresa que comercializa o ePaper crê poder vir a baixar quando o produto se massificar. A experiência do "De Tild" (O Tempo, em português) inscreve-se num projecto mais vasto, lançado no ano passado, e designado eNews, que envolve duas dezenas de empresas jornalísticas da Europa, dos Estados Unidos e do Japão. Os jornais portugueses, aparentemente, andam longe destas procuras, preocupados com o declínio da tiragem e circulação!... Penso que a experiência que dentro de dias vai ter início tem sobretudo um valor histórico e simbólico: marca o arranque de uma nova etapa da procura de novas modalidades de distribuição de informação jornalística e de acesso à informação. Quase seguramente, não vai fixar-se no dispositivo que agora é experimentado. Não é razoável pensar-se que uma pessoa conectada vai andar com o seu computador portátil, o seu telemóvel, o seu PDA, o seu eReader, etc, etc. Alguma "convergência" terá de acontecer também neste domínio. Mas é preciso estudar como funciona a leitura num suporte especificamente pensado para o leitor de jornais.

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