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O "Público" volta a Felgueiras O destaque do Público de hoje volta a focar o caso de Fátima Felgueiras, retomando uma promessa deixada pelo director, José Manuel Fernandes, no programa "Clube de Jornalistas". No dia em que deveria ter tido início o julgamento daquela autarca, José Manuel Fernandes procura esclarecer finalmente alguns aspectos que tinham sido motivo de contestação no comportamento do jornal quanto a este caso. Depois de analisado o que diz em "Desmentidos e confirmações", vale a pena sublinhar o seguinte: - Houve dois tipos de contestação ao trabalho do Público. Um incidiu sobre a matéria substantiva publicada; outro sobre aspectos ético-deontológicos envolvidos nessa publicação. É apenas sobre o segundo que aqui nos pronunciámos. - Importa lembrar, antes de mais, que os termos em que o Público colocou a questão, na primeira vez em que fez manchete com o caso, em Setembro, foi o de "negociações" que teriam envolvido Fátima Felgueiras e dirigentes nacionais do PS. Dois dias depois, em editorial, esse conceito desapareceu e passou a figurar em seu lugar o de "contactos". Reconheçamos que não é bem a mesma coisa. - O que se esperava, mais de um mês depois de o Público ter feito as revelações que fez, era que adiantasse elementos concretos que nos permitissem saber o que, de facto se passou. Neste ponto, lamento dizer que nada há de novo na matéria hoje publicada. Escreve José Manuel Fernandes: "Temos assim que as mesmas fontes que nunca nos enganaram no passado nos confirmaram, entre outras notícias que suscitaram perplexidade, os contactos prévios entre Fátima Felgueiras, designadamente através de intermediários, com membros do secretariado do PS. O Público tem indicações sobre quem foram esses elementos, mas necessita de conhecer melhor as circunstâncias dos contactos antes de revelar esses nomes". - O argumento principal do texto do director do Público pode sintetizar-se nestes dois períodos: "o Público foi muitas vezes desmentido e teve sempre razão. Temos, pois, bons motivos para confiar nas fontes que nunca nos enganaram e para não levar demasiado a sério certos desmentidos". A ideia, reiterada mais de uma vez, tem tanto de lógico como de frágil e nunca poderá dispensar os cuidados elementares que todas as fontes devem merecer. Mas o Público é que conhece o terreno que pisa. - Finalmente, teria ficado bem ao director reconhecer explicitamente, mesmo que para discordar, o movimento protagonizado por mais de seis dezenas de blogues, em boa parte dos casos apreciadores do Público, e que durante vários dias, exigiram explicações do jornal. José Manuel Fernandes quis reduzir o caso apenas à matéria substantiva publicada, enaltecendo as qualidades dos jornalistas do Público (que não vi serem postas em causa). Duvido que seja essa a estratégia que melhor serve os intereses do jornal.

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"O jornalismo já não é uma profissão de sonho" O Clube de Jornalistas austríaco apresentou recentemente os dados da segunda parte do Barómetro de Jornalistas Austríacos de 2004. Apesar de estarem já em preparação dados relativos a 2005, há alguns resultados curiosos que permitem àquela organização concluir que "o jornalismo já não é uma profissão de sonho". Sinteticamente:

  • 50% dos jornalistas austríacos vem de outras profissões (copy writer, condutor de taxi, empregados de comércio e intérpretes...)
  • a maioria escolhe a profissão por gostar particularmente de escrever (73,6%) e por um interesse pessoal em novos temas ou seja, por um interesse em questões da actualidade (63,4%)
  • só um pequeno grupo quis sempre ser jornalista
  • 72% dos jornalistas é especialmente interessado na actualidade da Áustria e do mundo; 58,6% interessa-se também por Arte e Cultura; 53,6% por Férias e Viagens
  • a maior parte tem uma auto-imagem negativa da profissão
  • 54% dos jornalistas está descontente com o desempenho profissional
  • 2/3 dos jornalistas falam mesmo de degradação das condições de trabalho durante o último ano

Ainda assim, 87% dos inquiridos voltaria a escolher o jornalismo como profissão. É que a perspectiva pessoal é um pouco mais positiva do que a percepção da profissão como um todo. E os jornalistas portugueses? Seria importante sabermos mais algumas coisas sobre a auto-imagem dos jornalistas (embora se registe um trabalho neste campo - "Fantasmas ao espelho" de Joaquim Trigo de Negreiros - falta-nos um barómetro anual de auto-avaliação como este...)

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João Paulo Meneses estreia-se no Clube de Jornalistas Na próxima quarta-feira, o Clube de Jornalistas na TV terá um novo rosto na moderação. João Paulo Meneses, jornalista da TSF e autor do Blogouve-se, inicia uma colaboração com o programa, justamente numa edição dedicada à questão da invasão da publicidade no espaço informativo (questão sobre a qual também escreveu no Blogouve-se). O fenómeno TMN - que no dia 28 de Setembro tingiu as primeiras páginas de azul - remete, diz o Clube, «para o poder crescente dos departamentos de publicidade e de "marketing", visível na abundância de produtos associados com a imprensa.» Para debater esta questão, o Clube convidou João Marcelino, director do "Correio da Manhã", Luciano Patrão, antigo presidente do Conselho de Administração do "DN" e o investigador e professor universitário José Carlos Abrantes (Quarta-feira, dia 2, às 23h30, na Dois).

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Novo livro sobre blogues Jose Luis Orihuela, do eCuaderno, e Juan Varela, do Perodismo 21, são alguns dos autores de um livro que vai surgir proximamente em Espanha, intitulado "Blogs, la conversación en internet que está revolucionando medios, empresas y ciudadanos". "Weblogs y blogosfera"; "Impacto de los CMS en el despegue del fenómeno blog"; "Periodismo participativo: El Periodismo 3.0"; "Blogs y empresas"; e "Blogs y Relaciones Públicas" são os capítulos deste trabalho que tem um blogue de acompanhamento próprio.

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Práticas jornalísticas João Lopes, in "Os novos e os velhos", no Diário de Notícias, e Pedro d' Anunciação, no Expresso, levantam ambos questões sobre o trabalho e a atitude de alguns jornalistas, que parecendo embora diversas, batem em teclas muito próximas. João Lopes tinha acabado de participar num colóquio quando é abordado por um jovem repórter de uma estação televisiva para que esclarecesse aspectos da sua intervenção que alegadamente tinham ficado pouco claros. Parafraseando o que escreve hoje no DN: "Para sua surpresa, nem uma objecção, nenhuma proposta de confronto intelectual. As perguntas eram meros veículos de relançamento daquilo que ele dissera durante o debate". Conclusão de João Lopes: "Há um valor simbólico que as televisões instalaram no nosso quotidiano. Assim, a maior parte dos repórteres combina a ligeireza do olhar e a futilidade das observações com uma juventude que há muito deixou de ser um mero índice etário, para passar a funcionar como metáfora mediática: é jovem, logo tudo lhe pode ser permitido e desculpado. Pior um pouco: alguns dos menos jovens fazem um esforço patético para integrar a irresponsabilidade jornalística de muitos dos seus pupilos." Pedro D'Anunciação reporta-se ao debate de terça-feira passada, na SIC (que eu não vi), sobre a gripe das aves, no qual a apresentadora terá pretendido que os peritos presentes em estúdio justificassem, ilustrassem, e se possível ampliassem o parti-pris com que partiu para o programa: o dramatismo de uma situação que, pelos vistos, (ainda) não se justifica. Pelos vistos, ter-se-á irritado e atarantado pelo fato de os tais peritos lhe terem mostrado que algumas medidas tomadas pelos políticos foram empurradas pela "pandemia informativa" (expressão de Miguel Gaspar) sobre o tema. Os jornalistas - alguns deles (Pedro d'Anunciação contrapõe a posição muito mais sensata de José Alberto Carvalho, em idêntico debate na RTP1) - contribuem, ainda que involuntariamente para o clima de alarme e, uma vez nele mergulhados, "acabam por exigir que a realidade não lhes venha beliscar toda a gravidade que põem no assunto". Voltando a João Lopes: "Como aquele jornalista que, há dias, interrogava alguém dos serviços de meteorologia, ansiando por qualquer catástrofe que nos pudesse pôr de luto. O meteorologista bem lhe garantia que era apenas um típico dia com muita chuva, mas ele queria cheias, destruição, uma vitimazinha cujo sofrimento pudesse ser celebrado".

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A ler, no Público - Entrevista de Serge Proulx, conduzida por Paulo Miguel Madeira, na qual o autor de "A explosão da comunicação" salienta que "a comunicação aumentou mas não é necessariamente melhor". - "Cidadãos quê?", de Eduardo Cintra Torres, na qual ele contesta a designação de "cidadãos-jornalistas". Pergunta: "Por que raio se chama jornalista ao transeunte que faz umas imagens no metro de Londres e não à velhota que telefona para a SIC a dizer que há mais um incêndio no seu concelho?" [Como se anuncia uma segunda parte deste artigo para os próximos dias, aguardemos para um eventual comentário].

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O que a TV mostrou da adesão de Portugal à CEE

"A 'telecerimónia' da adesão à CEE desmontada vinte anos depois? é o titulo do artigo de Francisco Mangas que, na secção ?Media? do "Diário de Notícias", explica os caminhos seguidos pela investigadora Gisela Machado na análise da mediatização da cerimónia de assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à CEE, no simbólico Mosteiro dos Jerónimos. O estudo está publicado no livro O Primeiro Dia Europeu de Portugal - Cenas de uma união selada pela televisão, que a autora escreveu, como a própria diz hoje no DN, nas folgas que tinha do seu trabalho como jornalista na RTP.

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Miguel Gaspar na chefia de redacção do Diário de Notícias

Rogério Santos escreve hoje, no "Indústrias Culturais", que o jornalista Miguel Gaspar foi escolhido, ontem à noite, para chefiar a redacção do DN. Miguel Gaspar, que nos últimos anos tem desenvolvido um trabalho de qualidade na secção "Media" desse jornal, foi este ano distinguido com o prémio de Crítica de Televisão da Casa de Imprensa.

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O fim da "Grande Reportagem" Foi anunciado para Dezembro o encerramento da revista "Grande Reportagem". É pena, mas é já uma pena pequena. É que já pouco resta da envergadura do projecto inicial. A "Grande Reportagem" era uma Grande Revista. Na qualidade gráfica e na ambição dos trabalhos de reportagem. As primeiras mudanças de degeneração começaram a sentir-se na mudança de direcção de Miguel Sousa Tavares para Francisco José Viegas, que ainda fez um excelente trabalho. No entanto, a distribuição da revista como parte integrante do DN, JN e Açoreano Oriental de sábado condenou o projecto à falência. Porque se quis, parece-me, fazer com menos dinheiro uma coisa que nasceu para ser cara. A simplificação da impressão gráfica é parte deste fracasso. A distribuição gratuita outra parte. Tenho para mim que o gratuito é mal acarinhado, porque as pessoas percebem que o que tem realmente valor se paga. O que não significa que não tivesse continuado a haver bons trabalhos, boas grandes reportagens. Mas a qualidade gráfica era parte da grandeza desta revista, cujos exemplares eram todos para guardar, nunca para deitar fora depois de lidos!

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A blogosfera e a política Sobre a utilização de blogues em campanhas políticas, diz hoje Miguel Gaspar o seguinte (Diário de Notícias): «...a blogosfera criou novas condições para a expressão pública de opiniões divergentes do mainstream político e mediático. A importância da blogosfera é precisamente a de permitir outro tipo de discursos. (...) Paralelamente, é significativo que os blogues sejam armas de combate político de campanhas e de apoiantes de campanhas. Isso mostra como a importância da blogosfera passou a ser reconhecida no meio político. E não é só por os blogues comentarem, às vezes quase em directo, as telecerimónias eleitorais. É por compreenderem que, embora atingindo apenas um grupo restrito de cidadãos (apenas aqueles que têm acesso à Net), a blogosfera introduz ideias e discursos alternativos aos dos meios de comunicação.»

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Correcção Segundo informação do director do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Moisés Martins, o encontro de Mario Perniola com professores e investigadores do Departamento de Ciências da Comunicação (na sala de reuniões do Instituto de Ciências Sociais) começará às 9h00 e não às 9h30, como tinha sido dito num post anterior. Às 15h00, Perniola faz uma conferência intitulada "Expansão e fragmentação do horizonte estético", no auditório B1, por ocasião do Congresso "A Filosofia Hoje".

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Intermitências Nos próximos dias, e pela parte que me toca, estarei previsivelmente mais condicionado para actualizar este blogue. Motivo: participação no seminário euro-mediterrânico sobre "L?éducation aux médias : enjeu des sociétés du savoir", promovido pela Comissão francesa da UNESCO. Mais informações: aqui.

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"Blogopédia" para os blogues em portugês Uma iniciativa interessante: um projecto wiki - "Blogopedia" - sobre os blogues em português. É seu objectivo "criar e manter actualizada uma enciclopédia dos weblogues e bloggers que editam em língua portuguesa". A enciclopédia contém também Artigos e Estudos sobre os blogues, um Blogsário e, ainda, Autores A a Z e Weblogs A a Z. "Depois da sistematização da informação e numa segunda linha de objectivos, esta enciclopédia contribuirá para ajudar a comunidade a auto-referenciar-se positivamente através das apresentações dos autores", referem os autores da iniciativa. Das atrefas prioritárias da Blogopédia, destaca-se o estabelecimento de um thesaurus para a classificação dos blogues em categorias temáticas. Como é característico desta ferramenta, tudo está em estaleiro e todos podem contribuir para a construção da enciclopédia.

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Mario Perniola na UM "A definição do homem já não é a de animal racional, mas sim de coisa que sente" O italiano Mario Perniola estará na próxima quinta-feira, dia 27, na Universidade do Minho. Estando em Portugal a convite do Instituto de Letras e Ciências Humanas, no âmbito do Congresso "A Filosofia Hoje", o filósofo encontrar-se-á de manhã, pelas 9h30, com professores e investigadores do Departamento de Ciências da Comunicação (aberto a outros interessados). A ideia é abrir um espaço de particular discussão e reflexão sobre o pensamento do autor no que concerne ao campo específico da comunicação. Tendo presente relativamente ao homem-comunicador um olhar original, que sublinha a ideia de um "sentir partilhado e participado", com Mario Perniola parte-se para uma reflexão sobre uma estética da vida necessariamente 'sentida' pelos media, sobretudo pelos media da 'inorgânica' era tecnológica. Mario Perniola é professor de Estética na Universidade de Roma e autor de várias obras. Das traduções para português, destacam-se, por exemplo, "Do Sentir", "A estética do século XX", "Contra a Comunicação", "O sex appeal do inorgânico" e "Enigmas: o momento egípcio na sociedade e na arte".

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Debate sobre jornalismo e informação local O jornalista e ex-director de O Comércio do Porto Rogério Gomes apresenta esta noite, às 21 horas, no espaço da livraria Almedina, no Gaiashoping de Vila Nova de Gaia, uma palestra sobre "O jornalismo e informação local". Esta iniciativa inscreve-se num ciclo sobre "O Jornalismo em Portugal", coordenado por Luís Costa, que se estende até ao próximo ano.

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Comunicação política media e jornalismoO mais recente número de Media & Jornalismo é dedicado à comunicação política, papel dos media e do jornalismo na cobertura da actividade política e, em especial, das campanhas eleitorais. Um tema sempre actual, mas especialmente num período "em que a sociedade portuguesa se prepara para escolher o seu mais alto representante na chefia do Estado, o Presidente da República, cuja eleição terá lugar no início de 2006, após ter sido chamada a escolher os seus representantes locais". A maneira como o Washington Post e outros grandes media nos EUA trataram a situação dos presos iraquianos detidos em Abu Ghraib (de W. Lance Bennett, Regina G. Lawrence e Steven Livingston); as incidências da comercialização e da competição no audiovisual na diminuição da qualidade da informação política e do enfraquecimento da democracia (Kees Brant); os padrões jornalísticos usados pela televisão pública e pelos canais privados na cobertura da campanha de 2001 para a eleição do Presidente da República (Estrela Serrano); e a imagem mediática de Lula nas campanhas eleitorais de 1989 e de 2002 (Luísa Luna e Rousiley Maia ) são alguns dos tópicos dos artigos deste número que inclui ainda um artigo do psicanalista francês Serge Tisseron, que analisa o telejornal "enquanto dispositivo em que os jornalistas procuram, subconscientemente, convencer os seus espectadores de que eles, jornalistas, controlam os ameaçadores acontecimentos que relatam". (Informações recolhidas do Editorial da revista).

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O fim da AACS no Clube de Jornalistas Arons de Carvalho, Artur Portela e Diana Andringa debatem, na edição desta semana do Clube de Jornalistas (4ª feira, 23h30, na Dois), o fim da Alta Autoridade para a Comunicação Social. Segundo o site do CJ, «este é o primeiro debate público sobre os 15 anos de actividade da AACS, um órgão que nasceu e morreu na sequência de duas revisões constitucionais acordadas entre PSD e PS. Um debate onde, entre outras vertentes, se abordaram a despudorada partidarização inicial da sua composição e a irresponsabilidade de quem, num incrível exercício de hipocrisia política e de engana-tolos, lhe atribuiu excessivas competências dando-lhe meios técnicos, humanos e financeiros ridiculamente escassos.»

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Afinal não foi Marconi? Afinal desmonte-se a história, porque o verdadeiro inventor da rádio parece ter sido um espanhol e não o italiano Marconi. Esta é a principal revelação de um livro recentemente apresentado em Espanha. O autor, Ángel Faus, da Facultad de Comunicación da Universidad de Navarra (Pamplona) defende ainda que a primeira emissão de rádio em Espanha aconteceu entre Ceuta (Norte de África) e Tarifa (Sul de Espanha), entre 1901 e 1902. (vale certamente a pena juntar esta referência à do livro de Rogério Santos, também recentemente lançado - Vozes da Rádio - sobre parte da história da rádio em Portugal)

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Debater o projecto de Estatuto do Jornalista (I) Os deveres profissionais (artigo 14.º) e a instituição de um regime disciplinar com sanções (artigo 21.º), previstos no projecto de Estatuto da profissão posto a consulta pública pelo Governo, constituem para o Sindicato dos Jornalistas (SJ) "questões controversas" que "merecem aprofundado debate". Para discutir estes e outros pontos do documento, o SJ convocou para a próxima terça-feira à noite, na sua sede do Porto, uma reunião aberta a todos os jornalistas do Norte do país, sejam ou não sindicalizados. Outras reuniões com a mesma finalidade estão já agendadas: em Coimbra (dia 26), Lisboa (dia 27), Évora (dia 28) e Ponta Delgada (dia 29). Na Madeira decorreu a primeira, no passado dia 17. O debate público termina no próximo dia 4 de Novembro. A actual fase de debate sucede a um período de discussão da primeira versão do anteprojecto do Governo, sobre a qual o Governo recolheu opiniões do Sindicato dos Jornalistas, da Confederação dos Meios de Comunicação Social, da Comissão da Carteira Profissional e da Alta Autoridade para a Comunicação Social. Sobre esta matéria, e à medida que o período de debate avança, não será de espantar que o tema venha a provocar alguma polémica, nomeadamente quando for debatido na Assembleia da República. Um primeiro sinal é dado já hoje pelo advogado do jornal Público Francisco Teixeira da Mota, num texto bastante crítico da iniciativa governamental, intitulado "Domesticar os jornalistas" (cf. post de Madalena Oliveira, em baixo). A questão contra a qual Teixeira da Mota se insurge é, precisamente, a da responsabilização disciplinar dos jornalistas. Debater o projecto de Estatuto do Jornalista (II) Em Espanha, como foi já referido neste blogue, decorre igualmente uma aceso debate em torno do mesmo assunto - o processo de aprovação do Estatuto do Jornalista Profissional por parte do Congresso dos Deputados. O documento de base foi apresentado pelo grupo parlamentar da Izquierda Unida e encontra-se presentemente em fase de audições públicas e colhe, em egral, praticamente a unanimidade entre as organizações sindicais e entre boa parte das forças políticas. Mas a Associação de Imprensa de Madrid e diversos dirigentes de grupos de comunicação têm-se mostrado claramente contrários não apenas ás disposições da proposta em análise, mas à própria necessidade de um estatuto. É também por esse diapasão que afina o influente diário El País, que dedica o seu editorial de hoje à matéria. Para os autores da tomada de posição, não oferece dúvidas que "o jornalismo atravessa, em Espanha, um dos momentos mais críiticos da sua história recente". Mas, escreve El País, se a doença é grave, "pior é o remédio". E explica: "Los redactores del proyecto de ley han soslayado en su inspiración los modelos liberales que mejor funcionan, especialmente el del Reino Unido, que se basa en la autorregulación de los periodistas, la responsabilidad de las empresas, la aplicación en su caso de la legislación civil, penal o laboral y la ausencia de intromisión de los poderes públicos. En lugar de todo ello, el proyecto español opta por un intervencionismo de hechuras rancias, cuyo regusto autoritario no puede más que preocupar a cualquiera que considere que el periodismo en libertad constituye la piedra de toque de la calidad de una democracia". Para acompanhar o debate em Espanha, recomendo, como sitio absolutamente essencial de consulta, o wiki do debate do Estatuto, criado pelo jornalista e blogger Juan Varela.

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Reflexões sobre o Estatuto do Jornalista Francisco Teixeira da Mota assina hoje no Público um conjunto de reflexões sobre as alterações ao Estatuto do Jornalista, onde entre outras coisas conclui o seguinte: «...se é certo que o governo, provavelmente retirando lições da recente presidência da CCPJ [Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas], afastou a ideia de ter um magistrado à frente deste órgão, a verdade é que a criação de um terceiro organismo, para além da entidade patronal e dos tribunais, perante o qual os jornalistas passam a ter de responder e a ser punidos pelo que escrevem, constitui um acrescido risco de atentados à sua liberdade de produzir informação e à nossa de a receber. Um enorme risco.»

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JRS por ele próprio "Quase não vejo televisão" José Rodrigues dos Santos, em entrevista à Revista do Expresso, 22.10.2005

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Actas do 4º Congresso da SOPCOM A maior parte das centenas de comunicações apresentadas no congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), realizado quinta e sexta-feira na Universidade de Aveiro, ocupam mais de duas mil páginas no CD com o Livro das Cctas distribuído aos participantes. Como as actas se encontram organizadas num único documento em Acrobat, uma rápida pesquisa indica que a blogosfera, que parece como objecto de uma das comunicações, está presente, como realidade analisada em muitas outras: o termo weblog surge 66 vezes e o termo blog 297. A aquisição do CD das Actas pode ser feito junto da entidade organizadora do Congresso.: a Comissão Editorial da Universidade de Aveiro.

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Riquezas limites da investigação em comunicação Joel da Silveira traçou, na sua comunicação, um panorama da produção científica noâmbito dos media no nosso país, salientando temáticas, campos e autores. Em jeito de balanço, que não teve tempo de apresentar oralmente, este docente da Escola Superior de Comunicação Social salientou o "assinalável incremento da investigação com suporte empírico", nomeadamente através de projectos de investigação colectivos, número de teses de mestrado e doutoramento, artigos e livros pubicados, congressos regulares, etc... Por outro lado, chamou a atenção para a "relativa insuficiência de estudos empíricos, nomeadamente ao nível da história dos media, políticas de informação, economia e estruturas organizacionais dos media, estudos de natureza monográfca e estudos comprados". Joel da Silveira considerou ainda haver "níveis de problematização por vezes insuficentes que não ultrapassam a descrição dos fenómenos observados", assim como uma reduzida internacionalização (ao nível da visibilidade da comunidade [científica]portuguesa e do número limitado de artigos em revistas).

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Uma situação curiosa A Madalena, presente no anfiteatro em que me encontro, dá(-me) um feedback daquilo que acabei de propor, ainda antes de se entrar no período de perguntas e respostas, enquanto outros oradores estão a fazer as sus intervenções. É um sinal, uma perspecctiva daquilo a que ela foi sensível e que valorizou a partir de uma intervençao oral. Um leitor situado em qualquer parte do mundo poderia, do mesmo modo, intervir neste painel, por esta mesma via.

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Os media, a cidadania e o ambiente simbólico O principal animador deste blogue acaba de proferir no IV Congresso da SOPCOM uma comunicação de que se faz aqui o justo registo (ainda que em forma de notas breves). Num painel especialmente orientado para uma discussão sobre as novas linhas ou tendências de investigação, Manuel Pinto defendeu sobretudo a interrogação de conceitos e expressões clássicas da investigação científica, nomeadamente o conceito de sociedade da informação, sociedade do conhecimento ou de construção social da realidade. Por outro lado, insistiu na necessidade de «olhar às consequências, aos impactos culturais que decorrem da multiplicação da informação». Numa alusão às transformações do campo da comunicação, Manuel Pinto considerou ser «importante tomarmos consciência de que há uma geração que ouve as suas histórias, as histórias que a todos nos encantaram, já não através dos pais, avós, ou outros educadores, mas por outras instituições» que ganham dinheiro com modos de dizer o mundo e a vida. É, por isso, relevante procurar «os mapas, as bússolas para que a navegação neste oceano faça sentido para o quotidiano das nossas vidas». Aludindo aos media como uma das agências centrais da produção do simbólico, insistiu ainda na necessidade de efectivar ferramentas de cidadania face aos media, referindo-se concretamente aos conceitos de accountability e de escrutínio público. Ainda assim, «não basta trabalharmos sobre a responsabilidade de os media prestarem contas à sociedade»; é também preciso «trabalhar sobre o incentivo dos cidadãos para participar no escrutínio público».

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Vai ser instituído prémio de investigação em Jornalismo O grupo temático de Jornalismo da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM) decidiu hoje instituir um prémio de incentivo de investigações em jornalismo junto de jovens investigadores. Na mesma reunião do grupo foi acordado reunir, no site da SOPCOM, a bibliografia portuguesa do campo, a listagem de teses de mestrado e doutoramento e outra informação útil para o sector. Manuel Pinto foi escolhido para continuar a coordenar o grupo, juntamente com Pedro Jorge Sousa (Universidade Fernando Pessoa) e Rogério Santos (Universidade Católica).

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Moisés Martins eleito Presidente da SOPCOM Moisés de Lemos Martins, professor catedrático da Universidade do Minho, acaba de ser eleito novo Presidente da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação. A eleição decorreu na Universidade de Aveiro, durante uma Assembleia Geral de associados, no decurso do Congresso das Ciências da Comunicação. A lista presidida por Moisés Martins, inclui como presidente da Assembleia Geral o Prof. José Manuel Paquete de Oliveira e como presidente do Conselho Fiscal Joel da Silveira. Na mesma Assembleia, o presidente cessante Paquete de Oliveira foi eleito por unanimidade e aclamação Presidente Honorário da SOPCOM.

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Luís Marques sobre as transformações no jornalismo em Portugal As redacções estão cada vez mais inundadas de informação - existem cada vez mais novas fontes. Num estudo feito há anos na SIC, verificou-se que cerca de 50% das matérias canalizadas provinham de fontes não oficiais, individuais ou organizadas. E em dados apurados pela RTP, verificou-se que em média chegavam 120 informações não oficiais (Governo e partidos) por hora. Existem cerca de 100 empresas de comunicação, nas quais trabalham cerca de mil profissionais. Se se incluirem os profissionais em câmaras e noutros tipos de informação, esse número ultrapassa os dois milhares, o que é mais do que o conjunto dos jornalistas dos grandes órgãos de informação. Os jornalistas e o jornalismo terão de repensar o seu posicionamento neste quadro. Um grande percentagem (50%?) das notícias do Telejornal provém desse novo tipo de fontes, sendo minoritária a parte que advém das agências, dos outros media. Sobre este quadro, pergunta Pacheco Pereira a Luís Marques: se é assim, porque é que os telejornais parecem todos iguais? [Palmas da assistência]. LM responde que o factor cultura jornalística (valores-notícia, formação...) assim como a imposição da própria natureza de certos eventos produzidos para os media leva a que uma parte das notícias secentrem em torno dos mesmos temas. E acrescentou: Poderia algum canal de televisão deixar de dar a comunicação do Prof. Cavaco Silva, hoje, às 20 horas?

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Painel com José Pacheco Pereira, Eduardo Prado Coelho, Moisés Martins, Luís Marques e Paquete de Oliveira MM: Repensar os media é repensar a mediação no espaço público. (...) Paralelismo entre a crónica (como discuro fragmentáro, que diz o contingente) e os blogues - um género fragnentário e solto, que diz igualmente o fragmentário e o contingente. ---Os blogues dizem, pela positiva, o tempo que é o nosso, enquanto os media dizem, pela negativa, aquilo que também somos. EPC: O campo da comunicação e informação é de banda muito larga. Seria necessário, para o pensar, delimitar conceitos e temas. Linhas a sublinhar: - o fenómeno da produção, edição e circulação da música, do cinema, do design e os efeitos que as novas tecnologias têm em todos estes domínios. - a comunicação mais íntima, face a face (transparência-opacidade, verdade-mentira) - a "produção dos sujeitos", em determinados media muito forte, noutros mais suave. JPP: Tendências que estão a mudar a nossa relação com o espaço público, muito marcado pelo desenvolvimento das cidades: - Passagem dos átomos para os bits: progressiva digitalização do mundo, com efeitos como a perda da noção de posse, de autoria, como a perda da individuação; - Efeitos da biologização dos "devices", cada vez mais próximos de nós, do nosso corpo, da nossa casa, enquanto prolongamento do nosso corpo: exemplo do telemóvel; - O mundo novo dos novos media não é o da solidariedade: vários destes media encolhem o espaço púbico, tornam-no mais próximo de uma espécie de patologia social (ex: as apresentações em powerpoint, alguns aspectos dos blogues...); - Manipulação da memória (ex.: projecto MyLife bits, da Microsoft); - O problema da mediação: possibilidade de controlar os softwares de busca (incluindo, no futuro, os canais de TV do mundo) e o problema das exclusões - os ricos disporão da possibilidade de seleccionar a melhor das informações, dispondo das melhores das literacias, enquanto a esmagadora maioria disporá de um ersatz de vida barato, simples, de baixas literacias (isto poderá levar a que as democracias venham a ser dominadas pelo pathos, em detrimento do logos e do ethos, redundando no caminho da demagogia, mais provável que a tirania. Este será um dos problemas mais importantes dos nossos tempos). PO: O discurso dos media funda-se no discurso comum sobre a sociedade. Entre a informação emitida e recebida há factores que interferem, que fazem que o que conta é a informação percebida. Repensar os media supõe repensar o sistema dos media: os donos da notícia, os grupos, as lógicas das empresas, o sistema da mercadorização das notícias, os seus produtores, incluindo os "opinionistas", como se chega a jornalista...Repensar os media exige repensar o modo como o seu sistema está a ser recomposto ou refeito pelas novas tecnologias de informação. LM (RTP): O que temos hoje é um sistema mediático em mutação acelerada, cuja chave é a revolução tecnológica (Internet, transmissões via satélite, rádio e TV digital e os milhares de novos protagonistas que entram no sistema de comunicação). Daqui está a emergir um novo paradigma na relação entre os cidadãos e os media.

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Intervenção do Prof. Sanchez-Tabernero (Univ. Navarra) Conferência de abertura, sobre o tema geral do Congresso da SOPCOM "Repensar os media". A busca da qualidade por parte dos media terá de considerar os factores seguintes: - Ter em conta a procura do público - Standards profissionais - Identidade de cada meio e respectivos valores - Imaginação, criatividade, originalidade - Exclusividade, difícil imitação - Design atractivo - Compreensibilidade - Proximidade temporal, geográfica ou emocional - Bom papel, som, imagem - Conteúdos divertidos. Isto requer uma grande equipa humana motivada, não condicionada, no respectivo recrutamento, a critérios pragmáticos imediatos.

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AACS poderia promover o debate sobre as licenças de TV Augusto Santos Silva afirmou, em Aveiro, que o processo de renovação das licenças dos operadores de televisão privada não é impeditivo da discussão pública, incluindo o debate passível de ser promovido pela instância de regulação. "Tudo depende domodo como entende os seus poderes", observou a este propósito. Contrariando a ideia de que este processo possa ser automático ou incondicional, sublinhou que a renovação implica uma análise da parte do regulador da actividade do conjunto da actividade desenvolvida pelos operadores. Considerou ainda que uma decisão que venha a ser agora tomada não é "absolutamente determinante para os próximos 15 anos", visto que a regulação é uma actividade permanente" e que do que venha a passar-se pode decorrer a intervenção da entidade reguladora, incluindo para cassar a licença.

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Regulação do "mercado das ideias" e não apenas do económico Sessão de abertura do 4º Congresso da SOPCOM O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, aproveitou a sua intervenção na abertura do congresso da SOPCOM para apresentar um conjunto de aspectos que, do seu ponto de vista, fundamentam a regulação dos media. Defendendo que os conceitos devem ser esclarecidos e debatidos no quadro da sua história intelectual e social, o ministro defendeu que não é apenas por causa da vertente económica que a regulação se deve fazer, mas, por causa do mercado de ideias, aspecto que consider não apenas necessário, mas essencial. A regulação dos media é uma regulação que é também a favor dos regulados. A hetero-regulação não tem que ser uma espécie de polícia, uma ameaça à liberdade de expressão, nem tão pouco é alternativa ou contraditória da auto-regulação. Porr outro lado, acrescentou, a regulação faz-se a favor dos direitos do conjunto dos cidadãos. "Regular não pode ser penas zelar pela indepêndência dos media face ao poder ou pela independência dos jornalistas face aos proprietários dos media. A regulação é um regulação dos efeitos dos vários poderes sobre os cidadãos". Santos Silva observou, referindo-se à configuração da entidade reguladora dos media, em fase de homologação, ser necessário ter presente que a independência não pode ser confundida com irresponsabilidade.

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Memória, "a questão de fundo no plano mediático" "(...) A questão de fundo, no plano mediático, tem a ver com a memória. Até um caso como este [Katrina], que deixou as marcas que se conhecem, ficou reduzido a nada a partir do momento em que saiu da auto-estrada da actualidade. Como aconteceu em tantas outras situações. Os acontecimentos já não são o que eram. Invadem a actualidade como uma tempestade e, tal como os furacões, diluem-se. O último capítulo da história fica demasiadas vezes por contar. Vivemos numa realidade fragmentada, desconexa, reduzida ao imediato (...)". As palavras são de Miguel Gaspar, no DN. Não sei se é "a" questão de fundo, mas será, no mínimo, "uma" questão de fundo. Que deixa abertas várias perguntas: - Terá de ser necessariamente assim? - Caberá aos media noticiosos algum papel no resgate e vivificação de uma memória que é, incontornavelmente, "chão" do futuro, sob risco do próprio futuro? - Que outras instituições sociais podem concorrer para essa construção de uma memória posta em relação com o futuro que se desenha e se faz? - Perante a aceleração do tempo e das "inovações", como criar ritmos diferenciados, para além do ritmo do acontecimento (mesmo do "grande acontecimento")? - Em que medida os próprios media - incluindo aqui a panóplia de novos media e de novas vozes que a eles recorrem - precisam de começar por resgatar a (falta de) memória dos / sobre os próprios media? Estas e outras questões são motivo de uma das intervenções que, com Helena Sousa, terei, nestes dias, em Aveiro, no 4º Congresso de Ciências da Comunicação.

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"Os Elementos do Jornalismo" - novo livro a caminho das livrarias livro Elem. JournO livro "Os Elementos do Jornalismo", da autoria de Bill Kovach e Tom Rosenstiel acaba de ser traduzido e editado em português (de Portugal), na colecção de Comunicação da Porto Editora*. O livro será apresentado no 4º Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, que amanhã tem início na Universidade de Aveiro. Publicado em 2001 nos Estados Unidos da América e traduzido já em diversas línguas, este trabalho tronou-se em pouco tempo um "clássico para todos os que querem compreender melhor por que caminhos anda hoje a comunicação social e de que modo pode / deve enfrentar os enormes desafios que se lhe colocam", refere a apresentação da contracapa. O livro resultou, como explicam logo na entrada os autores, de "uma vasta auscultação de opiniões entre jornalistas, estudiosos dos 'media' e membros do público". Na opinião de Roy Peter Clark, do The Poynter Institute, este é 'o livro mais importante sobre as relações entre jornalismo e democracia publicado nos últimos cinquenta anos'. Bill Kovach foi o primeiro curador da Nieman Foundation for Journalism, de Harvard, foi provedor ['ombudsman'] de Brill?s Content, editor do Atlanta Journal and Constitution e chefe da delegação de Washington do New York Times. Actualmente é o presidente do Committee of Concerned Journalists. Tom Rosenstiel foi crítico de 'media' no Los Angeles Times e correspondente da Newsweek junto do Congresso americano. É, presentemente, director do Project for Excellence in Journalism. (* Declaração de interesse: Juntamente com Joaquim Fidalgo, sou co-responsável pela colecção).

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O "estado da blogosfera" em Outubro de 2005 O número de blogues continua a duplicar a cada cinco meses, o que ocorre desde há três anos a esta parte, segundo se conclui do estudo State of the Blogosphere, October 2005 Part 1: On Blogosphere Growth, que trabalha com base nos blogues rastreados pelo Technorati, computados, actualmente em cerca de 20 milhões (mais rigorosamente 19.6). (via ContraFactos e Argumentos).

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O jornalismo e a gripe das aves Como habitualmente, a aula começou com um ponto de situação sobre a actualidade, não se tratasse de uma iniciação ao Jornalismo. Alguém, na sala, deu o mote: a cobertura jornalística da gripe das aves. Uma aluna mostra-se insatisfeita com aquilo que considera ser uma exploração sensacionalista do caso: "É um exagero o destaque que dão! Até já começam a indicar o número provável de mortos, fazendo com que algumas pessoas corram para as farmácias. Parece que estão mortinhos que tal aconteça!" Numa outra fila, outra opinião: "É importante que tratem do assunto e dêem informação. O problema está em dar informações que sejam úteis; em ouvir cientistas; em fazer recomendações". E ainda: "Era interessante aproveitar para recordar aquela que foi a última grande epidemia [a de 1918]. Ainda haverá quem guarde memórias desses tempos!" Fiquei a pensar no assunto (algo ainda comentei, na ocasião): o tema é fogo, do ponto de vista mediático. Tem todos os condimentos para o melhor e para o pior do jornalismo. Carrega fortíssimas conotações - as memórias difusas das razias das grandes pestes; o contraste entre uma ciência que se considera, por vezes, omnipotente e a fragilidade perante este tipo de situações; o mal que vem de Leste, da Sibéria, pois claro! E para cúmulo trazida por esse símbolo da vida livre e saudável que são as aves, a fugirem do frio, à procura de climas mais temperados. Um dossier a seguir com a máxima atenção.

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Um jornalista e o seu blogue entre a vida e a morte O escritor e jornalista de El País Eduardo Haro Tecglen, de 81 anos, foi ontem acometido de um ataque cardíaco, quando almoçava com um editor, em Madrid. Poucos minutos antes, tinha escrito no seu blogue um post sobre a fome, no Dia Mundial da Alimentação. Tinha também enviado, como habitualmente, o texto para a sua coluna no jornal. Já perto da meia-noite, foi a esposa que comunicou, no mesmo blogue, a noticia do ocorrido. Haro Tecglen encontra-se entrea vida e a morte, segundo El País.

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Novo jornal à vista? Rogério Gomes, ex-director de O Comércio do Porto, é referido hoje pelo Jornal de Negócios como estando a a negociar com investidores para lançar um novo jornal, caso falhe a compra do título ao grupo Prensa Ibérica. E a cooperativa? Foi chão que deu uvas? O blogue começou a esmorecer, depois de ter transcrito uma notícia que anunciava decisões até ao último fim de semana (as quais aparentemente não chegaram).

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MEM - Movimento Educação para os Media apresenta-se hoje Apresenta-se hoje, às 16 horas, no auditório da FLAD - Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, o recém-constituído Movimento Educação para os Media (MEM), uma iniciativa que reúne pessoas da área da educação e profissionais dos meios de comunicação. O MEM pretende ser "o dinamizador de uma rede de escolas, juntas de freguesia, associações e outras instituições, públicas ou privadas, que se proponham seguir uma linha de rumo coerente e sistematizada na Educação para os Media". Elaborar um estudo sobre o estado actual da Educação para os Media em Portugal, a realização de um encontro nacional, produção de conteúdos pedagógicos e formação em educação multimédia são algumas das linhas de actividade previstos para o ano de 2006. O MEM nasce das preocupações de um grupo de pessoas, liderado por Ivone Dias Ferreira, ex-jornalista da RTP e ex-assessora de Imprensa do ministro David Justino.

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A adesão de Portugal à CEE através da TV O primeiro dia Europeu de Portugal - Cenas da união selada pela televisão. O Tratado de Adesão de Portugal à CEE: análise da telecerimónia. É este o título do livro da jornalista da RTP Gisela Machado que será lançado na próxima quinta-feira, dia 20, às 19h30, durante o 4º Congresso da SOPCOM - Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação que terá lugar na Universidade de Aveiro. Nesta obra - que corresponde à tese de mestrado em História Contemporânea - a autora analisa o tratamento dado pela RTP à assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à CEE (12/06/1985), o segundo maior acontecimento mediático nacional, em termos de mobilização de meios, que decorrera até então após o 25 de Abril de 1974. Gisela Machado, para além de fazer uma breve contextualização histórica do processo, analisa a transmissão desse evento feita pela RTP ao longo de 14 horas. Esse acontecimento mediático, segundo a autora, "fixou na memória nacional o 'rito de passagem' colectivo que ocorreu no Mosteiro dos Jerónimos, afinal um acontecimento-monumento construído pelos técnicos de televisão para perpetuar o instante em que Portugal se tornou membro da CEE". De acordo com a jornalista da RTP, tratou-se de "uma construção que desafia e antecipa o trabalho da escrita da História na Pós-Modernidade, impondo, por isso, ao historiador novos desafios". (Texto de Felisbela Lopes. Neste caso, apenas afixo o post...)

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Pode um jornalista colar-se a um escândalo? Confesso que tive muita vontade de escrever sobre a notícia do Expresso de sábado (sobre a intenção de Felgueiras "levar denunciantes a mentir"), mas tive receio de estar a fazer uma leitura motivada sobretudo pelo tom dado à informação do Expresso. No entanto, reparando que João Paulo Meneses e António Granado se terão colocado interrogações semelhantes, arrisco então anotar algumas questões sobre o papel de Sandra Felgueiras nesta história toda:

  • pode um jornalista, como Sandra Felgueiras, colar-se à imagem de um escândalo que envolve familiares directos (no caso, a própria mãe)?
  • saberá o povo distinguir a Sandra Felgueiras-filha da Sandra Felgueiras-jornalista?
  • pode um jornalista, como Sandra Felgueiras, fazer uso (como, alegadamente, terá feito) do seu estatuto para intervir num acontecimento ou num caso... no fundo, na notícia?
  • que espécie de inter-vigilância exercem os colegas de profissão relativamente ao comportamento da jornalista?/que distanciamento conseguem os colegas da profissão para tratar de um assunto sensível a uma companheira de trabalho? (não duvido da integridade dos jornalistas que trataram o caso Felgueiras, mas com que dificuldades o conseguiram?)

Não é propriamente a competência de Sandra Felgueiras enquanto jornalista que está em causa, mas uma reflexão sobre uma arriscada confusão de papéis.

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Outras leituras Fernando Ilharco, Público, "Em qualquer democracia": «Os escândalos nas primeiras páginas e as aberturas dos telejornais têm desde há anos vindo a actuar sobre a população como uma vacina. Ao fim de uma certa dose as pessoas ganham imunidade ao alvoroço, à surpresa e à imoralidade. Os comportamentos rasteiros, criminosos ou suspeitos deixam de ser escandalosos, passando apenas a ser programas e folhetins de televisão.» José Pereira da Costa, Público, "Algumas considerações sobre os media em Portugal": «Penso que será salutar, pois, a vinda do grupo Prisa para Portugal, além de que isso faz parte das regras do jogo em que aceitámos participar. (...) Já que nós não vamos para a Europa, terá que ser esta a vir até nós. É necessária uma lufada de ar fresco para o país avançar, principalmente na política e nos meios de comunicação, dois sectores inter-ligados e dos mais cruciais neste pequenino mundo medíocre em que vivemos.»

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O fim dos gatekeeper Aborda-se no Periodista Digital a problemática dos blogues por este prisma - o do fim do jornalismo como gatekeeper. Está, aliás, «emergiendo un nuevo tipo de reportero y una forma distinta de reportear. Persisten lagunas, errores, premuras y fracasos, pero vía correo electrónico, SMS, chat, y blog recibimos cotidianamente información relevante, que los grandes medios escritos tradicionales, las cadenas de televisión y las radios no pueden o no quieren dar.» Quer o fim do jornalismo como gatekeeper dizer que o que surge no seu lugar é o jornalismo do cidadão? Parece que sim: «por primera vez en la historia, las noticias son redactadas y difundidas por gente corriente y no sólo por las poderosas empresas periodísticas y los bien pagados profesionales de la información. Se trata de un golpe mortal para los guardabarreras que tradicionalmente han decidido qué era noticia y cómo debía llegar a la opinión pública. En estos momentos y a través de Internet, la primera redacción de muchas noticias es elaborada por aquellos que hace apenas una década eran simple audiencia.»

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Mais um caso no New York Times? Os desenvolvimentos do caso da jornalista Judy Miller, do New York Times (NYT), que esteve presa por se recusar a revelar a sua fonte, estão a revelar um dossier bem mais complexo do que poderia parecer à primeira vista. E poderá provocar estragos no próprio jornal que terá, aparentemente, deixado rédea solta a esta sua vedeta (ver, a este propósito, After 'NY Times' Probe: Keller Must Fire Miller, and Apologize to Readers, de Greg Mitchell, no Editor & Publisher). Se me é permitido um comentário, a este propósito, gostava de saber que jornal português seria capaz de publicar um texto como o que o NYT publicou no sábado, sobree ste caso.

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"Isto não é Sodoma e Gomorra" (II) Eduardo Jorge Madureira, na coluna dominical do Diário do Minho: " (...) Pacheco Pereira critica 'a comunicação social' por ela, digamos assim, não distinguir o trigo do joio, ou seja, os candidatos [das autárquicas] que são um ?nojo? dos que são sérios e esforçados. Pacheco Pereira faz bem em querer que essa distinção se faça, mas dizendo o que diz do modo como o diz, torna-se semelhante ao que critica, pois, também ele, não se dá ao trabalho de distinguir, na comunicação social, o trigo do joio, o noticiário televisivo que é um 'nojo' do jornal que é sério e esforçado. Parafraseando Pacheco Pereira, poder-se-ia perguntar: quantas pessoas, quantos jornalistas, em muitos sítios se esforçaram por fazer diferente? Nem um? Duvido, isto não é Sodoma e Gomorra".

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"Não conhecemos uma única derrota" Transcrevendo parte de um discurso de despedida proferido pelo ainda director do "Expresso" numa reunião da redacção, o semanário que Pinto Balsemão considera o "navio almirante" do grupo Impresa edita hoje um texto onde se podem ler as seguintes palavras do arquitecto António José Saraiva: "nestes 20 anos (o tempo em que foi director ) muitos concorrentes saíram do caminho: o 'Semanário', 'O Independente', a 'Visão', para não falar dos diários que fizeram edições especiais ao sábado para concorrer connosco. Vencêmo-los sempre. Não temos uma única derrota na nossa folha de registo". Seria certamente bom que assim fosse. Não é. E as manchetes dos últimos meses comprovam isso. De Henrique Monteiro espera-se um substancial trabalho de renovação deste título. Hoje será difícil acreditar que, a 6 de Janeiro de 1973, o "Expresso" apareceu com a seguinte manchete: "63 por cento dos portugueses nunca votaram".

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Retratos da blogosfera Acabo de apresentar, no 2º Encontro de Weblogues, na Universidade da Beira Interior, as conclusões de um inquérito feito a bloggers. Como o instrumento usado foi, em traços gerais, comum ao reizado aquando do 1º encontro, na Universiade do Minho, em 2003, foi possível comparar os dados dos dois momentos. Que se pode, então, concluir? - parece haver agora um maior equilíbrio entre bloggers homens e bloggers mulheres - o nível de instrução dos bloggers é claramente superior à da população (forte presença de licenciados, mestrados e doutorados) - Em 2003, apenas 36,5% tinham contacto com a blogosfera há dois ou mais anos; essa percentagem sobre agora,e compreensivelmente, para 86%. - A maioria (dos respondentes) actualiza os seus blogues uma ou mais vezes por dia. - Relativamente à mediasfera, a blogosfera assume-se mais como complemento do que como alternativa.

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Retratos de Mulher Já está disponível, numa edição da Campo das Letras, o novo livro da colecção Comunicação e Sociedade. Chama-se Retratos de Mulher - Construções sociais e representações visuais no feminino e é da autoria de Silvana Mota-Ribeiro, docente no departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. As palavras da contra-capa são de Carolina Leite, que apresenta assim o livro: «A leitura do texto publicitário, aqui dirigida à representação do corpo feminino, confronta-nos com a mesma perplexidade de sempre: por um lado, a inegável força de criatividade e sedução desta linguagem faz-nos supor uma ousadia de intenção que, no entanto, logo se desvanece, pois, por outro lado, o corpo representado apresenta-se como força domesticada e socialmente previsível.Assim, ao fulgor inicial que a imagem publicitária suscita, sucede-se o vazio da repetição incessante.O retrato deste corpo que atravessa o estudo de Silvana Mota-Ribeiro deixa-nos no limiar de uma promessa de leveza, harmonia e singularidade. Desígnio de um corpo outro, tantas vezes entrevisto na publicidade, mas que permanece à procura da sua linguagem própria.»

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Informação e emoção Miguel Gaspar retoma hoje, no Diário de Notícias, a questão das emoções e do seu papel no tratamento informativo do caso judicial do desaparecimento de Joana no Algarve. Considerando que a «informação televisiva joga e promove a exibição de emoções», Miguel Gaspar anota ainda a exibição de «declarações das pessoas que foram assistir ao julgamento». Ora, a opção por ouvir a "vox populi" em casos desta natureza é precisamente, julgo, a manifestação de uma vontade de fazer notícia com o que se sente. «O discurso culpabilizador que se lhes ouviu», diz Gaspar, «não era mais do que um álibi para sossegar a má consciência de querer assistir a um julgamento mediático. A televisão tenta dizer-nos que essas frases representam a opinião do povo. Mas, tal como a mãe de Joana, o povo é convocado para dizer o que é adequado ao espectáculo. Chama-se a isto populismo televisivo.»

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As Vozes da Rádio O mais recente livro de Rogério Santos, 'As Vozes da Rádio, 1923-1939', será lançado no próximo dia 20, às 19h30, durante o 4º Congresso da SOPCOM - Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação que terá lugar na Universidade de Aveiro. O livro de Rogério Santos apresenta elementos de grande relevância para a compreensão da história da rádio em Portugal desde o começo da radiodifusão como actividade regular até ao início da II Guerra Mundial. A obra 'As vozes da Rádio' retrata, de forma cuidada, o entusiamo experimentalista dos anos 20 e a emergência das principais estações que dominaram o panorama radiofónico durante o século passado. Ocupando-se da realidade portuguesa, este livro traduz um esforço notável no sentido de reduzir a escassez bibliográfica sobre a história dos media, em geral, e da rádio, em particular.

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As explicações de José Manuel Fernandes Aquilo que o director do Público disse ontem (de facto, já hoje) no programa Clube de Jornalistas é lógico e razoável. José Manuel Fernandes, com um sorriso prometedor, deu a entender que o Público continua, de facto, a trabalhar o assunto FF e que, passada a agitação das eleições autárquicas, ele será retomado, num prazo cujo horizonte será o início do julgamento, no final deste mês. Mas, como já comentou o Bloguítica, deviam ter sido os leitores do jornal a sabê-lo em primeira mão e por iniciativa do próprio jornal. Mas mais vale alguma coisa do que nada e é melhor tarde que nunca. Veremos o que sai. Uma coisa é certa: os passos que o jornal der serão naturalmente escrutinados de uma forma mais exigente, depois do que se passou.

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Falar de Blogues No momento em que os participantes do 2º Encontro Nacional de Blogues já começam a preparar a mala para se dirigirem à Covilhã, em Lisboa "aquecem-se os motores" a "Falar de blogues". Trata-se "Blogues do feminino", o primeiro de uma série de colóquios, que tem lugar hoje, às 19 horas, na Livraria Almedina (ao Saldanha), e no qual participam Carla Quevedo (Bomba Inteligente), Patrícia Antoniete (Megeras Magérrimas), Isabel Matos Ferreira (Miss Pearls) e Isabel Ventura (mestranda em Estudos sobre as mulheres). A inicitiva, que terá continuidade a 10 de Novembro e a 7 de Dezembro, é uma inicitiva organizada por José Carlos Abrantes e Livraria Almedina. "Sobre que assuntos falam as mulheres na blogosfera?". O Miss Pearls tem aqui uma rápida compendiação.

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"Isto não é Sodoma e Gomorra" Pacheco Pereira, no Público: "A comunicação social descreveu esta campanha como um nojo, uma abjecção contínua, uma luta mesquinha e sem grandeza. Se formos a ver, já há muito tempo que descreve assim todas as campanhas eleitorais, sejam elas quais forem. Abriu uma excepção: elogiou Maria José Nogueira Pinto, mas fê-lo de forma utilitária para servir de contraste para atacar Carmona e Carrilho. Esquece-se de uma coisa básica: que diferença fez em relação a candidatos que se esforçavam para ser diferentes e que, por não serem um "nojo", não interessavam nem ao menino Jesus? Ignorou-os e ajudou a que eles perdessem. Quantas pessoas, quantos candidatos, em muitos sítios se esforçaram por fazer diferente? Nem um? Duvido, isto não é Sodoma e Gomorra".

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Sobre os porquês de uma movimentação na blogosfera

Há algumas reflexões sobre a movimentação recente de mais de seis dezenas de blogues em torno de um comportamento concreto do jornal Público, que gostaria de partilhar, independentemente do que dirá esta noite José Manuel Fernandes. Assim:

  • Em primeiro lugar, não quero admitir a hipótese de serem infundadas as informações que o Público deu em manchete, noticiando "negociações" entre Fátima Felgueiras (FF) e dirigentes do PS, para o regresso daquela a Portugal. Se tal fosse verdade, estaria ameaçada a confiança dos leitores no jornal.
  • Contudo, quando o jornal, uma vez questionado de vários lados, para que esclarecesse o modo como actuou, se remeteu a um silêncio sepulcral, foi precisamente essa confiança que comprometeu, por deixar pairar no ar a ideia de que não tinha argumentos perante o extenso desmentido publicado por FF no Público.
  • Não colhe o argumento segundo o qual não merecem consideração aqueles que põem no mesmo prato da balança as explicações e desmentidos de uma foragida à justiça (e dos dirigentes do Partido acusado) e os factos avançados pelo jornal como o Público. E isto porque os factos que ele divulga - e que revestem, evidentemente, uma altíssima gravidade - carecem de garantias de fiabilidade, para não correrem o risco de reforçar a estratégia da própria FF.
  • De entre as garantias de fiabilidade que matéria tão sensível exige, destaco a explicação dos motivos ponderados pelos responsáveis do Público para darem a informação que deram, recorrendo a fontes anónimas. E, se possível, sinais consistentes de eventuais passos que tenham sido dados, no sentido de verificar as informações em fontes diversificadas.
  • É condenável a prática, cada vez mais frequente, nomeadamente na esfera política e desportiva, de divulgar informações e opiniões recorrendo ao anonimato das fontes. Mas é admissível fazê-lo, em circunstâncias específicas, em que esteja em causa o interesse público. Mas desde que sejam dadas aos leitores salvaguardas que assegurem que não seja posto em causa o contrato implícito de confiança em que se funda a relação com o órgão de informação. Por esta razão é que não considero retórica a pergunta que coloquei há dias neste blogue.
  • A iniciativa de várias dezenas de blogues de exigir explicações do jornal - interessa pouco como as coisas foram desencadeadas - constitui um processo saudável e demonstrativo de mudanças no campo comunicacional às quais, curiosamente, o Público até costuma prestar grande atenção, mas que, neste caso, preferiu ignorar olimpicamente (como, de resto, os outros media profissionais).
  • Provavelmente haverá distintas motivações para a adesão de um número tão inusitado (e plural) de blogues. Mas, ao contrário de algumas insinuações, nunca houve, até este momento, tanto quanto me tenha apercebido, motivos ou objectivos publicamente invocados que não sejam de pura cidadania. Não se tratou de uma movimentação contra o Público ? jornal que grande parte dos blogues aderentes aprecia e deseja que cada vez tenha mais qualidade - mas de crítica a um determinado comportamento desse jornal.
  • A movimentação da blogosfera neste caso constitui um indicador e um sintoma de uma realidade que mudou: os media profissionais continuarão a ter o poder de marcação da agenda, mas não têm mais o monopólio da palavra e conviver com esta realidade constitui um desafio para todos os actores sociais: tanto os profissionais dos media como os intervenientes dos novos media.
  • Parece-me, finalmente, um sinal positivo que seja num espaço de debate como o "Clube de Jornalistas", na 2:, que este caso, finalmente, irrompe no terreno dos grandes media, embora não como tema de confronto de ideias, mas, pelo menos, como motivo para o esclarecimento da parte do Público. O caricato da situação é que, quando essa questão for colocada, provavelmente boa parte dos telespectadores estarão a leste do que se passou e da envergadura do movimento gerado.

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Olhar, ver, enxergar "Quanto mais olhamos para as imagens externas, menos enxergamos nossas imagens internas e menos ainda geramos nossas próprias imagens. Por isso, faz-se necessário resgatar a noite e suas outras visões, resgatar o crepuscular com suas imprecisões e ambivalências, resgatar o escuro que nos faz ver o mais íntimo, o mais profundo de nós mesmos". Baitello, N. "A visão crepuscular e as imagens internas", in Leone, Elisabeth. À revelia da luz. p. 6-9.

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Henrique Monteiro à frente do "Expresso": que comentários? São bem-vindos os comentários, nomeadamente sobre os pontos seguintes:

  • É uma boa solução? Que perspectivas se abrem para o jornal? Que podemos esperar, enquanto leitores?
  • Como caracterizar estes mais de 20 anos de "magistratura" de José António Saraiva? Que marcas positivas e negativas deixa no jornal e no jornalismo?
  • Para as gerações que há 20 anos ainda andavam a aprender as letras, como era o Expresso antes de JAS?

Actualização em 12.10: Um factor que pode ter acelerado a mudança na Direcção do Expresso está nesta notícia do DN: "A Cofina, grupo liderado por Paulo Fernandes, vai lançar um semanário para combater o Expresso"

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Director do "Público" explica posição no "Clube de Jornalistas" O director do Público, José Manuel Fernandes, pronuncia-se amanhã sobre o motivo da movimentação de algumas dezenas de blogues que, na última semana, vêm exigindo daquele diário explicações sobre o modo como noticiou as circunstâncias do regresso de Fátima Felçgueiras a Portugal. A explicação será dada no decurso do programa "Clube de Jornalistas" que vai para o ar amanhã, pelas 23.30, na Dois, e que foi hoje gravado. O tema da edição desta semana, que tem repetição no dia seguinte, às 15.30, é a cobertura das eleições autárquicas, participando, além do director do Público, o jornalista Ricardo Costa e o Prof. Costa Pinto. A condução do debate cabe a Estrela Serrano.

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"UMjornal" recebe duas menções honrosas UMJornal O mensário "UMjornal - A Universidade do Minho em Notícia" foi contemplado com duas menções honrosas - pela primeira página e pela fotografia - no concurso de design de jornais deste ano, da Society for News Design (Zona Ibérica). O UMjornal, dirigido por Joaquim Fidalgo e tendo como editor executivo Luís Santos e como gráfico Pedro Almeida, foi um projecto lançado pela actual equipa reitoral da UM. Com o objecto de dar informação sobre a vida da Universidade, o mensário, que actualmente se encontra suspenso, foi assumido, até ao presente, como um projecto profissional de informação e não como órgão oficial da Universidade do Minho. A menção honrosa na categoria primeira página foi atribuída ao número que tratou o tema "Sexo: riscos a mais apesar da informação" (cf. imagem). A foto premiada com a outra menção honrosa, intitulada "Que frio!", é de Dario Silva, ex-aluno da UM e autor e animador do portal "O Comboio em Portugal". Apenas um outro jornal equivalente - Gaceta Universitaria, de Madrid - contemplado com uma menção honrosa - figura na lista dos premiados, na sua totalidade títulos profissionais de âmbito nacional e regional dos dois países ibéricos. Do lado português, os prémios e menções honrosas couberam, maioritariamente, ao DN, Público, JN, Expresso e O Independente. (Notícia via Atrium).

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Não aceitar a "baixaria" na TV Da coluna de Francisco Sarsfield Cabral, no DN de hoje: "(...) A relutância de certas empresas em verem a sua imagem associada ao telelixo resulta de estratégias de marketing. Só que tais decisões apontam, em última instância, para a atitude dos telespectadores se uma parte considerável destes rejeita programas degradantes, eles desaparecem do pequeno ecrã. Para combater o telelixo não aceito censuras nem acredito em auto-regulações. A única via está do lado da procura, não da oferta: haver cada vez mais telespectadores que recusem a "baixaria", não se limitando a dizer mal dela. É um caminho longo, que começa a ser percorrido entre nós."

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As emoções como categoria de análise no estudo da comunicação A editora alemã VS Verlag acaba de lançar um livro, pelo menos aparentemente, interessante no que respeita aos novos estudos da comunicação. Emotionen - Medien - Gemeinschaft (Emoções - Media - Comunidade) pretende ser uma análise sociológica da comunicação que encara as emoções como uma categoria a considerar. A ideia parece ser a da integração das emoções na pesquisa social e de comunicação, devendo ser um apelo a todos aqueles que trabalham sobre o mundo social dos humanos para que considerem as emoções como categoria de acção equivalente nas suas análises. Apesar de ainda não ter visto mais do que a apresentação da editora, diria que é um livro muito oportuno, sobretudo num momento em que a informação é frequentemente atravessada pela emoção (interessante a este propósito uma chamada de atenção do Periodista Digital sobre o terramoto no Paquistão: Nos principais portais da imprensa / Fim-de-semana de dor e morte)

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Das agências noticiosas aos blogues Às convencionais fontes de informação, juntam-se, cada vez com maior vigor, as ferramentas específicas da Internet. Primeiro foram os jornais on-line (entre nós, o Portugaldiario e o Diario Digital, por exemplo, consideravelmente referidos pelos órgãos clássicos), agora os blogues. Apesar de praticamente não ter sido noticiado pelos media, o Congresso que o CECS promoveu, na sexta-feira, na Universidade do Minho, sobre Comunicação e Lusofonia teve uma cobertura rigorosa por um "bloguista". Sérgio Denicoli acompanhou todas as sessões com o computador, em vez do bloco de notas, sobre a mesinha das cadeiras do auditório e sistematicamente foi editando posts com informação gerada no encontro, num verdadeiro "real time work". É gratificante uma visita ao Ponto de Análises que se define como um espaço "dedicado ao acompanhamento e análise dos factos e pensamentos que envolvem o universo do jornalismo". Também num quase "directo", Pacheco Pereira, à semelhança do que tinha feito nas Eleições Legislativas, foi acompanhando com comentários, no estúdio da SIC, os resultados das Eleições Autárquicas de ontem, no Abrupto, como se aí se permitisse dizer o que não diria na TV. É definitivamente uma outra forma de acompanhar a actualidade.

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"Grande imprensa corre atrás de blogueiros" É o que escreve o jornalista Carlos Castilho, no seu blogue Código Aberto (notícias e comentários sobre jornalismo na Internet e novas experiências de comunicação online). Concretiza: "Demorou quase três anos, mas a vez dos blogueiros acabou chegando. Aqui no Brasil, Ricardo Noblat está se mudando para o Estado de São Paulo numa negociação que deve ter envolvido vários dígitos. E nos Estados Unidos, Jason Calacanis, outro veterano da blogosfera, acaba de entrar para o portal American Online por algo entre 20 a 30 milhões de dólares. (...)".

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Wiki usado em formação sobre jornalismo online O jornalista e blogger Paulo Querido está a usar a plataforma colaborativa wiki para as interacções dentro e fora da aula, num curso breve do Observatório de Imprensa sobre Jornalismo on line, que está a leccionar em Santarém. "Formador e formandos usam um wiki para apresentar os conteúdos, os sumários, as ideias e mesmo os currículos e apresentações de cada um", esclarece Paulo Querido em mensagem enviada por e-mail e na qual anuncia o próximo passo: "fazer um meio web capaz de publicar texto, imagem, video e som (uma mistura de jornal, televisão e rádio conforme as necessidades) e difundi-lo usando as modernas técnicas de espalhar informação (RSS, difusão viral)". O sítio já merece bem a uma visita.

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Portugal e a TV digital terrestre Dentro de meses, a Catalunha conta começar a transferir o sistema de transmissão do sinal televisivo do analógico para o digital, estando o "apagão" analógico previsto para 2008, dois anos antes do conjunto do território do Estado espanhol. Para se aquilatar do atraso em que Portugal se encontra, basta ver o que se está a passar não apenas em Espanha, mas noutros países da Europa e que o jornal La Vanguardia sintetiza deste modo, num artigo hoje publicado: "Posiblemente Finlandia sea el país que más lo ha desarrollado, incluso hacen pruebas de docencia y estudian la posibilidad de la democracia electrónica, o sea, poder votar desde el televisor. Francia ha puesto en marcha el sistema, así como Alemania y Gran Bretaña, mientras Italia vive un proceso similar al Español". No nosso país, depois do entusiasmo do final dos anos 90, seguiu-se o impasse, o que levou a que fosse cancelada em 2003 a licença atribuída ao consórcio então constituído. Aguarda-se agora pelas medidas do governo, sendo que a Comissão Europeia recolocou, já este ano, em 2012 o horizonte para a mudança generalizada de sistema (clicar aqui para um ponto de situação).

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Modelos da comunicação Surge por vezes a ideia de que a comunicação e o jornalismo são dois territórios que não se conjugam e que até ganhariam se se mantivessem de fronteiras bem delimitadas. Mas tal entendimento tem provavelmente a ver com as actividades profissionais que se filiam num e noutro conceito, visto que as teorias e modelos da comunicação são essenciais para compreender o papel do jornalismo e este, por sua vez, constitui um input que tem enriquecido e alargado o próprio modo de entender e formular aqueles teorias e modelos. Vale a pena, nesta linha, ler o texto Modelos de la Comunicación, de Miquel Rodrigo Alsina, que o Portal de la Comunicación acaba de disponibilizar na sua secção de Lecciones. Reencontrei ali aquela conhecida passagem de Jorge Luis Borges sobre a relação entre o mapa e o território, que não resisto a transcrever aqui:

"En aquel Imperio, el Arte de la Cartografía logró tal Perfección que el mapa de una sola Provincia ocupaba toda una Ciudad, y el mapa del Imperio, toda una Prov incia. Con el tiempo, esos Mapas Desmesurados no satisficieron y los Colegios de Cartógrafos levantaron un Mapa del Imperio, que tenía el tamaño del Imperio y coincidía puntualmente con él. Menos Adictas al Estudio de la Cartografía, las Generaciones Siguientes entendieron que ese dilatado Mapa era Inútil y no sin Impiedad lo entregaron a las Inclemencias del Sol y de los Inviernos. En los desiertos del Oeste perduran despedazadas Ruinas del Mapa, habitadas por Animales y por Mendigos; en todo el País no hay otra reliquia de las Disciplinas Geográficas. Suárez Miranda: Viajes de varones prudentes, libro cuarto, cap, XLV, Lérida, 1658." J. L. Borges (1981) "Del rigor en la ciencia" (na edição portuguesa das Obras Completas, do Círculo de Leitores, este escrito vem no vol. II, p. 223)

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O Público e os seus leitores O jornal Público faz mal em alimentar o silêncio em torno do tratamento que fez das condições em que ocorreu o regresso de Fátima Felgueiras a Portugal. É óbvio que está no seu direito de ignorar a pressão que sobre si estão a exercer mais de meia centena de blogues, alguns deles com uma audiência significativa. Quero crer que este ignorar dos apelos de muitos cidadãos não significa menosprezo pelas questões colocadas. Ainda me parece que o jornal estará a trabalhar numa resposta pela positiva, ou seja, esclarecendo as dúvidas factuais que se levantaram. Mas isso não impede de vir a terreiro debater as opções editoriais com que se defronta. Digo isto porque, tanto quanto consigo descortinar o que está em jogo, admito a razoabilidade dos aspectos que o jornal teve/tem de ponderar. Mas tem, em qualquer caso, obrigação de prestar contas, sob pena de ver a sua credibilidade minada. E não estando em actividade a instância própria para atender as queixas e pontos de vista dos leitores, não resta a quem aprecia o jornal outra solução que não seja continuar a insistir. Ver, a este propósito, o que escrevem:

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"Nacional-porreirismo dos jornalistas" Da jornalista Helena Matos, no Público: "Estas eleições autárquicas mais uma vez puseram a nu algumas das fragilidades da comunicação social. Assistimos mais uma vez àquilo que se pode definir como uma espécie de culto do ir na onda. O caso da cobertura da campanha de Manuel Maria Carrilho é bem sintomática desse espírito. De repente, o que estava a dar era bater no Manuel Maria. Porque ia sozinho. Ou com a mulher. Porque falava. Ou estava calado... Não se julgue que esta onda tem algo de partidário. O mesmo espírito do "bota-abaixo ao Carrilho" tem, por exemplo, o seu reverso numas notícias laudatórias sobre o candidato do BE no Porto, João Teixeira Lopes, um dos candidatos que gozou de melhor imprensa nesta campanha. Quando dentro de momentos começar a campanha para as presidenciais, vai ver-se como esta espécie de remake do nacional-porreirismo dos jornalistas pode ditar a sorte ou a desgraça dos candidatos".

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Cresce significativamente o número de visitantes de blogues

Cerca de 900 mil portugueses com quatro anos ou mais visitaram blogues nos primeiros nove meses deste ano, segundo dados do Netpanel da Marktest agora divulgados. De acordo com a newsletter da Marktest, de Janeiro a Setembro, o número de utilizadores únicos destes sites (899 mil internautas) já ultrapassou o valor observado durante todo o ano passado (726 mil).
Como se pode ver no gráfico, o mês de Janeiro foi o de mais visitas, registando-se, depois, uma tendência para o decréscimo, contrariada apenas no mês passado.

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O capitalismo mediático no seu melhor "Bertelsmann detém 15,66% da Media Capital", refere hoje uma notícia do Diário Económico, citando um comunicado da Media Capital. E quem detém a Bertelsmann?, será caso para perguntar. A notícia não o diz, mas dá-nos o íngreme e sinuoso caminho que vai desde o grupo detentor da nsosa TVI àquele grupo de media com origem na Alemanha. Vejamos:

  • A UFA Film controla 15,66% da Media Capital
  • A RTL Group Deutschland Gmbh detém 100% da UFA Film
  • A RTL Group Germany SA detém 100% da RTL Group Deutschland Gmbh
  • A CLT-UFA SA detém 100% da RTL Group Germany SA
  • A RTL Group SA detém 99,7% da CLT-UFA SA
  • A Bertelsmann TV Beteiligungs GmbH detém 90,4 da RTL Group SA
  • A Bertelsmann AG detém 100% da Bertelsmann TV Beteiligungs GmbH.
Uf!

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Os media e os riscos da democracia nos EUA - um discurso de Al Gore Na conferência We Media, que decorreu quarta-feira, nas instalações da Associated Press, em Nova Iorque, interveio o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Albert Al Gore, actualmente presidente da Current TV, uma experiência de televisão dos cidadãos que começou a funcionar recentemente. O discurso que então pronunciou, que não suscitou grandes referências, merece, no entanto, leitura atenta. Fica aqui o primeiro parágrafo: "I came here today because I believe that American democracy is in grave danger. It is no longer possible to ignore the strangeness of our public discourse . I know that I am not the only one who feels that something has gone basically and badly wrong in the way America's fabled 'marketplace of ideas' now functions. (...)". (O texto integral está disponível aqui e aqui, sendo também possível escutá-lo aqui).

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Mais de 5o blogues aderem à "micro-causa" do Bloguítica São já 52 os blogues que estão a pressionar o jornal Público para que dê explicações aos seus leitores a propósito dos desmentidos às informações que divulgou, segundo as quais o regresso a Portugal de Fátima Felgueiras foi negociado com dirigentes do PS. Tem sido igualmente questionado o silêncio dos meios jornalísticos a este movimento e hoje o Bloguítica, promotor da ideia, desafiou o Clube de Jornalistas a debater este assunto no seu site. As perguntas reiteradamente colocadas são estas: "Pode o Público s.f.f. esclarecer com quem é que Fátima Felgueiras manteve contactos no Secretariado Nacional do PS? Quando é que esses contactos tiveram lugar? Quem é que informou Jaime Gama previamente da libertação (sic) de FF?" Dado o que se passou, e que foi oportunamente referenciado no J&C, o que está em jogo não é apenas obter resposta àquelas perguntas, mas perguntar ao Público, aos jornalistas em geral e a todos nós, cidadãos, se é aceitável - e em que situações ou condições - trazer a lume matérias não suportadas em factos, ainda que verosímeis e eventualmente verdadeiras.

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Um ponto de viragem para a BBC "Já não somos mais os possuidores das notícias, o que constitui um realinhamento fundamental da relação entre as grandes empresas mediáticas e o público". Quem o diz é Richard Sambrook, director da BBC World Service and Global News Division, referindo-se, em particular à "avalanche de vídeos, fotos e e-mails noticiosos de alta-qualidade provenientes de cidadãos, na sequência dos ataques de 7 de Julho em Londres". Do seu ponto de vista, este facto "marcou um ponto de viragem para a BBC", de um "bradcaster" para um "facilitator of news". Fonte e desenvolvimento: Herald Sun.com

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Poeira e fumo Artur Portela demitiu-se de membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social em protesto por alegadas pressões e interferências do ministro Augusto Santos Silva. Matéria grave. O Parlamento entendeu chamar o queixoso demissionário, o ministro acusado e o silencioso presidente do órgão, que seria, afinal, o putativo veículo da pressão ministerial. Portela reafirmou (que se sentiu pressionado), o ministro negou e a peça-chave do processo - o presidente do órgão - disse que não se sentiu pressionado. Poeira e fumo.

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Espanha debate Estatuto do Jornalista O Congresso dos Deputados de Espanha começou ontem a debater o Estatuto do Jornalista Profissional, no meio de divisões políticas e sindicais. A iniciativa legislativa foi tomada pela Izquierda Unida, em Abril do ano passado, e contou com o apoio dos restantes grupos parlamentares, com excepção do Partido Popular. No plano sindical e associativo, o Estatuto é desejado pelo Foro de Organizaciones de Periodistas, que reúne a Federação de Sindicatos de Jornalistas (FeSP), o Colégio de Periodistas da Catalunha e o da Galiza, bem como as secções das duas principais confederações sindicais. Há alguns meses, a Federação de Associações de Jornalistas de Espanha (FAPE) rompeu a unanimidade, tendo a questão da regulamentação da profissão sido um dos motivos mais salientes. No essencial, o motivo das divergências reside no diferente entendimento sobre a quem compete regular a profissão de jornalista: se ao Estado, se à própria profissão.

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Casa da Imprensa atribuiu prémios a profissionais dos media Prémio de Repórter de Imprensa - Alexandra Lucas Coelho (Público) Prémio de Repórter de Rádio - Ricardo Alexandre (Antena 1) Prémio de Repórter de Televisão - Carmen Marques (TVI) Prémio de Crónica - Manuel António Pina ( Jornal de Notícias) Prémio de Crítica de Televisão - Miguel Gaspar (DN) Prémio de Autor - Carlos Vaz Marques (TSF) Prémio de Repórter Fotogáfico - Lucília Monteiro (Visão) Prémio de Repórter de Imagem - Luís Pinto Prémio de Realizador de TV - Rui Monteiro Romano Prémio de Carreira - José Carlos Vasconcelos, director do Jornal de Letras Prémio de Jornalista Desportivo - António Tadeia, do Record Prémio de apresentador de programas de informação - João Adelino Faria e Ana Lourenço, da SIC Prémio de apresentador de entretenimento - Fátima Lopes Os prémios (de reconhecimento) serão entregues no próximo dia 11 de Outubro, no Casino Estoril.

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UM com melhor curso de Comunicação do país A comissão externa de avaliação dos cursos de Ciências e Tecnologias da Comunicação, nomeada pela Fundação das Universidades Portuguesas, acaba de divulgar o resultado do seu trabalho. De acordo com a apreciação efectuada, o melhor curso de Comunicação do país é o da Universidade do Minho. Em segundo lugar, surge a Universidade da Beira Interior e em terceiro a Universidade de Aveiro. A comissão de avaliação, composta por 16 personalidades na área específica das Ciências da Comunicação, observou cada instituição em 13 parâmetros (Organização Institucional, Objectivos do Curso, Planos de Estudos, Conteúdos Programáticos, Alunos (procura, sucesso escolar), Processo Pedagógico, Corpo Docente, Pessoal não Docente, Instalações e Equipamentos, Recursos Financeiros, Relações Externas e Internacionalização, Ambiente Académico (Apoio Social), Gestão da Qualidade e Empregabilidade), atribuindo a cada um deles uma avaliação de A (nota mais alta) a E (nota mais baixa). Se convertermos esta graduação numa outra (A-5, B-4, C-3, D-2, E-1) e se considerarmos todos os parâmetros igualmente relevantes, o quadro resultante da avaliação é o seguinte: 01. U. Minho - 4,076 02. U. Beira Interior - 3,769 03. U. Aveiro - 3,538 04. U. T. de Lisboa - 3,461 05. U. F. Pessoa - 3,230 06. U. Lusófona - 3,000 07. U. Coimbra e I.S.C.E. - 2,923 09. U. Católica (Lisboa) - 2,769 10. U. Católica (Porto) - 2,692 11. U. A. Lisboa - 2,538 12. U. Independente e I.S. Maia - 2,230 14. I.S.M.Torga - 1,538 Uma outra leitura sobre o tema no Atrium.

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Leituras apressadas, interpretações subvertidas

Vem hoje no jornal Público uma notícia aparentemente favorável à Universidade do Minho e ao Departamento de Ciências da Comunicação em particular. O título sugere que os cursos de Comunicação do Minho e da Beira Interior estão bem classificados, no âmbito da avaliação externa efectuada pela Federação das Universidades Portuguesas na Primavera deste ano. Ora, desmontando o texto de Bárbara Wong é preciso anotar algumas subversões:

  • Ao contrário do que se sugere no texto, as boas classificações do Minho e da Beira Interior não decorrem do facto de a comissão ser integrada por dois professores catedráticos da Universidade bracarense e presidida por um professor da Covilhã. A leitura do relatório é explícita no que concerne à composição do júri, evidenciando-se uma clara diversidade em termos de proveniência dos membros da Comissão de Avaliação.
  • Ao contrário do que se sugere no texto, a Universidade Nova tinha um dos seus catedráticos na Comissão. Está no relatório: chama-se Manuel José Lopes da Silva e é professor catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa. A jornalista teria sido prudente se tivesse procurado conhecer melhor este pormenor. É que ainda um outro professor desta universidade foi convidado a integrar a comissão e só não o fez alegando razões pessoais: estaria em sabática nos EUA.
  • Ao contrário do que se sugere no texto, os contraditórios da Técnica e da Lusófona não foram "recursos polémicos", mas "recursos de timbre polémico", o que é substancialmente diferente. Além disso, a leitura atenta do Relatório-síntese provaria que o único contraditório considerado realmente inaceitável pela comissão foi o da Universidade de Coimbra.
  • Ao contrário do que se afirma no texto, no que diz respeito aos equipamentos, a classificação de "excelente" não foi atribuída às Lusófona e Autónoma. A Autónoma foi classificada com um D (suficiente) e a Lusófona foi classificada com um C (bom). Com A (excelente) foram, na verdade, classificadas as Universidades da Beira Interior, Aveiro e a Católica do Porto.
  • Para além destes erros, o texto ganharia se expressasse outros elementos mais significativos do relatório. Por exemplo, o facto de a Universidade de Aveiro ter ficado em terceiro lugar nesta classificação, o facto de o ISMAI ter obtido nota negativa e de o Instituto Miguel Torga ter tido a pior classificação.

Das duas uma: ou eu e Bárbara Wong não lemos o mesmo relatório ou definitivamente esta notícia foi escrita na perigosa precipitação de uma leitura apressada. Não quero sequer colocar a hipótese de uma intenção deliberada de subverter o que se diz no texto do relatório (que pode ser lido aqui), mas que esta é uma notícia atabalhoada, como diz o Luís Santos no Atrium, ai isso é.

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