Weblogue colectivo do projecto Mediascópio - CECS / Universidade do Minho | RSS: ATOM 0.3 |



The New York Times: o primeiro provedor Um acontecimento: The New York Times vai passar a ter, a partir de 1 de Dezembro, o seu primeiro “editor do público” ou provedor do leitor. E foi buscá-lo fora da Redacção. Daniel Okrent, o nome escolhido, trabalhou na extinta Life e noutras revistas como New England Monthly e Esquire. A concretização desta medida surge no seguimento das recomendações da comissão que foi encarregada de analisar os processos de funcionamento interno do jornal, na sequência do escândalo de invenção e falsificação de trabalhos pelo ex-jornalista deste diário Jayson Blair.

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Qual o futuro do GOOGLE? Uma oferta pública de acções ou uma aliança com a (ou mesmo controlo pela) Microsoft? O suspense mantém-se sobre o futuro daquele que é um dos mais visitados sites da web e seguramente o motor de busca mais utilizado. O que leva John Markoff e Andrew Ross Sorkin, no jornal The New York Times de hoje, a perguntar, em título Microsoft and Google: Partners or Rivals?. As especulações continuam, enquanto prosseguem os contactos entre os dois parceiros.

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Livre acesso ao conhecimento Passou em silêncio entre nós - tanto quanto me pude aperceber - a Declaração de Berlim sobre o Livre Acesso ao Conhecimento das Ciências e Humanidades. o documento resultou de uma reunião de três dias da Max Planck Society com um conjunto de cientistas e peritos de outras instituições científicas alemãs e internacionais, que debateram "novas modalidades de acesso ao conhecimento científico e à herança cultural através da Internet". O texto integral da Declaração de Berlim pode ser lido aqui. O comunicado de imprensa deste evento sublinha, a dado passo: "For the first time ever, the Internet offers the possibility of making knowledge universally accessible. As a result, publishing practices and the system of quality assurance used thus far in the sciences and the humanities are expected to undergo considerable changes. In signing the "Berlin Declaration", the research organizations advocate consistently using the Internet for scientific communication and publishing. Their recommendations in favor of open access are directed not only at research institutions but also and to the same extent at cultural institutes such as libraries, archives, and museums."

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Nova plataforma do SAPO para Blogs Uma novidade anunciada no Encontro Informal de Blogs de ontem e dada pelo Crítico: "Maria João Nogueira apresentou a nova plataforma do SAPO para Blogs. Gratuita, de livre acesso, com capacidade para imagens (e sons?), com capacidade de migração de outras plataformas."

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W E B L O G S N A E D U C A Ç Ã O ***O tema principal do boletim informativo de Outubro do projecto Público na Escola é dedicado aos blogs no ensino: é apresentada a experiência do Gente Jovem, da Escola Profissional das Minas da Borralha nas aulas de Tecnologias de Informação e Comunicação; são sugeridas diversas estratégias de utilização dos blogs na educação; e são ainda fornecidos sites de ou sobre edublogs. (O número do boletim é ainda preenchido com um trabalho sobre o uso das crónicas jornalísticas nas aulas). ***No EducARweblog, da Argentina, Jose Luis Orihuela dá uma importante entrevista que vem editada sob o título La exigencia de una nueva alfabetización. Vale a pena ver os comentários a esta entrevista no eCuaderno, blog do próprio Orihuela. Deixo aqui as palavras do autor sobre a importância dos weblogs na educação: "La eficacia de la incorporación de tecnologías en la educación es directamente proporcional al esfuerzo que se desarrolle para entrenar a los docentes que tengan que implementarlas. No basta con introducir hardware o software en las aulas si no se entrena a los docentes: no sólo acerca del modo de utilizar técnicamente las herramientas, sino también acerca del modo de utilizarlas didácticamente. Los weblogs constituyen una herramienta extraordinariamente poderosa para la gestión del conocimiento en comunidades, y a eso nos dedicamos los docentes, pero además son un instrumento de gran eficacia para la alfabetización digital. Creo que los weblogs, como el inglés, hay que enseñarlos de modo inmersivo. Es decir, no se trata de enseñar la herramienta per se, sino de incorporarla en situaciones de trabajo reales. Los alumnos realizan sus proyectos finales usando blogs, o sus prácticas, o su investigación, o las publicaciones estudiantiles, o las iniciativas de carácter social, deportivo o cultural." *** Realiza-se de 22 a 24 de Novembro próximo, em San Francisco (ali ao lado, nos EUA) o EdBlogger San Francisco 2003. As mesas-redondas propostas incluem: 1) Blogging in the classroom; 2) Blogging in the school or district; 3) Blogging in (and out of) the IT department; 4) Blogging process, writing process.

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Objectividade jornalística e teoria do conhecimento "Objectividade e a teoria do conhecimento" é o título de um artigo de Liriam Sponholz que o Observatório da Imprensa desta semana transcreve do nº 21 (agosto de 2003) da revista "Famecos – mídia, cultura e tecnologia", do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUC-RS; pp. 110-120, sob o título "Objetividade em Jornalismo: uma perspectiva da teoria do conhecimento"). Tema recorrente nos debates sobre jornalismo, aqui fica um dos parágrafos iniciais do texto: "Apesar de todos os tabus, "objetividade" continua na pauta, seja qual for o conceito que esteja por trás dela. Em uma análise de 21 livros sobre redação jornalística, Hohlfeldt (2001) chegou à conclusão de que objetividade foi a categoria jornalística mais citada, seguida de exatidão e precisão. Quando o objeto de análise foi uma série de entrevistas com jornalistas brasileiros renomados (como Cláudio Tognolli e Élio Gaspari, entre outros), as categorias mais citadas foram veracidade e objetividade, o que mostra o quanto o tema ainda ocupa as redações, as salas de aula e as mesas de bar.Uma das razões para isto é provavelmente o fato de a tarefa principal do jornalismo ser a de informar. Parte-se do pressuposto que o que está nos jornais deve ter alguma coisa a ver com aquilo que de fato aconteceu."

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Impressora para "papel electrónico" Prototype: E-Paper Printer: "Researchers at the Palo Alto Research Center have developed a handheld device that can print information from a computer directly onto e-paper; the device activates the ink particles electrostatically as it?s swiped across the paper?s surface.

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É hoje Blogues, moda efémera ou meio de comunicação de futuro? é o tema do Encontro Informal de Blogs que hoje ocorre na Sociedade de Geografia de Lisboa. Estando impossibilitado de participar, resta-me desejar que esta iniciativa seja um passo mais na afirmação de um meio de comunicação e de uma forma intensa de participação no espaço público. Deixo aqui o programa: 15h - Boas vindas pelo presidente da Sociedade de Geografia. 15h15m - O que é um blog/weblog? Por Paulo Querido. 15h30m Intervenções, informais, aceitam-se ainda inscrições no local para ainda queira inscrever-se. 18h Comentário crítico por Guilherme Statter (sociólogo), este comentário prepara o debate que se segue. Intervalo. 19h Relançamento dos trabalhos com debate livre - Sessão independente da primeira, totalmente aberta, de novo. Moderador: José Mário Silva. Duração prevista: entre uma hora e uma hora e meia. Local: Sociedade de Geografia em Lisboa, rua das Portas de Santo Antão. Edifício do Coliseu dos Recreios de Lisboa. Porta do lado esquerdo do edifício. Sala Algarve no segundo andar. O bar/café, estará aberto até às 19h. A entrada é livre.

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Mapeando e vencendo o fosso digital Acaba de sair e está disponível na web: Charting and Bridging Digital Divides: Comparing Socio-economic, Gender, Life Stage, and Rural-Urban Internet Access and Use in Eight Countries, da autoria de Wenhong Chen e Barry Wellman, do NetLab Centre for Urban and Community Studies, da Universidade de Toronto, para o AMD Global Consumer Advisory Board (GCAB). Os seis países estudados são os EUA, Japão, Coreia, Alemanha, Reino Unido, Itália, China e México. Uma nota de apresentação em The Inquirer: "The study claims only 10 percent of the global population are online, with 90 percent of Internet users from developed countries, a third of them coming from the US. The study also claims that the digital divide is narrowing in the US, but other countries suffer from other types of digital divides, including gender and age divides."

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Se fosse conhecimento... Vejam esta notícia difundida ontem pela Reuters: "In 2002, people around the globe created enough new information to fill 500,000 U.S. Libraries of Congress, according to a study by faculty and students at the University of California at Berkeley. The 5 billion gigabytes of new data works out to about 800 megabytes per person -- the equivalent of a stack of books 30 feet high -- the study by the university's School of Information Management and Systems found (...)".

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Comunicação Social nas GOP O sector da Comunicação social integra, nas Grandes Opções do Plano para 2004, a 3ª Opção, que se propõe "investir na qualificação dos portugueses". E reza assim (repare-se nas designações dos 'novos' canais da RTP): Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2003 O Governo procedeu a uma das maiores reformas de sempre no sector estatal dos media, dando início a um profundo processo de reestruturação da RTP, RDP e LUSA. A trabalhar para objectivos ambiciosos mas credíveis, procurando racionalizar custos e impondo alteração de práticas ineficientes, o Governo projectou o sector para o futuro e assumiu um projecto que já em 2003 apresentou resultados muito positivos. Alguns dos passos mais relevantes foram dados através da clarificação do quadro legal destas empresas, tendo sido igualmente alterado o insustentável modelo de financiamento da RTP, libertada esta empresa do seu passivo sufocante e definido um caminho de integração progressiva com a RDP. Medidas de Política a Concretizar em 2004 - Manter o processo de reestruturação em curso, apoiando o trabalho das diferentes administrações da RTP, RDP e LUSA; - consolidar os novos projectos da RTP, em particular os Canais Sociedade, Memória e Regiões; - reforçar a vocação de Serviço Público da RTP e RDP, que se deve pautar por padrões de qualidade, com preocupações acrescidas ao nível da cultura, defesa da língua e da identidade e coesão nacionais; - incentivar a cooperação entre o Operador de Serviço Público e os operadores privados nos domínios da produção independente, fornecimento de conteúdos aos canais internacionais da RTP, adopção de medidas ao nível da programação para os cidadãos com necessidades especiais e ainda nas práticas de co-regulação; - criar um órgão regulador, a partir de um modelo já consensualmente definido que aposta na simplificação e agilização dos processos. No que à Comunicação Social Regional e Local diz respeito, o Governo adoptará as seguintes medidas: - Reforço dos meios de actuação das estruturas orgânicas que gerem e fiscalizam a atribuição de apoios estatais, no sentido de promover uma reforma global no sector regional e local da comunicação social; - Implementação de um novo modelo de afectação dos recursos, baseado no incentivo ao desenvolvimento de parcerias estratégicas, na promoção do produto jornalístico junto do público e no alargamento do mercado de leitores e na formação dos recursos humanos; - Promoção de uma dinâmica que obrigue, por parte dos agentes envolvidos, a um forte sentido de corresponsabilização, o qual redundará numa progressiva selecção natural dos mais aptos.

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Sempre que ocorre um evento (ou uma tragédia) passível de gerar uma grande quantidade de informação, os blogs têm-se posicionado como espaços de informação alternativa. Foi o que aconteceu agora na Califórnia, na sequência dos incêndios. Entre os vários surgidos, destaque para um fotoblog com um conjunto muito variado de imagens. Deixo um exemplo:

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Ainda O DN A grande maioria dos mais de cem jornalistas presentes no plenário da redacção do Diário de Notícias, hoje realizado, aprovaram uma moção em que afirmam - para o interior do jornal e para o exterior - que Fernando Lima não tem o perfil adequado para dirigir o diário e que não é, por conseguinte, bem-vindo. A este propósito, sugiro a leitura dos comentários que António Granado e Pedro Fonseca inseriram no post de hoje, aqui em baixo, sobre este assunto. A posição de A. Granado - de que não faz sentido a Administração insistir no nome escolhido - é lógica, mas ou me engano muito ou não vai ser a que vingará. Com P. Fonseca julgo que isso deixaria o CA fragilizado e o CR reforçado. Nos dias que correm isso seria contra toda a lógica das coisas. Recordo a luta que o Conselho e Redacção do "Jornal de Notícias" travou em meados dos anos 80, quando a Administração quis impor o nome de Freitas Cruz como director do jornal. Os tempos eram outros, bem diferentes, a luta foi dura - meteu tribunal e tudo! - e a Redacção lá teve que engolir um director contra o seu sentir maioritário. É que basta o "pragmatismo" de alguns editores para que o "intruso" consiga ultrapassar os primeiros meses e pôr em campo iniciativas que lhe permitam ganhar margem de manobra. Por isso, parece-me que, neste caso, só o próprio Fernando Lima poderia fazer o processo seguir um caminho diverso daquele que muito provavelmente ocorrerá. E, também aqui, ou muito me engano ou Lima escolherá assumir o cargo. À questão colocada por Pedro Fonseca de saber se com Fernando Lima a independência do jornal face ao poder político será menor do que era com Mário Betencourt Resendes, confesso que não sei responder. A forma e o contexto desta nomeação é que me parecem tão provocatórios que me espanta que as reacções não sejam maiores (incluindo daqueles que porventura concordem com este modo de agir). A propósito, gostava de saber se a falta de tomadas de posição de leitores do DN sobre este conflito - de tão evidente significado para a vida democrática - se deve à ausência de reacções ou ao facto de elas não passarem no crivo interno do jornal. Desde já fica aqui manifestada a abertura para a divulgação de comentários e reflexões que ajudem a entender o alcance daquilo que se está a passar.

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A TVE é notícia A televisão é notícia todos os dias, pelas boas e más razões. A Televisão pública de Espanha, tem ocupado lugar de realce na imprensa nacional e internacional. Os dois exemplos que vamos citar são ilustrativos desse facto: 1. Os problemas financeiros (qualquer semelhança com outra situação recente mas passada noutro país é pura coincidência). A notícia é do Le Monde e começa assim: "L'entité publique de la Radio et télévision espagnole (RTVE) va terminer l'année 2004, selon le budget prévisionnel communiqué par le groupe, avec une dette cumulée de près de 6,9 milliards d'euros". 2. O mea culpa depois da "manipulação". A notícia é do Libération e começa assim: "Accusée de «désinformation» et de «propagande» au service du gouvernement Aznar, la télé publique espagnole a dû présenter ce mois-ci des excuses en direct aux téléspectateurs. Il s'agit d'une première. Mais l'étau se resserre. La RTVE (la Radio Télévision espagnole) est toujours dans la ligne de mire de l'Audience nationale, une des principales instances pénales du pays. Motif : elle n'aurait pas fait son mea culpa de façon correcte. Au coeur de l'affaire, le traitement pour le moins partial de la grève générale du 20 juin 2002, dont la RTVE se serait rendue coupable." A nova cronologia dos media A pirataria e o crescimento exponencial de utilização do DVD está a colocar em sobressalto as televisões com conteúdos pagos. Uma das grandes questões tem a ver com as obras cinematográficas que emitem e que correm o risco de serem pouco atractivas junto de públicos que, via cinema, vídeo ou DVD já as viram, estão fartas de as ver e podem a elas ter acesso através de um suporte pirateado. Uma das medidas possíveis é a atecipação da emissão de filmes na televisão, relativamente à sua data de lançamento: "Une réforme de la chronologie des médias, c'est-à-dire des délais imposés aux télévisions pour retransmettre un long métrage, est désormais envisagée par tous ceux qui veulent maintenir le partenariat privilégié que les télévisions et le cinéma ont fini par établir". A notícia completa está no Le Figaro e pode ser lida aqui.

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DN - o conflito e as perspectivas Os factos: 1) O Conselho de Administração (CA) do DN decidiu confirmar a nomeação de Fernando Lima, jornalista e ex-assessor de Imprensa de Cavaco Silva e Martins da Cruz, para Director de Redacção do jornal. Fundamenta a decisão, designadamente, na "seriedade, honestidade e carácter do jornalista Fernando Lima" - aspectos reconhecidos pelo Conselho de Redacção - e no facto de a linha editorial do jornal não ser posta em causa com esta nomeação. 2) Estas informações vêm publicadas no próprio DN hoje, o qual transcreve na íntegra quer o comunicado do CA quer o do CR. O título da peça refere a decisão do CA. A deliberação do CR ainda não tinha sido noticiada no jornal. Algumas notas complementares: 1) Nem o CA nem o CR poderiam actuar de outro modo: um dando parecer desfavorável e outro reiterando a nomeação. Está, pois, instalado um conflito dentro do DN, que deve ter hoje algum desenvolvimento (ou desfecho), no plenário da Redacção. 2) No comunicado do CR há dois pontos que são formas capciosas de lidar com os factos: quando diz que Fernando Lima está há 27 anos ao serviço do grupo - quando é certo que quase metade desse tempo foi ao serviço do Governo; e quando toma como argumento a seu favor as qualidades pessoais que o CR quis ver em Fernando Lima. 3) Se o CA confirma a nomeação, isso significa que Fernando Lima ou tem informações que lhe garantem que o sentir do CR não é maioritário, ou se dispõe a afrontar a Redacção. Se se verificar o primeiro caso, o plenário de hoje di-lo-á, certamente. Se se verificar o segundo, ficamos todos a conhecer melhor Fernando Lima. 4) Se porventura viesse a gerar-se um conflito entre a Redacção e a Administração do jornal, ele só teria alguma probabilidade de saldar-se a favor da independência do jornal se os restantes trabablhadores da empresa (e mesmo do grupo) se movimentassem e, mais ainda, se entre os leitores houvesse algum movimento de lobbying e pressão.

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7. Riscos de uma deriva tecnológica O factor tecnológico é certamente central na educação para os media. Mas tem sido formulado de tal modo que são muitas as confusões e os riscos de deturpar profundamente os objectivos da formação a promover. No fundamental, os riscos advêm de se pretender polarizar a educação para os media nas tecnologias ou em imputadas exigências decorrentes das tecnologias . Existe hoje um registo de discursos sobre as TIC (tecnologias de informação e comunicação) que balanceia entre o medo e o entusiasmo. Não é, em rigor, um fenómeno novo, mas a velocidade das inovações tecnológicas, conjugada com a performatividade de cada novo “gadget” tem contribuído para a consolidação de um discurso de carga predominantemente positiva no terreno educativo, como se nas tecnologias residisse a possibilidade de, finalmente, a escola se redimir perante a sociedade. Há, nas orientações mais encantadas como nas orientações mais reticentes às tecnologias, uma matriz comum de forte pendor determinista. Ambas assentam na pressuposição de que a difusão e o uso produzem, de forma mais ou menos automática, determinados efeitos, sejam eles positivos ou negativos. E este determinismo está presente, de modo por vezes subliminar, como marca forte dos programas que visam difundir as novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC) na escola e, mediante essa via, promover a inovação na educação. No terreno educativo, porém, dir-se-ia que a imagem das NTIC está associada a uma carga predominantemente positiva, como se nestas tecnologias residisse a redenção da escola e da educação escolar perante a sociedade. A interactividade, a auto-aprendizagem, a pesquisa autónoma, a interdisciplinaridade, seriam resultados “naturais” esperáveis das “extraordinário poder” atribuído às novas tecnologias, que grandes grupos multinacionais, sequiosos de aumentar os seus lucros e a sua quota de mercado, não se cansam de agitar e propagandear. Neste quadro, e no sentido de abrir caminho e espaço à Educação para os Media, é fundamental interrogar as concepções e propostas instrumentalistas, modernizantes e tecnocráticas que parecem conquistar hoje os discursos e as orientações de vários sectores-chave da União Europeia e de diversos ministérios da Educação, e procurar enfatizar o lugar dos sujeitos e os grupos que interagem, com a mediação das tecnologias, tendo em conta os seus respectivos contextos de vida. Trata-se de acentuar orientações de pendor pedagógico e cultural, orientadas para o exercício de uma cidadania esclarecida e participada, em que o recurso às tecnologias e a compreensão do seu lugar na vida social habilitem cada vez mais as pessoas e os grupos a uma vida mais autónoma, mais significativa e mais feliz. Há que passar pelas tecnologias, mas para visar mais largo e mais longe: as lógicas e os interesses de que emergem, as tendências que nelas se detectam, as linguagens e os formatos a que recorrem, os usos sociais e formas de apropriação a que dão lugar. O acesso às tecnologias e a mais e melhor informação pode ser condição necessária, mas não é certamente condição suficiente na formação dos cidadãos, nas sociedades dos nossos dias. Como observou Dominique Wolton (1999: 11), “nada há de mais perigoso do que ver na presença de técnicas cada vez mais performativas a condição da aproximação entre os homens”. A Educação para os Media deve ter o seu centro de gravidade não tanto nos media e nas tecnologias, mas, como defendemos atrás, na comunicação e nos processos e competências nela implicados. Como sublinhei noutras ocasiões , constitui um contra-senso despender vastas somas de tempo, dinheiro e energia em grandes programas de fornecimento de tecnologias de comunicação e informação sem uma percepção clara de que tais equipamentos e redes são da ordem dos meios e não da ordem das finalidades. Perante e complexidade crescente dos fenómenos sociais e das opções que somos chamados a assumir; perante a avalanche informativa que os novos e velhos meios de comunicação e informação disponibilizam; perante as mensagens mais díspares que de vários lados procuram seduzir e convencer – torna-se, na verdade, urgente redefinir o conceito de cidadania, redescobrir os campos e as dimensões nele implicados, ensaiar novos modos de aprender a viver, individual e colectivamente, nos novos cenários que se estão a desenhar, com a preocupação de reequacionar o papel e a missão da escola (Pinto, 2003).

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Fotos do ano Jerome Delay, da Associated Press, foi o vencedor do grande prémio do concurso das fotos do ano da Editor & Publisher, com um trabalho em que se vêem centenas de iraquianos a fugir de uma prisão situada a norte de Bagdad, depois da sua inesperada libertação. A foto ao lado mostra o vencedor na categoria de "notícia": Itsuo Inouye, igualmente da Associated Press.

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História da Imprensa O Canal de História anuncia para hoje, às 21 horas, a emissão de um documentário sobre as principais inovações tecnológicas que marcaram a história da imprensa, desde Gutenberg até à actualidade. Está também previsto, no mesmo Canal, mas na segunda metade de Novembro, um documentário sobre a vida de Katherine Graham, coincidindo com o 30º aniversário da atribuição do prémio Pulitzer ao jornal The Washington Post pela publicação do escândalo Watergate.

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Universidade do Porto com jornal A Universidade do Porto lança o UP Jornal, concebido pelo curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação. Depois de iniciativa análoga nas Universidades do Minho e da Beira Interior, esta publicação jornalística surge para informar sobre a vida da UP. Terá uma periodicidade bimestral e uma tiragem inicial de 10 mil exemplares.

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A Associação Portuguesa de Imprensa (AIND) e a Vector 21 desenvolveram um estudo sobre “A Internet e a Imprensa em Portugal”, que será apresentado na quinta-feira (dia 30). Conforme se pode ler no site do Correio da Manhã, “o trabalho provou, sobretudo, a existência actual de uma resistência à leitura on-line, em fase de dissipação”, bem como a conclusão de que “a leitura on-line retira vendas em banca à imprensa tradicional”. A favor das edições convencionais estão a “facilidade do transporte do jornal de papel e o hábito de compra em banca”. O estudo estará disponível on-line, nos sites da Vector 21 e da AIND, a partir de quinta-feira.

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Sobre o que se passa no DN O Conselho de Redacção (CR) do "Diário de Notícias" decidiu, por unanimidade, dar parecer negativo à nomeação de Fernando Lima para director executivo do jornal e marcar para amanhã um plenário de redacção para discutir o assunto (Fonte: Público e JN)) Dois curtos comentários e uma pergunta, a este propósito: - Participei, durante vários mandatos, no Conselho de Redacção de um outro diário, hoje também da Lusomundo, e sei o que custa travar uma batalha como aquela que o CR do DN agora desencadeou. Nos tempos que correm, mais ainda do que há 15 ou 20 anos, é preciso coragem e lucidez. - O CR do DN diz, simpaticamente, que não está em causa "a seriedade, a honestidade e o carácter do jornalista" Fernando Lima. E certamente não estará. Mas deixar as funções de assessor de imprensa do ministro dos Negócios Estrangeiros e, umas semanas depois, aceitar assumir a direcção editorial de um jornal dito de referência como deverá ser caracterizado? - Alguém encontrou notícia sobre este assunto no Diário de Notícias? (a pergunta não é retórica: consultei apenas a edição on-line e o assunto pode vir na edição em papel).

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6. Como se comunica dentro da escola? Todos sabemos que o lançamento de projectos de educação para os media resulta, em grande medida, do empenhamento e convicção de educadores e professores. Aquilo que em português se designa por “carolice” e que provoca a reticência de muitos, numa era em que tudo tem o seu preço e a sua contrapartida, dificilmente poderá estar ausente das iniciativas e programas que se lancem neste campo. Pelo menos nesta etapa histórica, em que estamos a dar os primeiros passos, em que a sensibilidade pública para esta dimensão é ainda reduzida e em que “é mais fácil maldizer a escuridão do que acender uma luz para a esconjurar”. Mas, sendo um produto da crença, dedicação e interesse de alguns, isso não impede que se procure envolver as instituições educativas no seu todo. Se, como dizia anteriormente, a educação para os media deve ser uma educação para a comunicação, como pode ser isso possível em instituições opacas, cinzentas ou até repressivas? Como desenvolver a educação para os media em contextos institucionais assentes na incomunicação, quando não no medo e na censura? Torna-se, assim, um factor decisivo e estratégico o investimento de esforços em rever os processos e os circuitos de comunicação e informação tanto no interior das escolas e outras instituições educativas, com entre estas e a sua envolvente. Os tempos, os espaços, os hábitos, os canais, os agentes, os suportes são alguns dos aspectos que importa considerar. Entre as iniciativas esporádicas, isoladas ou fragmentárias e o supercontrolo centralizado e a uma só voz das actividades, há uma vastíssima gama de possibilidades que cabe explorar. Assim como se valoriza a diversidade de iniciativas e de ofertas ao nível das modalidades e formas de comunicação na sociedade em geral, o mesmo é desejável no quadro das instituições educativas. E o que vale para o interior da instituição vale igualmente para os intercâmbios desta com a comunidade. O desenvolvimento de parcerias que envolvam actores diversificados – profissionais dos media, pais e encarregados de educação, instituições de saúde, religiosas, desportivas e culturais – constitui um ponto de apoio que pode ser decisivo na educação para os media. Cada parte com a sua perspectiva e a sua sensibilidade pode dar, nesse trabalho, um contributo insubstituível.

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Pesquisar nos livros da Amazon O jornal USAToday.com noticia que a Amazon introduziu uma nova funcionalidade nas consultas à base de dados: o 'Search Inside the Book' permite aceder a centenas de páginas de livros em que um determinado tópico ou assunto pesquisado aparece mencionado.

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Blogging is... Escreve Jay Rosen, no PressThink: PressThink: "'Blogging is About Making and Changing Minds. Weblogging is an inconclusive act- which is different from having no conclusions or firm conclusions."

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Debates necessários Faz hoje oito dias que o presidente da República falou ao país, defendendo a necessidade de ver para lá além da já célebre "novela judiciária". Na altura, interroguei-me porque é que o presidente não falou de outras "novelas" que se cruzam e chocam com a "novela judiciária", e, em particular, a "novela mediática". Que Sampaio está inquieto com o papel que alguns media têm tido neste folhetim tem-se percebido noutras circunstâncias, em que tem sido abordado por jornalistas, nos últimos dias. Mas a ausência de uma referência expressa e directa ao papel da comunicação social não tem sido apenas do Presidente. Tenho a impressão que a generalidade dos agentes e comentadores que se têm pronunciado sobre o caso - em particular sobre a revelação de documentos em segredo de justiça - não vai além de uma genérica referência ao desnorte que grassaria também pelo terreno mediático-jornalístico. Praticamente ninguém - o texto de hoje de Estrela Serrano, no DN, já referenciado aqui, constitui uma das excepções - afronta directamente casos e práticas concretos. A não ser alguns jornalistas que têm, nos últimos dias, comentado o assunto, nomeadamente José Manuel Fernandes e Helena Matos, no Público. Há questões fundamentais em jogo, que o director do Público ainda ontem equacionava. Mas vale a pena que nos perguntemos porque é que, havendo uma posição generalizada de repúdio pelas práticas de alguns media, o facto não é muito mais verberado e denunciado. Uma hipótese que poderia explicar esse comedimento é obviamente o medo das consequências. Todavia, se tal hipótese tivesse porventura sustentação, isso seria da maior gravidade, do ponto de vista da vida democrática. A questão não é de somenos. Fazer de conta que os jornalistas são meras caixas de correio ou amplificadores de interesses e estratégias particulares, numa matéria tão sensível e num contexto público tão toldado como o actual, pode contribuir objectivamente para o agravamento do clima de degenerescência que diversos observadores têm apontado. Seria, assim, importante que prosseguíssemos este debate sobre as responsabilidades dos media face às estratégias dos interesses em presença e face ao direito dos cidadãos à informação pertinente e de interesse público.

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"Jogo de sombras" "Os jornalistas não são os guardiões do segredo de justiça nem é suposto que denunciem as fontes que lhes fornecem informação confidencial. Mas nem tudo o que «cai» numa redacção é susceptível de ser publicado.", escreve, na sua coluna semanal, Estrela Serrano, Provedora do Leitor do Diário de Notícias.

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5. Ganhar voz, tomar a palavra Vem a propósito uma outra vertente que dá sentido e se considera, de modo geral, estruturante das iniciativas e projectos de educação para os media, que é a componente que valoriza a actividade expressiva e comunicativa. Relaciona-se de perto com a actualidade, uma vez que, em muitos contextos em que se promove a educação para os media, ela se traduz na produção de meios de comunicação da escola, ou seja, em jornalismo escolar. Em diversos contextos, a tradição do jornalismo ou da imprensa escolar remete para uma filiação que tem mais a ver com a renovação pedagógica do que com a preocupação jornalística ou de compreensão do universo mediático. Os contributos de Freinet enfatizam o desabrochar das capacidades expressivas e comunicativas das crianças mediante a produção colaborativa de mensagens significativas. No quadro da educação para os media, esse contributo é fundamental e pode ser alargado à perspectiva do que, naquilo que se está a passar, é actual, significativo, importante e, por conseguinte, merece ser destacado e divulgado. É verdade que, com frequência, a produção de jornais murais, impressos e electrónicos, bem como de programas radiofónicos, se desenrola em paralelo às actividades programadas de ensino-arendizagem e se converte numa mera actividade de ocupação de “tempos livres”. Mas também é certo que, noutras instituições, este trabalho é devidamente assumido e articulado com o projecto educativo do centro ou do agrupamento de escolas. Convém não menosprezar o insubstituível papel que este tipo de dinâmicas pode ter no quotidiano das escolas e na experiência de formação dos alunos. O jornalismo escolar constituiu, em muitos casos, um momento decisivo de auto-descoberta e de socialização, determinante na trajectória futura daqueles que nessa experiência se envolveram. Acresce que os processos a que dá lugar, se devidamente aproveitados e acompanhados, facultam múltiplas ocasiões de compreender e interagir com as questões dos grandes media, proporcionam um intercâmbio entre jovens e adultos em contextos diversos dos das aulas. Os meios para promover esta actividade expressiva e informativa tem-se vindo a enriquecer enormemente nas últimas décadas. Ao tradicional jornal de parede ou impresso e à prática da rádio na escola, os projectos neste domínio podem recorrer hoje, com relativa ou crescente facilidade, à fotografia digital, ao disco compacto, às técnicas de animação de imagem, às video-cartas, a jornais produzidos a distância , sem esquecer, obviamente, as novas formas de informação e comunicação em rede, como os chats, os fóruns, os weblogs, etc. A experiência ensina-nos que, também aqui, quando se procura valorizar a liberdade e a autonomia dos mais jovens, podem surgir igualmente os riscos inerentes ao exercício dessa liberdade. Mas a assunção desses riscos e a capacidade de lidar com eles de forma frontal, positiva e pedagógica parece ser o único caminho da aprendizagem da cidadania.

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4. Que se passa no mundo? A actualidade, tal como é construída pelo trabalho dos jornalistas, deve ter um lugar de destaque na educação e nas salas de aula. Esta dimensão acompanha, desde o início, alguns dos programas mais interessantes de educação para os media e deveria, a meu ver, ser reforçada no futuro. O que se passa à nossa volta e o que se passa no mundo constitui uma das matérias mais imediatas de acesso à compreensão da vida social e do espaço público. Seja os grandes acontecimentos, que deixam marcas na história dos povos e da Humanidade, seja os acontecimentos do dia a dia, com carga positiva ou negativa – todos eles constituem indícios e chaves de indagação e análise que a educação escolar não pode desperdiçar. É verdade que esta abertura ao que se está em cada momento a passar no mundo próximo e global é exigente. Desde logo, porque supõe que o próprio docente, o adulto, façam um esforço de acompanhamento atento da actualidade. Depois porque o carácter palpitante e fragmentário das notícias conflitua, à primeira vista, com a lógica do saber escolar e torna difícil o distanciamento que seria desejável. Contudo, também é verdade que o esforço exigido, desde que devidamente enquadrado, reverte em maior interesse da parte das crianças e jovens e, acima de tudo, na passagem de uma mensagem implícita de que a escola e a aprendizagem escolar não são um reduto divorciado do dia a dia, dos temas que motivam a conversação social, de pólos de interesse para os estudantes. Os processos educativos e os currículos escolares orientam-se, em última instância para a formação de pessoas capazes de se posicionar critica e autonomamente no mundo e de nele participar. “Torna-se, por isso necessário - observa o historiador francês René Rémond (s/d)– que os jovens “aprendam a apreciar os acontecimentos e a fazer uma triagem na massa de informações que recebem”. “Mais do que um saber ou uma opinião já feitos, o ensino deve propor-lhes um método”, acrescenta. A experiência de 20 anos do CLEMI (Centre de Liaison de l´Enseugnement et des Moyens d´Information), em França constitui, neste contexto, um caso de excepcional importância, cujas linhas norteadoras o seu director, Jacques Gonnet, tem procurado aprofundar, em trabalhos diversos. A abordagem da actualidade na educação não é apenas uma via de conexão com o mundo envolvente, mas também um caminho de conhecimento e construção de si mesmo, na condição de a escola ser capaz de criar aquilo a que Gonnet (1995: 53-64) chama “espaços de disponibilidade”, isto é, a capacidade de assumir a “gestão emotiva da actualidade, de todas as actualidades” (id.: 48). Num registo nem sempre convergente, mas em grande medida animado das mesmas preocupações, encontramos os programas intitulados “o jornal na escola”, com grandes tradições na Europa e nas Américas, alargado, na última década ao serviço noticioso disponibilizado às instituições educativas por cadeias televisivas. Apesar das ambiguidades por vezes ligadas a tais programas, é sempre o esforço de abertura ao mundo envolvente, de compreensão desse mundo e das questões que o afectam que está em causa. É, em suma, o terreno potencial para a educação para a cidadania.

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3. Uma perspectiva ecológica Em articulação com o ponto anterior, parece relevante colocar a educação para os media num horizonte a que poderíamos chamar ecológico. O conceito de “ecologia dos media” foi proposto por Marshall McLuhan e remete para a ideia de que, no seu conjunto, os media configuram um “ecossistema” informativo, cujas instituições, fluxos e performances marcam de forma indelével a contemporaneidade, como dimensão estruturante e estruturada da vida social e cultural. Autores como Neil Postman e Joshua Meyrowitz e, no quadro cultural europeu, Regis Debray e Daniel Bougnoux têm porsseguido esta linha de indagação. Para Debray a Mediologia situa-se no campo das correlações entre as actividades simbólicas de um grupo humano, as suas formas de organização política e as suas técnicas de memória (Debray, 1994), enquanto que para Monique Sicard (1998: 84), um dos membros mais activos do grupo de Debray a mediologia será “uma meia-irmã da ecologia”. Apesar de um acentuado “mediocentrismo” e determinismo tecnológico que transparecem em vários destes autores, nomeadamente norte-americanos, e da reduzida atenção que dedicam à dimensão económico-política dos media, o que nos importa sublinhar, neste contexto, é a ideia, que já tive ocasião de apresentar noutra ocasião (Pinto, 2003) de que os media na sociedade podem ser abordados enquanto um meio-ambiente com as suas lógicas específicas, a sua evolução tecnológica, a sua filosofia da tecnologia, a sua gramática e retórica, a sua influência na configuração da vida social. Enfim, os media enquanto plataforma e ambiente “no qual o conteúdo e o contexto convergem para produzir a mudança social e cultural” . Não existe necessariamente, do meu ponto de vista, uma contradição entre esta perspectiva ecológica, que presta atenção às marcas e lógicas dos media no meio-ambiente e a recusa de uma abordagem mediocêntrica, que tenho vindo a defender. É que este ambientalismo não se traduz numa perspectiva tomada como puro reflexo da acção dos media, mas como expressão e resultado de processos sociais e políticos em contextos culturais concretos. Por esta razão, também não se reduz à lógica subjacente à teoria da enculturação (“cultivation theory”), que George Gerbner e a sua equipa propuseram desde os anos 60, e que veio a redundar, nos finais dos anos 90, na criação de um “cultural environment movement”, preocupado com uma assim chamada “ecologia das mentes” , em nome do direito dos cidadãos, e sobretudo das crianças, a crescer num ambiente cultural mais diversificado, equitativo, justo e são. A perspectiva ambientalista que defendo valoriza o apelo à cidadania no sentido de não se aquietar à lógica dos media, que está contida nas propostas de Gerbner, mas demarca-se de uma visão do ambiente cultural em que os media surgem como únicos actores e em que os grupos e as diversas formas de acção social não são mais do que reflexo da acção dos grandes media.

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Apenas uma pequena nota: o site do Diário Económico oferece agora aos leitores a possibilidade de envio de comentários no final de cada um dos artigos existentes.

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2. Modelos teóricos na abordagem da Educação para os Media? A segunda questão que gostaria de propor, ao pensarmos o futuro da Educação para os Media é relativa aos fundamentos teóricos. É de extrema relevância porque inspira, enquadra e situa o trabalho a desenvolver, seja ele, de intervenção ou de investigação. De facto, não faria sentido propor uma atitude crítica e esclarecida face aos media, se essa mesma atitude não for cultivada e permanentemente mantida face aos pressupostos da nossa acção. Neste âmbito, temos ao nosso dispor, no espaço ibero-americano, um património de grande alcance e de projecção à escala do mundo, do qual estamos longe de extrair as devidas ilações. Gostaria de referir em particular os nomes do brasileiro Paulo Freire e do boliviano Jesús Martín-Barbero. Ambos partilham uma proposta que deve ser retida: a ideia de que a comunicação, tal como a educação, precisa de ser pensada no quadro das relações e das práticas sociais, de forma enraizada e contextualizada, em íntima conexão com as culturas, no sentido antropológico do conceito. Freire trabalhou um modelo de comunicação que procura romper com o paradigma transmissivo e transferencial de comunicação, enfatizando a natureza dialógica do processo. O modelo de “educação bancária”, que não só desconstruiu teoricamente, como procurou superar na prática educativa, continua a prevalecer, se não nas suas versões mais duras e extremas, nas lógicas dominantes da educação escolar, como observava não há muito, um outro nome de referência no nosso espaço geo-político-cultural: Mario Kaplún. A Martín-Barbero, que trabalha, de forma coerente contributos de autores como Certeau, Bourdieu, Gramsci, Williams, Benjamin, Baudrillard, Foucault, e Habermas, gostaria de ir buscar a ênfase nas mediações e nas práticas sociais: nas modalidades de apropriação e de significação da chamada cultura de massas e dos processos através dos quais as identidades se redefinem e transformam. É de novo a proposta de uma ruptura com visões e abordagens mediocêntricas que tendem, quase inevitavelmente, a remeter os actores sociais, pessoas e grupos, para uma posição passiva de destinatários ou clientes. Um e outro autor ajudam-nos de modo muito vincado a compreender que, conforme os modelos teóricos – comunicacionais e educativos – que adoptarmos, assim a nossa intervenção ficará condicionada e orientada em determinado sentido. E ambos apontam claramente caminhos teóricos, metodológicos e de intervenção, que devolvem às pessoas e aos grupos uma margem relativa de iniciativa face ao seu meio envolvente, a qual constitui um requisito fundamental e decisivo para o trabalho de educação para os media.

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Dois livros A livraria parisiense TEKHNÊ, especializada em temáticas de comunciação, organiza no próximo dia 6 de Novembro, em conjunto com as editoras Harmattan e Presses Universitaires de Grenoble (PUG), a apresentação dos livros: - Sondages d' Opinion (de Dominique Carre e Roger Delbarre, com apresentaçpão de Bernard Miège); - Pour une Anthropologie des Médias (de Mihai Coman, apresentado por Pierre Moeglin) Quem estiver por Paris, já sabe; quem não estiver também fica a saber.

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Redacção ciberjornalística A elaboração de um Manuel de Redacção especificamente voltada para o ciberjornalismo, da autoria de uns nossos "vizinhos" espanhóis, foi recebida com interesse e suscitou algumas vontades de discussão. É isso que um dos autores está a procurar dinamizar a partir do seu weblog.

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1. Que queremos dizer com “Educação para os Media?” A primeira questão que pretendo abordar refere-se ao conceito de Educação para os Media. Todos concordaremos que não se trata de um mero problema terminológico; encontramo-nos também diante de um problema conceptual. Que queremos dizer quando dizemos Educação para os Media? A experiência própria e alheia mostra que assim não é. Poderíamos enunciar pelo menos três grandes eixos que traduzem outras tantas concepções e práticas: 1) a educação com ou pelos media – a que se poderia chamar o “grau zero” da Educação para os Media, uma vez que não os tomam como assunto de preocupação, mas antes como instrumento e recurso pedagógico-didáctico; 2) a alfabetização mediática – entendida como um conjunto de competências bem definidas e avaliáveis tomadas como necessárias para aceder e usar de forma eficiente os media mais clássicos ou mais recentes (von Feilitzen, 2002); 3) educação para a comunicação e a participação - que coloca a ênfase nos processos individuais e sociais de capacitação e de compreensão do mundo próximo e distante, em ordem à expressão e intervenção nesse mesmo mundo. Este terceiro sentido pressupõe o anterior, mas rasga-lhe um horizonte mais amplo e permite interrogar e re-contextualizar o conceito internacionalmente consagrado (e, de algum modo, tornado óbvio) de Educação para os Media. Na verdade, pode perguntar-se se é relevante ou se faz sentido educar para os media (Gonnet, 2002: 11). É evidente que quando assim nos exprimimos estamos a referir sobretudo a formação para uma compreensão e utilização crítica dos media. Mas a designação pode expressar ou induzir enviesamentos, porquanto sugere que o centro de gravidade da tarefa educativa reside nos próprios media. Ora, do meu ponto de vista, o mediocentrismo assim enunciado constitui uma fonte de equívocos, ao confundir a ordem das mediações com a ordem das finalidades. Por outras palavras: não é para os media que vale a pena educar, mas para a comunicação. E é nesse processo que faz sentido abordar e compreender as formas mediatizadas de comunicação.

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"Luzes no labirinto audiovisual" Começa hoje em Huelva, Espanha, o Congresso Iberoamericano de Comunicação e Educação, sob o lema "Luzes no Labirito Audiovisual". A presença portuguesa, nomeadamente da zona sul do país, é significativa, demonstrando que existe alguma abertura e interesse pela educação para os media, no nosso país. Da Universidade do Minho estarão cerca de 25 pessoas, enre docentes e estudantes do mestrado de Comunicação, Cidadania e Educação. Ao longo dos próximos dias, irei publicando aqui os pontos essenciais da conferência que apresentarei no congresso, sobre o tema, sugerido pela organização "Educação para os Media, uma Aposta com Futuro". O livro e o CD-ROM com as conferências e comunicações a este congresso estão já editados e começam hoje a ser entregues aos participantes.

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Cidadãos-Jornalistas E se um site noticioso oferecer a possibilidade de qualquer leitor publicar artigos e contribuir para discussões? Pois o serviço já existe e chama-se iCan. E foi criado (quem mais?) pela BBC. Por enquanto está em fase beta e só é acessível para habitantes do Reino Unido, mas parece-me uma ideia muito interessante. Mais informações sobre o serviço aqui. As regras básicas Os membros do serviço podem: Bring issues you care about Publish advice and tips Work with others to create your own campaign A BBC fornece: Impartial information Help with getting started Ways to contact people who share your concern Dica de Dan Gillmor.

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Saramago: "Para que serve a comunicação?" O site "Comunicação, Cultura e Política", de Dênis de Moraes publica o texto de José Saramago "Para que serve a comunicação?", tradução de um artigo originalmente publicado em 1999, em Manière de Voir. Tem reflexões interessantes, mas o teor geral é de um enorme pessimismo. Um extracto: "Se uma pessoa recebesse em sua casa, por dia, 500 jornais do mundo inteiro, provavelmente seria considerada louca; e seria verdade, pois quem senão um louco pode se propor a ler 500 jornais por dia. Alguns esquecem essa evidência quando se satisfazem anunciando que no futuro, graças à revolução numérica, nós poderemos receber 500 canais de televisão. O feliz assinante dos 500 canais será inevitavelmente tomado de uma impaciência febril que nenhuma imagem poderá saciar. Ele vai se perder num labirinto vertiginoso de zapping permanente. Consumirá as imagens, mas não se informará."

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Ainda Schneidermann O Observatório da Imprensa desta semana publica um conjunto de quatro peças sobre a demissão de Daniel Schneidermann como cronista de televisão do jornal Le Monde: - Uma entrevista com aquele profissional, feita por Leneide Duarte-Plon (Mídia de silêncios, empolgação e excessos ) e ainda, da mesma autora, o texto O pesadelo de Daniel Schneidermann; - um texto-editorial (Vexames no andar de cima de Alberto Dines; - e a transcrição da última coluna do provedor do leitor do jornal francês, Robert Solé, na qual este sistematiza as centenas de cartas de leitores, recebidas sobre o caso. Na entrevista, Schneidermann explica aquilo que critica na actual orientação editorial de Le Monde, que figura em "Le cauchemar médiatique": "Eu critico a maneira de fazer. Acho correcto fazer investigação, é a base do métier do jornalista buscar informações, a maior quantidade possível. É o fundamento do métier. Mas às vezes pode haver deslizes. Por exemplo, quando para justificar um título, o valor dado a uma informação, existe a tendência a inchar um pouco, acrescentar. Existem informações que poderiam ser dadas em um ou dois parágrafos, mas para criar um acontecimento decidem dar uma página inteira. É aí que estão os riscos dos deslizes, dos exageros, da informação esquentada. Outro excesso que critico é que, de facto, todos os jornalistas podem se enganar, mas quando a gente se engana se corrige dizendo "nós nos enganamos", como nos enganamos, por que nos enganamos. Mas o Le Monde muitas vezes esqueceu de fazer isso". Mais especificamente sobre o "pesadelo mediático": "O que chamo "pesadelo mediático" é uma característica da mídia de hoje, uma alternância de fases de omertà, de silêncio, de incómodo em relação a alguns problemas que não se aborda. Depois, quando eles explodem, vêm os excessos. A primeira fase do ciclo é o silêncio, o incômodo e da omertà; e, depois, esse das respostas, da empolgação, dos excessos, seja sobre a segurança, sobre as redes de pedofilia ou sobre a tele-realidade. Então, tem-se a impressão de que a mídia fala muito e diz muita besteira. No livro, tento compreender como funciona esse ciclo e por que a mídia cede a ele. É o conjunto que chamo de "pesadelo midiático". Na realidade é um pesadelo para os meios de comunicação que perdem a credibilidade; é um pesadelo para o leitor que não sabe mais em que pode acreditar."

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Como a droga e o terrorismo «La televisión basura es un problema tan prioritario como la lucha contra la droga o el terrorismo». A afirmação é de Juan Luis Cebrián, responsável do grupo Prisa, que detém o diário El País, e foi proferida na cerimónia dos 25 anos de «El Periódico de Cataluña». O director desta publicação, Antonio Franco, traçou, na mesma cerimónia, um sumário quadro do papel que deve assumir a imprensa diária, assim apresentado no ABC: " (...) la prensa diaria vive en la actualidad una «encrucijada», compitiendo con otros medios como la televisión o la prensa gratuita, pero sin un horizonte definido. Su receta es sencilla: «Ante la crisis del periodismo, más periodismo», resumió Franco, con el objetivo de acercar los diarios a los problemas reales, ganar interés y calidad, y romper tanto las «cadenas de sumisión que generan los poderes en torno a los diarios» como el «abismo» que separa a la prensa de los jóvenes. Los diarios también deben tener «más compromiso, ser más diferentes y mucho más militantes», agregó.

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Outros tempos Uma exposição de motivos de ilustração de livros para a infância da ex-URSS, dos anos 20 e 30, está disponível online, por iniciativa das bibliotecas da McGill University. Com base na exploração de mais de 350 desses livros, é possívelç observar as influências da revolução russa neste domínio da cultura, as concepções estéticas dominantes e a diversidade temática. "Diagonal layouts introduced a simultaneous representation of contents and often used photomontage as a succinct expression of the narrative text. The emblematic use of red and black as dominant colours linked the children's material closely to the publishing output at large. Since more than 100 nationalities live within the fifteen former republics of the USSR, the variety of languages in which children's books were published is nothing short of astonishing. While Russian was the official language of the Union, children's books published in Ukrainian, Uzbek, Tartar, Kazakh, Azerbaidzhani, Armenian, Georgian, Latvian, Lithuanian, Estonian, lakutian, Nanaian and other languages are well represented in the McGill collection".

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Portugal cai 21 lugares na escala da liberdade de imprensa da RSF” e ocupa agora a 28ª posição, pode ler-se no site do Sindicato dos Jornalistas. Em primeiro lugar estão a Finlândia, Islândia, Holanda e Noruega, enquanto o último lugar (166º) é ocupado pela Coreia do Norte. O comunicado da organização Repórteres Sem Fronteiras pode ser lido aqui.

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Liberdade, desde que... Sobre a reportagem na Time acerca da prostituição em Bragança e sobre a reacção do Governo português de suspender uma campanha publicitária naquela revista, escreve José Vítor Malheiros, no Público: "O gesto, apesar de compreensível a quente, foi porém profundamente infeliz, pois ele demonstra que este Governo (como outros antes dele) considera que a independência e a liberdade da imprensa é um bem a defender e um esteio da democracia... desde que essa imprensa diga bem de nós."

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Universos das crianças Os resultados de um estudo recentemente divulgado nos EUA - How Children Use Media Technology 2003 - permitem compreender, ou pelo menos intuir, uma realidade que marca o crescimento e a formação das crianças, num ambiente multimediático. Algumas notas conclusivas: "• Most American children in this age group are wired. Six in ten have a TV set in their bedroom. At least one in three have cable TV, a VCR, or videogame there. Three in ten have a telephone, and one in six has a computer, in their room. •When restricted to choosing one medium, the Internet is in a dead heat with television as the “first choice” among children. However, TV, radio, and prerecorded music are reported as more frequently used than the Internet. • Internet use also appears to have plateaued. Interest in the Web and frequency of use have not significantly changed since our last measure in 2001. • About three percent of children report “often” visiting a related Web site while they are watching a TV program. More than one quarter of children say they are driven to Web site visits by TV ads at least once a week, almost three times as many as by radio ads. • Many children are subject to adult rules governing TV viewing, radio listening, and online usage. The most common restrictions are limitations on content. • Taken together, the best-liked benefit of the Web to children is communication (email, instant messaging and chat rooms). Games and research for homework • Adults in the home continue to guide children’s media choices much more than their friends or sieblings".

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Azul Eléctrico O Reflexos de Azul Eléctrico emigrou, em novo formato, para o site de José Bragança de Miranda, alojado na netcabo. A par dos reflexos, vale a pena a visita aos aforismos e aos ensaios.

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Guerra e Pas ressuscitou ...e eu que não tinha dado por nada (obrigado, Miniscente!): é verdade, o Guerra e Pas estava, afinal, apenas adormecido e voltou a entrar em actividade. É ver o último post, de comentário a dois livros: o de J.A. Saraiva "sobre a sua ascensão a director do Expresso e consequente reinado" e "Publicidade sem Espinhas" de Silva Gomes, chairman da McCann durante anos.

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URBI também em papel A Universidade da Beira Interior acaba de lançar o nº 1 de um jornal informativo mensal sobre a vida da academia, intitulado Urbi. De facto, trata-se da versão impressa das matérias mais relevantes publicadas pelo Urbi et Orbi, um jornal electrónico semanal, já com quatro anos de existência, e que continua a editar-se. Recorde-se que, no início deste ano, também a Universidade do Minho iniciou a publicação de um jornal mensal - o UMjornal - um projecto jornalístico de abordagem da actualidade universitária.

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Um desperdício Why computers have not saved the classroom é o título da recensão feita por The Christian Science Monitor ao novo livro de Todd Oppenheimer, 'The Flickering Mind- The False Promise of Technology in the Classroom'. Reflectindo sobre o impacte da tecnologia dos computadores nas escolas norte-americanas, o autor conclui que "putting computers in classrooms has been almost entirely wasteful, and the rush to keep schools up-to-date with the latest technology has been largely pointless" (lido via Ponto Media).

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"A pressão do dinheiro" A decisão do governo português de suspender uma campanha publicitária na revista Time é o pretexto para a coluna semanal de Estrela Serrano, do Diário de Notícias. Deixo este extracto: "(...) a retirada de publicidade constitui uma pressão económica sobre o conteúdo jornalístico de uma publicação, tanto mais eficaz quanto menores forem os recursos financeiros dessa publicação. Nestes casos, essa pressão introduz uma limitação à abordagem independente de assuntos susceptíveis de desagradar aos anunciantes. A aplicação de sanções económicas às empresas jornalísticas quase nunca chega, porém, ao conhecimento do público, porque nem os anunciantes nem, sobretudo, os jornalistas têm interesse em que se fale das pressões a que estão sujeitos, entre as quais a do dinheiro é uma das mais sensíveis. De facto, a pressão da publicidade é um constrangimento real sobre o jornalismo. (...) É um dado adquirido que o lucro está no coração da imprensa comercial. Mas isso não significa necessariamente que a lógica do mercado dite os conteúdos noticiosos. Constitui, mesmo, um paradoxo que o desejo de lucro torne, por um lado, o jornalismo vulnerável e, por outro, quanto mais lucro uma publicação obtenha maior capacidade possua de se subtrair a pressões". Actualização: Sobre o mesmo assunto, pode ler-se também, no Público, o texto Bragança Algures na Europa, de Graça Franco.

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Jornadas na UBI O Departamento de Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior promove mais duas jornadas, com o seguinte calendário e temática: - nos próximos sexta-feira e sábado: Da Fé na Comunicação à Comunicação da Fé - dias 7 e 8 de Nov.: Jornadas de Publicidade e Comunicação

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Ainda o Big Brother num manual escolar A questão das referências ao programa Big Brother num manual de Português do ensino secundário, trazida a lume há oito dias pelo Público, continua a fazer ondas. O Expresso volta ao assunto em diversos locais da sua edição de hoje e de uma forma que não ajuda a dissipar algumas confusões que têm, a meu ver, caracterizado esta polémica. Assim: Há que distinguir entre introduzir referências mais ou menos desgarradas ao BB e quejandos e abordar o fenómeno televisivo e mediático na educação, para melhor o compreender e face a ele assumir uma posição activa e crítica. Não sou um especialista em pedagogia, mas acho estranho que se possa defender que uma dimensão da realidade tão importante como a presença dos media no quotidiano dos alunos possa (e deva) passar á margem da educação escolar. Essa concepção algo esquizofrénica, de que uma coisa é a vida e outra é a escola a mim não me convence. Mais: julgo que é possível e desejável aprender e aprofundar competências que ajudem a um posicionamento esclarecido e crítico face aos media. Creio também que a escola tem, desde os seus níveis mais elementares, um papel insubstituível nessa tarefa. Aprender a comparar, a analisar tecnica e esteticamente notícias ou programas, em suma, aprender a ler televisão (e não só televisão) deveria figurar no currículo de formação básica dos cidadãos, na medida em que eles vivem e viverão cada vez mais num ecossistema profundamente marcado por esses meios. Mas acho interessante que certas almas corram a denunciar aquilo que, num manual concreto, de forma provavelmente infeliz, procura traduzir uma ideia programática que julgo pelo menos merecedora de reflexão, e não se preocupem com o papel da escola na capacitação das crianças e adolescentes perante o universo mediático. Fernando Madrinha vem hoje, no Expresso, desqualificar, "avant la lettre", os argumentos que qui proponho, ao escrever: "Quando se diz ou escreve que certos programas televisivos, como alguns dos chamados ´reality shows´, contribuem fortemente para a dissolução do sistema de valores em que tem de assentar uma sociedade saudável e empenhada na formação dos seus jovens com razoáveis padrões de exigência, aparece sempre alguém a desvalorizar o assunto. Não raro, os que insistem nessa denúncia sã apontados como moralistas antiquados e retrógradoss, que não percebem o espírito do tempo". E termina com esta "boutade" "Mais ano menos ano ainda temos os directores da TVI e da "TV Guia" a definirem os programas e a aprovarem os manuais escolares". (Já agora, porque não também a RTP, ou mesmo a SIC ou a "TV Mais?") Compreendo a preocupação de Fernando Madrinha e de outras pessoas que se indignaram com o caso do manual que esteve na origem da polémica. Mas, tanto quanto sou capaz de entender, parece-me que a terapia, implícita ou mesmo explícita, não é a mais urgente e eficaz. Porque, na linha do denunciado, bastaria extirpar os manuais (o tal e, eventualmente outros que trazem outras sugestões, porventura menos chocantes) e o problema estaria resolvido. Ora aqui é que reside, a meu ver o problema e não a solução. Não é tanto pela via da extirpação do culturalmente indigno que avançaremos na qualificação do ensino e da formação, mas pela via da inclusão de objectivos, conteúdos e métodos que ajudem os alunos a serem mais exigentes culturalmente, a alargar os seus horizontes culturais, colocando, nomeadamente, a televisão no seu devido lugar. Ao centrar a crítica num fait divers, muita da reflexão produzida não tem contribuído para colocar aquela que me parece ser uma questão de fundo: a escola continua a formar analfabetos em áreas importantes da vida. Muito provavelmente, o modo como o referido manual procurou abordar o assunto foi desastrado (não analisei o caso). Mas, a reboque de um eventual erro, não se pode "jeter l´enfant avec l' eau du bain", como dizem os franceses. Ora sobre isso, os comentadores têm dito (quase) nada. Era sobre isso que valeria a pena gerar-se uma corrente forte de opinião. Era sobre isso que o Ministério da Educação precisava de ser confrontado e não tanto se vai mandar retirar o manual em causa.

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Falta cérebro nas redacções "Falta cérebro nas redacções" - assim titula Carlos Chaparro a sua última colaboração no portal Comunique-se. E explica: "As redações dos meios impressos, submetidas, de um lado, às pressões do negócio, do outro, às tensões impostas pelo ritmo da produção industrial, criaram detalhadas rotinas administrativas, para controlar e otimizar, sob o ponto de vista gerencial, a seleção e a produção do noticiário. No exercício dessa competência, boa parte do tempo é ocupada em atividades de depuração, no mar de informações que jorram das fontes cada vez mais organizadas. E não há tempo, nem estrutura, nem cultura, para pensar o aprofundamento dos fatos. O que inviabiliza a possibilidade de oferecer a análise e o debate no mesmo tempo e ritmo da notícia. Eu e o executivo de marketing da tal empresa de comunicação chegamos à conclusão de que os jornais diários, que tão cientificamente desenvolveram a capacidade de fazer, precisam, urgentemente, arranjar maneiras de enxertar, nas redações, a capacidade de pensar. Porque a produção e o relato da atualidade deixaram de ser coisas simples. Adquirir complexidade que vai bem além do conceito que entende e trata a notícia como simples mercadoria vendável."

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Sem advertência prévia A AACS decidiu arquivar dois processos contra a SIC porque a lei de televisão, recentemente aprovada, deixou de exigir uma "advertência prévia" dos telespectadores, relativamente a imagens e linguagem susceptíveis de chocar pessoas mais sensíveis, emitidas em horários tardios. A iniciativa partiu - pela primeira vez, ao que a AACS crê - do Instituto de Comunicação Social, "no exercício de uma louvável actividade de fiscalização da Lei da Televisão que efectivamente lhe está cometida". A matéria dos factos ocorreu em Julho último, com um documentário e um filme. A própria SIC reconheceu que se tratava de programas com "imagens particularmente violentas e linguagem chocante". Na versão anterior da lei, essa advertência expressa era obrigatória. Na nova lei, foi alterado o horário nocturno (tem início às 23 horas), mas não consta a obrigatoriedade da advertência. O texto do art. 24 da Lei de TV é o seguinte: "Artigo 24.º Limites à liberdade de programação 1 - Todos os elementos dos serviços de programas devem respeitar, no que se refere à sua apresentação e ao seu conteúdo, a dignidade da pessoa humana, os direitos fundamentais e a livre formação da personalidade das crianças e adolescentes, não devendo, em caso algum, conter pornografia em serviço de acesso não condicionado, violência gratuita ou incitar ao ódio, ao racismo e à xenofobia. 2 - Quaisquer outros programas susceptíveis de influírem de modo negativo na formação da personalidade das crianças ou de adolescentes ou de afectarem outros públicos vulneráveis só podem ser transmitidos entre as 23 e as 6 horas e acompanhados da difusão permanente de um identificativo visual apropriado. 3 - A difusão televisiva de obras que tenham sido objecto de classificação etária, para efeitos da sua distribuição cinematográfica ou videográfica, deve ser precedida da menção que lhes tiver sido atribuída pela entidade competente, ficando sujeita às demais exigências a que se refere o número anterior sempre que a classificação em causa considere desaconselhável o acesso a tais obras por menores de 16 anos. 4 - Exceptuam-se do disposto nos n.os 2 e 3 as transmissões em serviços de programas de acesso condicionado. 5 - O disposto nos números anteriores abrange quaisquer elementos de programação, incluindo a publicidade e as mensagens, extractos ou quaisquer imagens de autopromoção. 6 - As imagens com características a que se refere o n.º 2 podem ser transmitidas em serviços noticiosos quando, revestindo importância jornalística, sejam apresentadas com respeito pelas normas éticas da profissão e antecedidas de uma advertência sobre a sua natureza. 7 - O disposto no n.º 1 é aplicável à retransmissão de serviços de programas, designadamente por meio de rede de distribuição por cabo."

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Uma tertúlia sobre a televisão que temos 'Será que os nossos filhos se sentem identificados no país que vêem noticiado?', 'Será que a nossa ficção fala sempre do mesmo e nunca da realidade?', 'Será que todos somos tele-treinadores e quando chega a hora de intervir temos sempre tele-cãibras?' Mais genéricamente: 'Será que a TV que temos é a que merecemos?' ´. É este o tema de uma tertúlia promovida,a partir de hoje e todos os sábados até ao fim de Novembro pelo Centro Cultural Franciscano, de Lisboa. A reflexão de hoje incide sobre 'Tele-Ética' e começará pelas 19 horas, no Centro, localizado no Largo da Luz, em Carnide, Lisboa. (Fonte: Jornal de Notícias)

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O "estado de sítio" da opinião pública Paquete de Oliveira, no JN: «O "estado de sítio" a que chegou o estado da opinião pública portuguesa, em que há liberdade de opinião, mas há o campear de um ruído ensurdecedor numa obstinada actuação de tudo reduzir a conflito, num processo de descrença ou descrédito, onde se julga que quem tem a verdade é quem fala mais e aos gritos, seria importante que não se mostrasse ao Mundo o modo tão frágil de como queremos que a nossa visão seja a dos outros.»

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"Empenhamento televisivo" Pedro d' Anunciação, no Expresso: "A maneira como se fazem perguntas, em qualquer entrevista, pode e deve ser mais ou menos neutra. Mas, nas Televisões, parece quase que se está a pôr em prática uma nova doutrina do empenhamento televisivo, em oposição ao velho princípio da independência jornalística". Sobre os apresentadores perante o facto de Paulo Pedroso se ter dirigido à Assembleia da República após a sua libertação: "(...) só aceitavam uma resposta. Porque se algum dos entrevistados se atrevesse a considerar normal o festejo (...) sujeitava-se simplesmente a um franzir horrizado da testa do entrevistador e a uma insistência ainda mais crítica da pergunta, então já recheada de considerandos reprovadores".

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Acordo na Lusa sobre avaliação de desempenho A administração da agência Lusa, o Sindicato dos Jornalistas e outras estruturas sindicais representativas dos trabalhadores da empresa assinaram um acordo sobre o Regulamento de Avaliação de Desempenho. O documento, que passa a ser parte integrante do Acordo de Empresa, fixa os objectivos gerais, os princípios orientadores, a metodologia e os quesitos ou factores de avaliação. O documento, bastante discriminado, pode vir a ser um instrumento de referência noutros contextos. O seu teor pode ser consultado no site do Sindicato dos Jornalistas.

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Notícias da BOCC Foram colocados, nos últimos dias, novos textos na Bibloteca Onine de Ciências da Comunicação (BOCC), a que vale a pena fazer referência: * De Jorge Pedro Sousa: - Estereotipização e discurso fotojornalístico nos diários portugueses de referência; - Construindo uma teoria do jornalismo; - A utilização de fontes anónimas no noticiário político dos diários portugueses de referência; - Por que as notícias são como são?; *De Jair António de Oliveira: - Pragmática das Relações Públicas.

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Documentário sobre pedofilia O Channel 4 inglês insurgiu-se recentemente contra uma atitude da polícia que bloqueou a exibição de um documentário sobre tráfico e abuso sexual de crianças. Os profissionais do canal desenvolveram, ao longo de um ano, investigações que permitiram estabelecer ligações entre redes de pedofilia na Roménia e no Reino Unido. Zelosos, entenderam facultar informações à polícia que prendeu um homem, na cidade de Bristol. A partir de então, a polícia ameaçou o canal caso emitisse o documentário. Depois de negociações prolongadas, foi finalmente aceite que o programa fosse para o ar, desde que o rosto da pessoa detida aparecesse disfarçado. (Fonte: BroadcastNow - pré-registo requerido).

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Escutas telefónicas por jornalistas do Expresso A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) considerou uma prática ilícita "a intercepção de conversas telefónicas por iniciativa de jornalistas, seja em que circunstâncias for" e recomendou à Direcção do Expresso que altere esse ponto no recém-divulgado Código de Conduta interno. O assunto foi desencadeado por uma queixa do deputado e ex-governante socialista Alberto Arons de Carvalho relativamente a uma disposição do Código de Conduta dos Jornalistas do Expresso, em que se prevê que estes profissionais possam interceptar, por sua iniciativa, conversas telefónicas. Para conhecer a argumentação quer do queixoso, quer da Direcção do Expresso quer da própria AACS, vale a pena ler o comunicado relativo à deliberação.

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Conferência da IAMCR em Porto Alegre A próxima conferência científica da IAMCR (International Association of Media and Communication Research) vai realizar-se em Porto Alegre, Brasil, sobre o tema "Comunicação e Democracia: Perspectivas para um novo Mundo". De periodicidade bienal, esta iniciativa tem já um primeiro esboço de programa e um calendário disponíveis na net. Justificando o tema, referem os organizadores: "O valor político da democracia e o papel que a mídia exerce para sua realização plena têm sido ao longo da história tema central de inúmeras polémicas. Não foram poucas as oportunidades nas quais os veículos de comunicação, e os próprios produtores e animadores viram-se em tais embates. O papel estratégico que realizam como gatekeepers foi decifrado pela sociedade. Em muitas circunstâncias as comunidades tendem a rotular tal labor como poder excessivo a ser, de alguma forma, reduzido e vigiado. Tal controvérsia sobre a robustez dos valores liberais relativamente à comunicação é ainda mais intensa em ambientes nos quais as tensões econômicas, culturais e sociais são graves e profundas. Afirma-se neles, entre outras coisas, que tais personagens do jornalismo e da indústria cultural servem, na verdade, ora a interesses políticos específicos, ora a interesses comerciais, religiosos e também de classe (...)".

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"A verdade cruel sobre a mentira virtuosa" No site Open Democracy: "The long walk to freedom takes place across language. What happens when words are abused by power, cheapened by war, or corrupted by media? This philosopher-TV executive surveys openDemocracy’s debate on journalism and war, and asks whether George Orwell’s dystopian vision of thought-killing ‘Newspeak’ has been realised in contemporary American journalism".

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Dez pontos sobre o jornalismo na forma de blogs Jay Rosen propõe, no blog PressThink, Ten Things Radical about the Weblog Form in Journalism, pensadas especialmente para os que se estão a iniciar na blogosfera. Em cada um dos dez pontos, e pelo recurso ao hipertexto, Rosen remete-nos para exemplos daquilo que propõe. Deixo aqueles tópicos que me parecem mais interessantes: 1.) The weblog comes out of the gift economy, whereas most (not all) of today’s journalism comes out of the market economy. 2.) Journalism had become the domain of professionals, and amateurs were sometimes welcomed into it— as with the op ed page. Whereas the weblog is the domain of amateurs and professionals are the ones being welcomed to it, as with this page. (...) 4.) In the weblog world every reader is actually a writer, and you write not so much for “the reader” but for other writers. So every reader is a writer, yes, but every writer is also a reader of other weblog writers—or better be.(...) 8.) In journalism prior to the weblog, the journalist had an editor and the editor represented the reader. In journalism after the weblog, the journalists has (writerly) readers, and the readers represent an editor. 9.) In journalism classically understood, information flows from the press to the public. In the weblog world as it is coming to be understood, information flows from the public to the press. 10.) Journalism traditionally assumes that democracy is what we have, information is what we seek. Whereas in the weblog world, information is what we have—it’s all around us—and democracy is what we seek.

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Blogs: uma "banda do cidadão"? Numa entrevista à Online Journalism Review, John Markoff, que cobre a área de tecnologia e computadores para o The New York Times desde 1988, refere não ser ainda capaz de afirmar que os weblogs sejam mais do que aquilo que foi, no campo radiofónico, a "banda do cidadão". A entrevista toda ela é um documento precioso. Particularmente sobre a tendência para um cada vez maior número de actores aparecer a produzir e editar conteúdos, nomeadamente através dos blogs, Markoff revela grande prudência, se não mesmo cepticismo: "Well, I'm of two minds. I certainly can see that scenario, where all these new technologies may only be good enough to destroy all the old standards but not create something better to replace them with. I think that's certainly one scenario. The other possibility right now -- it sometimes seems we have a world full of bloggers and that blogging is the future of journalism, or at least that's what the bloggers argue, and to my mind, it's not clear yet whether blogging is anything more than CB radio.And, you know, give it five or 10 years and see if any institutions emerge out of it. It's possible that in the end there may be some small subset of people who find a livelihood out of it and that the rest of the people will find that, you know, keeping their diaries online is not the most useful thing to with their time.When I tell that to people … they get very angry with me. ... I also like to tell them, when they (ask) when I'm going to start a blog, and then, 'Oh, I already have a blog, it's www.nytimes.com, don't you read it?'".

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Por onde o barco afunda Respigo do Respirar o mesmo ar: "(...) há no entanto algo que é cada vez mais intolerável para mim. o mau jornalismo dos bons jornalistas. não tenho dúvidas nenhumas de que é por aí que o barco afunda. poderia (...) pulverizar o impacto desta frase, aplicando-a na má política dos bons politicos, etc, etc, etc. pois podia. deixo isso para quem ler estas palavras. eu não quero ir por aí. o jornalismo ainda não é um não lugar deste mundo, pelo menos para mim. (...)" E sobre a carta ao director, que o Joaquim Fidalgo aqui comentou, anota o mesmo Respirar: "(...) entretanto é triste que seja um leitor, que por acaso tinha ido consultar uns livros à biblioteca da Assembleia, a fazer, numa carta ao Director, o relato mais isento dos acontecimentos que se passaram quando Pedroso foi ao Parlamento." Sugiro, neste contexto, a leitura do post Os textos-écran, do Barnabé. Prossegue a reflexão do JF.

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Memória Virtual O aaanumberone mudou de casa e de nome: passou a estar alojado no weblog.com.pt e a chamar-se Memória Virtual. Mantém, porém, a orientação.

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Paróquias de Braga têm blog "Uma Igreja na Cidade e para a Cidade" é o nome do blog que as paróquias da cidade de Braga acabam de criar, como forma de dinamizar a visita do Arcebispo a cada uma delas, a partir do próximo mês. Este espaço na Internet, a que se somará brevemente um site, será ainda complementado com uma tribuna a publicar aos domingos nos dois diários da cidade, na qual individualidades dos mais diversos sectores - política, economia, cultura ... - serão convidados a escrver depoimentos sobre o tema que dá o nome ao blog: Uma Igreja na Cidade e para a Cidade.

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Julgamento de snippers noticiado em weblog O julgamento de dois norte-americanos acusados de terem assassinado a tiro várias pessoas no estado de Washington está a ser acompanhado por um repórter do The Gazette, que utiliza um weblog para divulgar a informação. O blog é actualizado frequentemente com os passo do julgamento, que hoje estava na fase de selecção do juri. Dica de E-Media Tidbits.

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Lutar contra a "poluição informativa" Um guru da web, Jakob Nielsen, considera que um número crescente de pessoas está a ficar prisioneiro do computador e das possibilidades de informação e comunicação a que através dele têm acesso. Largas dezenas de mails por dia, uma série de sites para visitar, weblogs para escrever e para ler criam um quadro que já é mais grave do que a simples "information overload". Em declarações prestadas à BBC News Online, Nielsen afirma que "Information pollution is information overload taken to the extreme". "The entire ideology of information technology for the last 50 years has been that more information is better, that mass producing information is better (...) but the net is now so much an machine with all the answers instantly, it has mutated into a "procrastination apparatus", which spews information without much prioritisation", observa. Para atenuar o problema, Nielsen propõe uma série de recomendações: - Time manage and prioritise - Create more than one e-mail account - Shunt other e-mails to places you will look at later - Think hard who you send an e-mail to - Don't reply to all, just those who have to know - Get a decent spam filter - Don't be event driven: resist e-mail alerts.

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Governo repõe publicidade na revista Time O Governo anunciou esta quarta-feira que vai repor a publicidade ao Euro 2004 na revista Time depois de esta ter assumido que errou ao colocar um anúncio ao campeonato na mesma edição em que fez capa sobre a prostituição em Bragança. ...(Ler mais no Portugal Diário).

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Dois textos sobre direitos e ética dos jornalistas Dois textos do jornalista Miguel Marujo, no Portugal Diário, com data de ontem : - Jornais agressivos «pisam» ética - sobre o dever de citação do trabalho e investigação alheios, matéria sobre a qual nem todos afinam pelo mesmo diapasão; - Jornalistas também são autores - sobre a «Reutilização do trabalho de profissionais da informação" e a opinião de muitos jornalistas de que "carece de autorização prévia». (dica de Fim do Jornalismo?)

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A notícia já foi dada aqui, por isso este post serve apenas para os mais distraídos não se esquecerem: “Primeiro livro português sobre blogues apresentado hoje”, no Mercado da Ribeira, em Lisboa, às 19h00. A obra, “Blogs”, é de Paulo Querido e Luís Ene. Boa sorte no lançamento! :)

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E a ética? Pode uma jornalista comprar acções de uma empresa só para poder assistir a uma reunião de accionistas vedada à comunicação social, e daí retirar informações com vista à sua publicação? A direcção do Expresso e a jornalista em causa parecem pensar que daí não vem qualquer mal ao mundo. A história vem hoje no Público.

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Suspender a publicidade na Time? A reportagem da Time sobre a prostituição em Bragança levou o Governo a suspender a campanha de publicidade sobre o Euro 2004 naquela revista. A decisão pareceu-me, numa primeira reacção, ridícula: lá está a acção governamental a ser comandada pelo comportamento dos media. Afinal, será que foi tomada alguma medida idêntica com os media nacionais, aquando do "festim mediático" sobre o mesmo assunto, há uns meses atrás? No caso da Time, suspender a publicidade não será, mutatis mutandis, um pouco como o rei que mandava matar o mensageiro pelo facto de este lhe trazer uma má notícia? O teor do slogan a inserir na revista, que jogava com o título da publicação, tornar-se-ia motivo de ridículo, depois da publicação da reportagem, tal como vem referenciado na imprensa (cf. "Jornal de Notícias" e Público): "In Portugal, the extra-Time is always the best part of the game" (Em Portugal, o prolongamento é sempre a melhor parte do jogo). A ideia que passa para a opinião pública é esta: o Governo suspende a campanha não por causa do teor do slogan mas pela necessidade de dar um sinal de retaliar a revista. Mais valia assumir as coisas como elas são. Agora a decisão do governador civil de, como primeira medida de reacção à Time, ir pedir reforços policiais para conter os famintos de sexo que, segundo ele, demandarão Bragança no próximo ano releva de uma capacidade de visão e de planeamento digna de um grande estadista.

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Colóquio sobre Imprensa Regional “Perspectivar Novos Rumos – A Imprensa Regional no Século XXI” é o tema de um colóquio que se realiza amanhã, quinta-feira, durante todo o dia, na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, na Póvoa de Varzim. A iniciativa é da Câmara Municipal - Biblioteca Municipal e do Jornal “Comércio da Póvoa de Varzim”. Participam, entre outros, o director da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro, e o Secretário Adjunto do Ministério da Presidência, Feliciano Barreiras Duarte.

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Weblog, blog, bitácora, joueb Com a nossa tendência de importar palavras de outras línguas, em Portugal, como no Brasil, pegou o termo weblog ou a forma contraída de blog, havendo quem grafe de forma aportuguesada: blogue. Não fizeram isso outras línguas. O francês também usa weblog, mas em França tem-se procurado instituir e generalizar, embora com um sucesso que parece ser relativo, o conceito de joueb, que é a contracção de journal+web. Mais interessante é o caso do espanhol, onde tem tido uma certa aceitação o termo bitácora. É uma palavra antiga e muito interessante. O seu sentido original reporta-se à caixa fixa que, nos navios, guardava a bússola. Ligado a ela havia sempre o cuaderno de bitácora, que era, nada mais nada menos que o diário de bordo: o livro onde se anotavam todos os factos da viagem dignos de menção (rumo, velocidade, manobras e outros eventos). E de onde vem o termo bitácora? Segundo o dicionário da Real Academia Espanhola, vem do latim habitaculu, que deu, em português, por via directa, o nosso habitáculo, e por via indirecta, a palavra correspondente à espanhola: bitácula. O que uma língua não revela sobre os seus falantes e escritores!

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O que a televisão dá a ver Muito interessante a carta de um leitor que hoje vem no PÚBLICO e que dá, afinal, uma tardução bem concreta, bem próxima de nós, de questões teóricas muito complicadas e que tanta discussão merecem. Tem ainda a ver com o regresso de Paulo Pedroso ao Parlamento e com as imagens agitadíssimas que desse evento nos deu a televisão em directo. Diz o autor desta carta que esteve lá, "in loco", e o que viu tem pouco a ver com o que nós vimos na televisão. Por uma razão principal: o que ele lá viu, acima de tudo, foi o frenesim louco dos próprios repórteres (em especial os da imagem), quando o que nós vimos, em casa, foi o que eles - repórteres - nos estavam a mostrar. Afinal, o directo televisivo não é, por si só, o garante de que nos é transmitida "a realidade tal e qual...". Afinal, se outros olhos diferentes dos da câmara de televisão estiverem lá, "in loco", podem ver coisas bem diferentes das que a câmara de televisão está a ver - e a mostrar ao mundo. Mas a realidade que fica, aquela sobre que se comenta nos dias seguintes, aquela que é registada para a história, é a do evento "lido" pela televisão - pois foi visto por milhões (e visto como sendo "realmente" aquilo que se estava a passar), enquanto no Parlamento só estava meia dúzia de pessoas a testemunhar. É o acontecimento mediatizado que fica, não o acontecimento cru; é a nova realidade que fica (a realidade tal como foi apreendida e divulgada pela televisão), não a "realidade real" (se é que esta expressão faz algum sentido...) que quase nenhuns olhos puderam ver. Recorde-se a quantidade de páginas de jornal, de artigos, de debates, de indignações e contra-indignações, que suscitaram, nos dias seguintes, aqueles acontecimentos na Assembleia da República - e tudo em função do que vimos na televisão. Ou seja, tudo (quase tudo) em função do Dr. Paulo Pedroso e dos dirigentes do PS e da euforia de que, supostamente, deram excessivas mostras. Muito menos se falou da euforia e dos excessos dos repórteres, pois isso pouco se viu: eles não nos mostraram, nem poderiam, o que eles próprios andavam a fazer... E o que nos diz este leitor do PÚBLICO, afinal, é que, olhadas as coisas no local, saltava muito mais à vista o "circo" dos jornalistas do que o dos políticos. Mas esse, nós (em casa) não pudemos vê-lo, pois os seus protagonistas eram precisamente quem estava com as câmaras na mão a mostrar-nos o resto da cena, o que se passava "para além" deles. Se eram eles os nossos olhos, como podiam dar-se-nos a ver?... E o que vimos pelos olhos deles, pelos vistos, não foi tudo - longe disso. Mas reagimos como se fosse. Essa é que é a questão...

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"Um fantasma na máquina dos media" Jay Rosen, professor da Universidade de Nova Iorque e um dos mais destcados estudiosos e entusiastas do jornalismo de proximidade ( também adjectivado comunitário, cívico, colaborativo...), criou um blog que vale a pena seguir com atenção. Chama-se PressThink e traz por subtítulo "Ghost of democracy in the media machine". Eis como o autor apresenta este seu espaço na web: "I am a press critic, an observer of journalism’s habits, and also a writer trying to make sense of the world. I am interested in the ideas about journalism that journalists work within, and those they feel they can work without. I try to discover the consequences in the world that result from having the kind of press we do. I call this blog PressThink because that’s the kind of work I do. The title points to forms of thought that identify “journalism” to itself— but also to the habit of not thinking about certain things. The subatomic force that holds the pack of reporters together as they swarm around a story, there’s an example of pressthink. Without it there could be no pack; the pieces would come flying apart. There is a strange energy there, holding smart people to dumb practices."

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Jornalistas ao blog Mais dois jornalistas começaram nos últimos tempos a escrever os seus blogs. Um é um estudioso do jornalismo digital: Helder Bastos, do DN, que escreve o seu Blog de Notas. Outro é Júlio Roldão, do JN, que disponibiliza o Cadernos de um Jornalista.

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A loucura dos weblogs Foi no blog de Helder Bastos que vi a referência a este texto de Francis Pisani: Internet saisi par la folie des « weblogs », que veio no Le Monde Diplomatique de Agosto, desde há dias disponível nline. Um excerto: "Le phénomène se situe dans le droit fil de ce qui est la qualité principale de la Toile : la communication many to many, ou horizontale, comme la messagerie électronique (mel) et les messageries instantanées. C’est moins la « mort de la distance » qui compte que la communication intense entre personnes qui ne se connaissent pas. Le propre des blogs est de rendre cette communication publique. Ce qui invite à se demander si les blogueurs sont des journalistes. La première grande différence avec le journalisme traditionnel, c’est l’absence d’un regard extérieur avant la publication d’un article." No mesmo número pode ler-se o texto escrito por Armand Mattelart, intitulado Les laissés-pour-compte du cyberespace, a propósito da próxima Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação.

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» Felisbela Lopes e Sara pereira (orgs) A TV do Futebol; Porto: Campo das Letras

» Televisão e cidadania. Contributos para o debate sobre o serviço público. Manuel Pinto (coord.), Helena Sousa, Joaquim Fidalgo, Helena Gonçalves, Felisbela Lopes, Helena Pires, Luis António Santos. 2ª edição, aumentada, Maio de 2005. Colecção Comunicação e Sociedade. Campo das Letras Editores.

» Weblogs - Diário de Bordo. António Granado, Elisabete Barbosa. Porto Editora. Colecção: Comunicação. Última Edição: Fevereiro de 2004.

» Em nome do leitor. As colunas do provedor do "Público". Joaquim Fidalgo. Coimbra: Ed. Minerva. 2004

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